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"Se rugas têm de ser escritas na testa, não permita que se inscrevam no coração. O espírito jamais deve envelhecer" James Abram Garfield

Sábado, Julho 30, 2005



Até o começo dos anos cinqüenta, antes da chegada da televisão em casa, o rádio era nossa principal fonte de distração e informação. O aparelho, estilo capelinha, ficava na cozinha e permanecia ligado quase o dia todo. O programa "Mensagem Musical da Itália" fazia parte do nosso almoço. Era transmitido pela Rádio Gazeta e começava logo após as sirenes do prédio da emissora, que ficava na Av. Cásper Líbero, soar meio-dia. Quando comecei me interessar por outro tipo de música, ouvia, meia hora antes, a "Parada de Sucessos" da rádio Nacional que trazia as dez músicas mais vendidas. A parte da tarde era reservada às radionovelas. O "dial" era girado até a rádio São Paulo, que transmitia quase que só novela o dia todo. Ouvi-las era um exercício de imaginação, pois tínhamos que construir o cenário em que a história acontecia. Os atores liam os textos e um contra regra fazia os sons necessários. Portas batendo, cavalos, fogo e outros ruídos ficavam a cargo da criatividade desses profissionais. Aos sábados e domingos ouvíamos o esperado Grande Teatro Manuel Durães. Eram peças de teatro que Durães trazia para o rádio e era apresentado pela sua companhia. Aos sábados também havia o programa do Charutinho, que não recordo o nome correto. Era um programa de humor com Adoniram Barbosa. Outros nomes famosos na época nos divertiam. Nho Totico que fazia uma escolinha e interpretava vários alunos. Lauro Borges e Castro Barbosa com um dos programas mais famosos do rádio, a PRK 30, que terminava com um jingle mais ou menos assim:

Obrigado, meus amigos.
Senhoritas e senhoras
Até o próximo programa
Quinta-feira, as mesmas horas!


Mais um nome tem que ser citado aqui. Programa Manuel de Nóbrega, animado por Sílvio Santos na Rádio Nacional. Um programa de variedades que mais tarde foi levado para a televisão, com Silvio no comando.

O rádio não era só esportes e notícias. Risos e lágrimas também faziam parte dele.

Foto: Rádio Novelas


::: Relembrado por Pteroálvaro 12:17 AM

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Quarta-feira, Julho 27, 2005

Batizado de boneca




Quando era pequena, e isso já se vai longe, amava brincar de bonecas. Não as 'Barbies' de hoje. Nem 'Susies' tampouco. Nem um pouco parecidas. As bonecas naquela época eram bebezões imensos de vinil. Não me venham com gracinhas, pois não sou do tempo das bonecas de louça não! Aquelas que quebravam. Devia ser um desperdício... Meninada chorando por todo lado...

Tive um lindo bebê que ganhei da minha avó. Dei-lhe o nome de Marcelo e ele foi até batizado. Para a época ele até que era bem moderninho. Fazia até xixi. Era menino e eu sabia por causa da roupa. Tinha um buraquinho, mas não tinha o sexo. Não tinha cabelo também. Era só uma coisa pintada no alto da sua cabeça.

Deixa contar para quem não sabe ou não lembra como era. Se bem que acho que quem viveu nesse tempo não se esquece. Detalhes para não mais esquecer, pois foram muito marcantes, eu diria. Depois de alguns dias de bebê novo a gente fazia o batizado. Eu tinha até uma roupinha branca que tinha sido de alguém da família. Para vestir no bebê. Chamávamos as amigas da vizinhança. Às vezes até colegas da escola. Um dos meninos fazia o papel de padre. E a gente escolhia padrinho e madrinha para a boneca. E minha mãe fazia bolo. Acho que tinha algum suco também. E era um acontecimento!

::: Relembrado por Jack 12:09 AM

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Terça-feira, Julho 26, 2005

Em busca do sabor perdido



Aqui donde estou escrevendo, em Casper, Wyoming é pleno verão, faz calor que nunca fez na vida, batendo recordes de tempeatura, com o mercúrio alcançando números nunca antes atingidos. Felizmente não tem muita umidade. E tem um rio que passa pelo meio da cidade onde o pesoal vai se refrescar navegando nas bóias - as câmaras de ar de pneus que achei que não existiam mais. E haja sorvete para ajudar a enfrentar o calor. E Casper lembra vagamente a minha cidadezinha da minha infância com o majestoso Rio Serrote cortando Duartina. E Duartina com calor - quase o ano todo - lembra o quê ? Sorvetes ! Alguns bares faziam os sorvetes eles mesmos - a Kibon não havia chegado ainda - em diversos sabores, ali na sua frente. Uma irresistível atração para adultos e principalmente crianças fominhas como eu.

