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"Se rugas têm de ser escritas na testa, não permita que se inscrevam no coração. O espírito jamais deve envelhecer" James Abram Garfield Já não se faz mais filmes como os de antigamente... Não é nostalgia, é uma constatação. Os mais jovens irão concordar com ironia dizendo: - É claro, os de hoje são muito melhores. Temos mais efeitos especiais, muito mais recursos, som Dolby Surround e imagem digital. Mas não é a isso que me refiro. Claro que a tecnologia trouxe benefícios áudio-visuais que eram inimagináveis há cinqüenta anos. Seriam coisas de ficção científica. Fico imaginando do que seriam capazes Chaplin, Hitchcock, e tantos outros que nem vou me dar ao trabalho de citar, tendo acesso aos recursos atuais... Que loucuras não faria o Buster Keaton? O que o Stanley Kubrick não faria com “2001, Uma Odisséia no Espaço” se tivesse em mãos os recursos de efeitos digitais que são possíveis hoje? Mas estou divagando... O fato é que os filmes do meu tempo eram assustadores mesmo sem sangue espirrando ou tripas expostas, eram sensuais sem serem explícitos e eram engraçados sem serem apelativos. É aí que o talento faz toda diferença. Esse assunto me veio à mente porque revi um clássico da comédia – A Pantera Cor de Rosa (Pink Panther), versão original de 1963. A Pantera fez tanto sucesso que gerou várias continuações, com o impagável e inesquecível Peter Sellers no papel do atrapalhado Inspetor Clouseau. “Meglio stasera, che domani o mai, Domani chi lo sa, quel che sarà?” Melhor hoje à noite que amanhã ou depois, Amanhã quem sabe, o que será? Essa cena reune boa parte do elenco em volta da lareira em uma estação de esqui, entretidos com a canção Meglio Stasera na voz de Fran Jeffries. Essa música foi regravada recentemente por Michael Bublé. O ótimo elenco era encabeçado por David Niven, Peter Sellers, Robert Wagner (do Casal 20, lembram?), Capucine e Claudia Cardinale. A música tema do filme, composta por Henry Mancini, ficou célebre, assim como o cartoon criado por DePatie-Freleng para a abertura do filme que fez tanto sucesso que acabou virando uma série de desenho animado. O trailer do filme de Blake Edwards Após a morte de Peter Sellers foram feitas várias tentativas frustradas de dar continuidade à série. Outros atores foram testados no papel do inspetor atrapalhado. Até arrumaram um filho para o inspetor Clouseau, com Roberto Benigni no papel. Em 2006 foi a vez de Steve Martin tentar a sorte na refilmagem da Pantera Cor de Rosa. Coitado, ele se esforçou... Mas esse é um daqueles casos clássicos em que o personagem fica tão marcado que só funciona com aquele determinado ator. Não haverá um Ben-Hur como o Charlton Heston; não haverá um Mr. Spock como o Leonard Nimoy; não haverá um Indiana Jones como o Harrison Ford e não haverá, jamais, um Inspetor Clouseau como o Peter Sellers. Paulopithecus ::: Relembrado por Jack 10:26 PM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: O balão vai subindo, vem caindo a garoa......“o Céu é tão lindo e a noite é tão boa”... É tempo de festas juninas, de pular fogueira, dançar quadrilha, comer milho e batata-doce, soltar balão e tantas outras coisas típicas, não é? Essa época me traz muitas e boas recordações. É uma manifestação tipicamente brasileira, mas.... é totalmente internacional. Acredite, se quiser. As fogueiras são uma herança do paganismo celta, que comemorava o solstício de verão botando lenha pra queimar. Quem leu “As brumas de Avalon” e lembra das “Fogueiras de Beltane”, sabe disso. A quadrilha é uma dança que se originou do minueto francês. Por isso os “anarriê” (na verdade, é um abrasileiramento de “en derrière”, recuar), “anavã” (“en avant”, avançar), “travessê” (“travesser”, atravessar), “balancê” (“balancer”, balançar) e vai por aí a fora. O milho é de origem azteca, a batata-doce veio dos Andes. Os balões de papel de seda foram criados na China. Como se vê, é uma festa inteiramente globalizada... Mas foi aqui, no Brasil, que todas essas coisas se juntaram numa festa impregnada de brasilidade até o último gole de quentão. Participei animadamente de muitas festas juninas. Lembro de uma, em mil-novecentos-e-não-vem-ao-caso, no colégio de meus irmãos, em que eu particularmente me empenhei. Ajudei a cortar as folhas de coqueiro e a montar as barraquinhas e a “cadeia”. O diretor da escola me deu a gerência da barraquinha das argolas, onde as pessoas pagavam um dinheirinho para lançar três argolas