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"Se rugas têm de ser escritas na testa, não permita que se inscrevam no coração. O espírito jamais deve envelhecer" James Abram Garfield

Sábado, Junho 24, 2006

Paulistana de Carteirinha



É engraçado como vim chegando, abrindo meu coração pra falar de lembranças, sem ao menos até este terceiro mês dizer de onde vim.

Hoje, portanto vou subverter as coisas e me apresentar já que isso também significa recordar coisas à beça.

Em se tratando de São Paulo, eu acredito que não haja alguém com endereço mais central do que o que tive. Afinal, morei no Páteo do Colégio n° 1 - 2º andar, devidamente comprovado no meu cartão de participação de nascimento como se pode ver acima.

Pois é, além desse endereço ímpar, também tive meu nascimento participado em grande estilo. Provinciano para alguns, glorioso para mim que não tenho o pudor de alardear isso, via Internet, divertindo agora meus amigos do Play.

Os arredores dali, mais pareciam o quintal da minha casa, e foram cenários para muitas fotos de infância: Rua Direita, São Bento, XV de Novembro, Praça Clóvis... Essa era minha praia num tempo que praia era Santos, apenas Santos!

Não posso encerrar sem contar que a São Paulo da garoa e do lampião de gás, cantada em verso e prosa, está indelével na minha memória com registros como a da festa do IV Centenário da cidade, que presenciei da janela do meu quarto de frente para a Praça da Sé, seu marco zero.

Naquele dia vi artistas alemães andando no arame sobre a praça e uma chuva de prata caindo do céu, enlouquecendo a multidão. É bem verdade que esse foi meu único ângulo de visão, num dia que toda cidade fervilhava numa festa, que marcou a memória de milhares de paulistanos como eu, numa época sem as transmissões pela TV como hoje.

Mais prosaicos eram os passeios com a família pelo Viaduto do Chá e adjacências nos idos anos 50. Para encurtar, devo dizer que assim como os milhares de aviões, que ganham o céu, decolando de Congonhas, eu decolei de São Paulo para a vida tendo muitos endereços e pontos da megalópole registrados na minha memória indelevelmente.

Hoje longe da minha terrinha posso afirmar que São Paulo (que os bandidos querem dominar) se decalcou no meu coração para nunca mais sair. Ela se fez tatuagem em mim, afinal, foram 45 anos vividos nessa cidade onde nasci, fui criança, desabrochei para vida e me fiz mulher.

@ links com fotos de arquivo pessoal e páginas seguras


Sulanossaura Rex


::: Relembrado por Jack 9:48 AM

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Sábado, Junho 10, 2006

Lembranças




Lembro do muro no qual ficava na infância, brincando com a garotada do prédio vizinho.
Lembro dos tombos e dos machucados de joelho que minha mãe colocava mercúrio-cromo.
Lembro das broncas da minha mãe.
Lembro de anáguas e combinações que pinicavam.
Lembro da vizinha fofoqueira.
Lembro de catar conchinhas na praia.
Lembro de sentarmos nos bancos da praia para secarmos o bumbum para não molhar o estofamento do carro.
Lembro do sorvete Kibon que era vendido em carrocinhas.
Lembro de que quando tinha dor de garganta, minha mãe pincelava minha garganta com Colubiazol. E não era spray ainda não...
Lembro de quando essa garganta estava inflamada, nada de sorvete, só pirulito. Que eram colocados ao redor da beirada dessa mesma carrocinha da Kibon. Alguém mais se lembra disso?
Lembro da amarelinha, da cabra cega, do esconde-esconde, da queimada e do passa anel.
Lembro das imagens do caleidoscópio. Que coisa linda! Visão pré-psicodélica!
Lembro de brincar de escolinha na escadaria do meu apartamento.
Lembro que por causa disso, queria ser professora.
Lembro da primeira edição televisiva do Sítio do Pica Pau Amarelo.
Lembro que viajar para São Paulo era quase uma aventura. E parecia muito mais longe do que na verdade é.

Quanta coisa boa, a gente lembra quando se consegue "parar" para recordar...
Vocês têm boas lembranças como eu?


::: Relembrado por Jack 9:30 AM

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Sábado, Junho 03, 2006
Em busca do sabor perdido.

Chega uma certa idade e a comida passa a ser uma das melhores coisas em nossa vida. No meu caso, ocupa o segundo lugar na minha lista particular de top 10. Certas comidas ativam minha memória afetiva, me transportando para um outro tempo, outro espaço, para uma experiência especial. Um arroz doce, salpicado levemente com canela em pó, por exemplo, me remete para o aconchego de uma casinha em Duartina, com a família toda em volta da mesa, na copa.

Muitas das experiências sensoriais ligadas à comida ou bebidas são impossíveis de duplicar fora do Brasil. Os pratos feitos dos botequins de esquina, que chamávamos de sortido no interior, encontrar onde, a não ser em nossa memória? Mas espero dar uma checada num barzinho de bairro, meio sujinho de preferência, e pedir o prato do dia, e se possível, uma dobradinha numa terça-feira. E se tiver uns velhinhos jogando baralho ou dominó num cantinho, melhor ainda. Em São Paulo, nas próximas férias...

Fico triste de jamais poder experimentar o sorvete de côco queimado, de palito, que eram feitos pelos irmãos Mizumoto, tímidos e feios, que me refrescava nas tardes quentes do interior, depois de uma pelada na rua com meus amigos. Pelas minhas andanças mundo afora sempre dou um jeitinho para dar uma passadinha numa sorveteria e pedir sorvetes de côco ou de nozes, mas nada chega perto do sabor que ficou gravado lá no fundo do baú da minha memória gustativa (tem isso?).

Mas independente das lembranças que certas comidas provocam, eu gosto de provar e experimentar de tudo. Entretanto, a comida japonesa caseira ocupa um lugar especial com o dom de aquecer e confortar a alma.

E para quem estiver curioso para saber do número um da minha lista de top ten, acho que é mais do que óbvio! Com a minha idade, claro que é dormir!

::: Relembrado por gaijin4ever 10:09 PM

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