Infelizmente, o mais importante, o sabor do meu sorvete favorito - de côco queimado, que era vendido no Bar Mizumoto, na versão palito ou de massa - não se recaptura mais. E pela quantidade que eu devorava de sorvetes e mais os doces vendidos nos bares da cidade, eu deveria pesar uma tonelada, mas por uma dessas aberrações da natureza, não tive problemas com a balança. Pena que agora, mesmo um pinguinho só, tem um efeito multiplicador no metabolismo...

E já que toquei nos sabores perdidos da infância, eu era um dos maiores consumidores de maria-mole (aquele coberto de côco queimado), do pudim de bar, do doce de banana - que não tinha nada de banana a não ser no formato: era de massa com creme por dentro. Um dos meus amigos na época se chamava Catim, cujos pais eram os doceiros oficiais da cidade, mas como ele sabia da minha voracidade, não deixava experimentar nem os defeitos de fabricação. Os pais do Catim faziam muitos doces japoneses que eram vendidos nos bares da cidade ao lado dos bolinhos de bacalhau, peixes fritos. E nenhum guarda morreu em Duartina consumindo os bolinhos, contrariando a fama dos tais bolinhos - pelo menos que eu saiba...

::: Relembrado por gaijin4ever 1:05 AM

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Segunda-feira, Julho 25, 2005

O VÉIO DO SACO.


Toda cidade tem os seus tipos excêntricos, seus loucos, seus excluídos... Hoje são tantos espalhados pelas ruas que já se tornaram comuns e nem chegam a chamar a atenção. E isso é uma triste constatação.
Mas vamos ao causo...
Lá pelo início dos anos sessenta, em Sorocaba, interior de São Paulo, havia uma figura estranha que perambulava pelas ruas. De idade indefinida, talvez próximo dos 50 anos, mas parecia mais... Barba grande e cabelo despenteado e irregular... Não andava maltrapilho, mas estava sempre com uma aparência suja. Não era um mendigo, não pedia esmolas... E, apesar do seu aspecto, lembro-me que estava sempre com um sorriso, exibindo os dentes amarelados que, muito longe de torna-lo simpático, o fazia ainda mais assustador.
Percorria as ruas, invariavelmente, com um bastão de madeira, como um cajado. E um saco. Quase sempre vazio.
O que ele fazia era para mim (e é até hoje) um total mistério. Era, como diria Raul Seixas, um "maluco beleza".
Para nós, crianças, era uma figura misteriosa e assustadora.
O detalhe é que os nossos pais, quando queriam limitar as nossas brincadeiras à noite na rua(*), invocavam a figura do velho.
- Cuidado crianças... Não vão longe... Olha o "véio do saco"...
Isso surtia um efeito fantástico e nós, todos com seis ou sete anos de idade, não nos afastávamos do portão. Ficávamos por ali, sentados no chão, inventando histórias de terror sobre as atrocidades do "véio", estimulando os nossos medos.
Isso só deixou de fazer efeito sobre mim quando, já com dez anos de idade, deixei de ser uma criança e me tornei um "rapaz"!


(*) Nota explicativa para os mais jovens: - Acreditem! Crianças de seis ou sete anos de idade brincavam à noite na rua. E o único perigo era o "véio do saco"... :)

::: Relembrado por Paulo 11:10 AM

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Sexta-feira, Julho 22, 2005

PELADA



Num um artigo publicado numa revista semanal um cronista afirma que os blogs são tão importantes para futuros escritores como foram os campos de várzea para grandes futebolistas. Aí meu pensamento voltou para algumas décadas atrás quando em cada rua havia pelo menos um terreno que, independente do tamanho e se era plano ou não, transformava-se em campo de futebol. A molecada ia aparecendo aos poucos e quando havia número suficiente para a formação de dois times, o jogo começava. Um detalhe, esse número nem sempre era de um time de verdade, 11 de cada lado. Às vezes eram 8 10... Não importava. Dividíamo-nos e pronto. Era necessário que todos se conhecessem bem porque não havia uniforme. Jogávamos com as roupas de brincar ou até com a roupa da escola, quando não dava tempo de ir a casa trocar de roupas, para desespero das nossas mães! Tinhamos que marcar bem as caras para não passar a bola para o adversário. A nossa bola "oficial" era a que alguém trazia e de oficial não tinha nada. Era praxe que o dono da bola fizesse parte do time e geralmente ele era o pior de todos. Sempre tínhamos que convence-lo a jogar no gol, onde ninguém queria ficar. Juiz também não era necessário e quando havia algum caso de dúvidas era briga na certa. O tempo de jogo sempre foi indefinido. Dependia da capacidade dos goleadores, porque o era combinado antes da partida, algo do tipo: Vira Cinco, Acaba Dez, ou seja, quando um time marcasse o quinto gol era intervalo e assim que acontecesse o décimo, o jogo terminava. Toda partida tinha goleada.