sobre um tablado onde tinha maço de cigarros, garrafa de vinho, brinquedos de 1,99 etc. Teve quadrilha, lógico, e eu formava o casal principal, que puxava a fila. Ensaiamos bastante e foi um show, modéstia às favas. Quando acabou tudo, eu ainda ajudei a desarmar o arraiá. Por meu empenho, o diretor do colégio puxou uma salva de palmas para mim e ainda me deu uma garrafa de Guaraná caçula. Nem precisava. Eu tinha me divertido tanto, que já me considerava totalmente remunerado. Naquela época, os rituais juninos eram coisa séria. Alguns meninos construíam barraquinhas de caixote de madeira, forravam com papel enfeitado, penduravam uma lanterna colorida e vendiam, na porta de casa, estalinhos, bombinhas, cabeças de negro, buscapé, cobrinha, estrelinha, bandeirinha e os sempre presentes barbantinhos cheirosos. Nas festas, só se ouvia músicas típicas de festas juninas, celebrando os santos do mês – Santo Antônio, São João e São Pedro. Curioso: São Paulo também é celebrado no dia 29 de junho, mas ninguém lembra dele nas músicas e nas festas. Talvez por ter sido um santo muito intelectualizado, afinal de contas foi o grande “inventor" do cristianismo como nós o conhecemos (Jesus e a maioria dos apóstolos só pregaram judaísmo para judeus, foi Paulo que levou a palavra de Cristo aos chamados gentios). Nos meus bons tempos, era sagrado: música de festa junina era aquela que a gente dançava na quadrilha. A primeira vez que ouvi Michael Jackson e Madonna num arraiá fiquei horrorizado! Hoje, tocam a música do créu e outros hip-hops do gênero. Só se ouve música junina na hora da quadrilha e olha lá. Daqui a pouco vai ter anarriê ao som de Britney Spears e Robbie Williams. Quase não se vê canjica, curau e batata-doce. Só dá cachorro-quente, hambúrguer e pizza nos arraiás daqui do Rio. O quentão foi substituído pela caipiróska. Assim não dá... Com tudo e apesar de tudo isso, eu ainda fico com as minhas festas juninas de infância, quando olhava o céu, pintadinho de balão, quando procurava o brilho nos olhos da menina de que eu gostava, quando vestia roupas com remendos e passava rolha queimada no rosto, pra fazer bigode e costeleta... Ainda hoje eu olho pro céu, com um travo nostálgico nos olhos, como se ainda ouvisse lá no fundo de mim... “São João, São João... Acende a fogueira no meu coração...” PteroMarco ::: Relembrado por Jack 5:46 AM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: O príncipe e o mendigo![]() Há muito tempo atrás e muito antes do PC, eu era uma adolescente normal e até bastante tímida. E o pior: parece que estou ficando uma envelhescente agora não muito normal. O pessoal aqui de casa, acha que sou meio maluca, porque ainda gosto de rock, parque de diversões, sou tiete dos meus ídolos, essas coisas... A estória que vou contar, de fato aconteceu comigo e uma amiga, que morava apenas uma quadra de casa. Nossas mães diziam que a calçada daquela quadra da Rua Goiás, entre minha casa e a dela, iria simplesmente desaparecer. Ou afundar, de tanto que uma ia pra casa da outra. Lembro-me muito bem desse dia, pois o que vimos foi quase uma visão celestial: um lindo galã quase menino, só não me lembro de qual antigo canal de TV: Kadu Moliterno. Ele estava estrelando a novela O Príncipe e o Mendigo onde fazia ambos os papéis. Atualmente ele nem me parece tão bonito. Lógico, descontando a idade, a calvície, etc. Está na Global novela das sete: é o Gaspar. Mas na época, ali nas nossas barbas, parado em frente à padaria, a coisa tinha outro significado. Vínhamos da casa de minha amiga, e quando o vimos, saímos correndo em direção à minha casa. E, segundo minha irmã e minha mãe, nós parecíamos duas loucas varridas, correndo pela rua. Tudo isso somente para contar pra todo mundo que a gente tinha visto o “príncipe”... Ficaram até com medo de que, logo atrás de nós, viesse o carro do Juquerí ou do Pinel, (como preferirem), com duas camisas-de-força, para nos encamizar... Até cair a ficha delas, que nós estávamos falando do Kadu, foi-se algum tempo. Aí as duas idiotas voltaram pra padaria e ficaram só olhando de longe, com aquele olhar comprido... Tietagem à distância, mas nem por isso, menos apaixonada. Hoje em dia, não se fazem mais adolescentes como antigamente! Quem quiser saber mais sobre o artista, clique neste link. ::: Relembrado por Jack 7:49 AM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: Domingo, Junho 08, 2008 Corrente Milagrosa de .... ::Se estiver sem dentadura: ![]() Anos