Mas o progresso foi chegando e os "campos" foram desaparecendo. A cidade se transformou. Não há mais lugar para uma pelada. Futebol para a molecada só nas escolas e nos clubes. E nós ficamos com a lembrança e a saudades.

::: Relembrado por Pteroálvaro 1:57 PM

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Quarta-feira, Julho 20, 2005

Lassie




Lassie, além de Rin Tin Tin, foi uma das séries preferidas na minha infância. Sobre o cão policial, aqui já escrevi. Faltava falar sobre Lassie. Talvez tenha sido uma série mais apropriada para meninas, pois a trama acontecia num ambiente familiar. Ao contrário do Rin Tin Tin que se passava num forte apache. Mas as duas séries eram bastante interessantes e envolventes. Pelo menos para a ótica de uma menina...

Os episódios mostravam como um cão collie pode ser leal, corajoso, protetor, inteligente e grande amigo. Brincalhão e divertido diziam que muitas vezes era difícil fazê-lo obedecer às ordens no 'set' de filmagem.

A popularidade de Lassie permanece por mais de 50 anos. Recentemente foi 'eleita' o animal mais popular do cinema.

Lassie era um cão collie macho, nunca foi representada por uma fêmea. A série estreou em 1954. Mostrava e relatava estórias de um cão que consegue perceber quando alguém está em perigo. E que alerta seus donos para isso ou se necessário for, ela mesmo intervém sem qualquer ajuda dos humanos.

O programa durou até 1974 e alcançou a marca aproximada de 588 episódios.

::: Relembrado por Jack 4:57 AM

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Terça-feira, Julho 19, 2005

Temas Musicais





o tema musical desse filme
me faz lembrar do Simca Chambord...


Você faz parte dos que com o seu parceiro tem aquela música que vocês elegeram como a "nossa música", aquela que solidificou a sua parceria ou o casamento? Ou então aquela música que te leva ao momento exato de uma lembrança que ficou para sempre? Acho que todos tem ou gostariam de ter algum tema musical em sua vida. Como no cinema.

Alguns temas musicais de filmes marcaram tanto que ficam na memória da gente pra sempre. Temas dos filmes como Star Wars, Psycho, Tubarão e para os mais dinossauros, o famoso tema de Tara do filme "E o Vento Levou" (Max Steiner criou um tema para cada personagem do filme, em 1939). Outros extrapolam os filmes e passam a ter vida fora das telas. Caso dos temas dos filmes de James Bond e um que aqui nos States, é o meu favorito. É a música do filme "Sete Homens e Um Destino". A música foi usada por décadas para a propaganda dos cigarros Marlboro na tevê.

Mas e os temas das salas de cinema? Pois é, tinha disso também...
Eu me lembro que os cinemas de antigamente tinham, cada um deles, uma música tema que anunciava o início de cada sessão. Estou falando dos idos dos 60, interior de São Paulo. Em Marília, os cinemas da rede Pedutti, por exemplo, iniciavam cada sessão com a música tema do filme "A Summer Place" (música também de Max Steiner, e o filme, estrelado por Troy Donahue e Sandra Dee), com a orquestra de Percy Faith - ganhou o Grammy de 1960 como o disco do ano - e em seguida rolavam os slides de propaganda das lojas da cidade, como a revendedora de carros que anunciava o Simca Chambord novinho em folha, com a música continuando a tocar no fundo. Por isso, toda vez que ouço a música, lembro-me das minhas idas ao Cine Marília e ... do Simca Chambord!

Em Duartina, no Cine São Paulo - que cerrou as suas cortinas há décadas, a coisa era mais sofisticada! Quando começava a tocar os primeiros acordes da Marcha Turca, de Mozart, a pesada cortina de veludo vermelha, começava a deslizar, se abrindo para mostrar a tela branca em que se projetava os trailers das futuras atrações.

Já nas salas de cinemas em São Paulo, não me lembro de nada parecido. Acho que chegava a hora de iniciar a sessão e pimba, começavam os trailers. Sem foreplay.