setenta. Domingo à tarde com a família e “agregados” (namorados e namoradas)... Final do almoço e trocamos rapidamente a toalha da mesa da sala... Cadeiras ao redor para oito ou dez pessoas (apertadas). Ia começar a sessão de jogos de salão! Claro que era preciso decidir com antecedência qual seria o jogo do dia, tal a diversidade de opções. Primeira decisão: tabuleiro ou cartas? Alguns fatores deviam ser levados em consideração na hora da escolha e o principal era o número de pessoas. Alguns jogos de tabuleiro eram limitados a quatro jogadores... Alguns jogos de baralho também. As opções de tabuleiro na época eram: - WAR. Jogo de estratégia campeão! Esse era o meu favorito e, dependendo do número de jogadores, podia durar horas entre conquistas de territórios ou aniquilação de um determinado adversário. Algumas missões eram particularmente difíceis e, claro, o fator sorte também pesava. Hoje o WAR tem várias versões, mas eu só conheço a primeira. - BANCO IMOBILIÁRIO (ou MONOPÓLIO). Eu tinha os dois e eram quase idênticos, apenas com pequenas diferenças. Também era um dos meus preferidos e podia, quando jogado com seriedade, demorar um tempo razoável. Mas as regras eram flexionadas com freqüência e, com os banqueiros “corruptos” permitindo empréstimos irregulares, ninguém ia à falência. E o jogo não acabava... - PALAVRAS CRUZADAS (de tabuleiro). O meu tem todas as pecinhas em madeira e era do meu pai. Aqui havia uma limitação de número, permite no máximo quatro jogadores. - YAM. Esse é um jogo de dados, basicamente, mesclando sorte e estratégia. Cinco dados e uma folha de pontuação para cada jogador, sem limitação de número. Vale observar que quanto mais jogadores, mais demorado o jogo irá se tornar. Num certo período esse jogo se tornou uma espécie de vício entre eu e meus amigos. Hoje descobri que há uma versão para se jogar online, mas ainda não testei. - DICIONÁRIO. Esse eu conheci bem antes da Grow lançar a versão comercial ACADEMIA. É necessário apenas um bom dicionário, lápis e papel para todos os jogadores. Aqui, quanto mais pessoas melhor. É garantia de boas risadas e muita diversão, além de aprimorar o vocabulário. - DOMINÓ. Esse todo mundo conhece e dispensa maiores apresentações. Nem vou citar os clássicos DAMAS, XADREZ e GAMÃO porque limitavam os jogadores a apenas dois, o que era inadmissível num grupo grande como o nosso. Ficavam relegados a outras ocasiões. Eu era tão apaixonado por jogos que fiz uma coleção da Editora Abril chamada TODOS OS JOGOS que consistia em uma caixa com vários compartimentos que iam sendo preenchidos, ao longo da coleção, por peças e dados de todos os tipos, cores e formatos. Cada fascículo vinha acompanhado de uma folha com o desenho de um tabuleiro diferente que depois podia ser encaixado em uma base de papelão e plástico. Era possível jogar dezenas de jogos de diversas partes do mundo. Tenho até hoje, mas nunca testei nem a metade... Acompanhava essa coleção um livro voltado para os jogos de cartas, ensinando desde os jogos mais comuns até alguns que eu nunca tinha ouvido falar. Os jogos de baralho eram uma opção fácil. Nem sempre havia um jogo de tabuleiro disponível, mas sempre havia um baralho na gaveta de alguém. Jogávamos BURACO, SUECA, DESCONFIO, MAU-MAU, COPAS FORA e PÔQUER. Esse último é o único do qual não me enjoei, mas por falta de parceiros tive que diminuir radicalmente a frequência. Esse tipo de programa familiar, bastante comum naquela época, acabou se perdendo em razão de outras novidades. A garotada sai pra “balada” e os que ficam em casa divertem-se “solitariamente” nos seus computadores. Aliás, eu também faço isso, tenho que admitir. Quase todos os jogos mais conhecidos já têm versões digitais e podem ser jogados pela Internet, mas nada substitui o contato pessoal. Afinal aquelas reuniões significavam muito mais do que um simples jogo. Era um momento de confraternização incomparável. Eu, sempre que posso, procuro reviver esses eventos na casa dos meus pais. Nas festas de final de ano já está se tornando habitual. Paradoxalmente, a violência e a falta de dinheiro estão trazendo de volta esses programas domésticos que são incrivelmente baratos, seguros e divertidos... Um efeito colateral inesperado, mas muito bem-vindo. Referências: Brinquedos GROW Brinquedos ESTRELA Ludomania (Site sobre jogos diversos) ::: Relembrado por Paulo 7:41 PM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: |
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