Mais músicas de filmes aqui neste site, o sabor da saudade.


::: Relembrado por gaijin4ever 12:48 AM

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Segunda-feira, Julho 18, 2005

AQUELAS MÁQUINAS MARAVILHOSAS...


Ano: 1976.
Eu tinha nessa ocasião um Karmann Ghia TC 72, amarelo manga, que ficou comigo por pouco mais de seis meses, mas tinha um charme que nenhum dos carros que tive até hoje conseguiu igualar.


Karmann Ghia TC (Não consegui uma foto do amarelo manga).


Eu gostava tanto daquele carrinho que talvez estivesse com ele até hoje, não fosse por um pequeno detalhe... Estava se desintegrando, completamente tomado pela ferrugem.
O cano de descarga, que teimava em cair a todo o momento, era preso com arame. Aliás, por mera formalidade, pois eram tantos buracos que o cano não servia mesmo para nada. O ronco se fazia ouvir há um quarteirão de distância.
Nas laterais, principalmente embaixo das portas, os buracos começavam a se emendar uns aos outros formando um grande vazio... Sem falar nas molduras dos vidros...
Foi então que, com o coração apertado, tomei uma decisão. Troquei de carro.
Dando o TC como entrada comprei um Chevette 74, cor vinho, financiado a perder de vista.


Chevette 74


Ao contrário do Karmann Ghia, que era a minha paixão, eu não morria de amores pelo Chevette, mas este estava, pelo menos, novinho. Com dois anos de idade e pouco mais de 13.000 km rodados ainda se sentia o "cheirinho" de carro novo.
E foi questão de tempo para o carrinho me conquistar. Foi o primeiro carro com o qual eu fiquei por mais de um ano. Na verdade fiquei com ele por dez anos. Tratava-o com carinho e era comum encontrar bilhetes presos no pára-brisas com ofertas pelo carro.
Não tinha o charme do Karmann Ghia, mas, para os padrões da época, ele tinha um bom espaço interno, um bom porta-malas e um motor 1.4 que tinha um rendimento razoável.
Econômico, poucas vezes precisou de oficina e nunca teve nenhum problema mais sério. Certa ocasião foi arrombado e me roubaram o toca-fitas TKR (que era ótimo). O painel ficou todo quebrado e precisou ser substituído. Quase chorei. Acho que foi a maior despesa que eu tive com o meu "chevelho".
Vendi o Chevetinho em 1986, cedendo aos insistentes apelos de um colega de trabalho, e comprei um "potente" Passat 83.
Mas isso já é uma outra história.

Fotos: http://quatrorodas.abril.com.br/classicos/grandesbrasileiros
1204_karmann.shtml e http://gmchevette.sites.uol.com.br


Paulopithecus

::: Relembrado por Jack 4:09 AM

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Quarta-feira, Julho 13, 2005

Dia do rock




Hoje é comemorado o Dia Mundial do Rock. Há de se convir (mesmo para quem não gosta), definitivamente não é uma data qualquer. Nesses 55 anos de história, o rock' n' roll, símbolo de rebeldia para os jovens, passou por diversas fases que influenciaram de maneira incisiva toda uma sociedade.

O post de hoje não poderia ser outro. Em se tratando do dia do rock. Para uma velha fã de carteirinha, nada melhor. Quando comecei a ter noção da minha própria existência, não tive escolha. Contra tudo que tocava anteriormente nas rádios, quando começaram a aparecer os pioneiros do rock, acho que estava com meus ouvidos totalmente ligados para a novidade que estava nascendo. Talvez no momento certo, na hora certa, com a pessoa certa. O rock' n' roll encontrou alma e ouvidos profícuos nesta jurássica pessoa.

Na verdade, comigo tudo começou quando ganhei um disco 45 ou 78 rotações ainda, de Chubby Checker: Let's twist again... Não de vinil, mas ainda daquele outro material quebrável que a memória não me deixa lembrar o nome... Com capa quadrada com furo no meio de papel pardo. Onde deixava à mostra o circulo central do disco, onde havia o nome cantor, nome da música, autor, etc. Presente de meu pai que anos após fazia até certas restrições aos Beatles. Mas já não pode mais me conter. Ainda me comprou vários compactos simples e duplos e alguns LP's.

::: Relembrado por Jack 5:32 AM

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Terça-feira, Julho 12, 2005
Dor de Cotovelo


Quem é que não curtiu uma dor-de-cotovelo? Não aquela que resulta da pancada no cotovelo, naquele pontinho que atinge o nervo cubital e provoca aquela dor rápida, parecida com um leve choque elétrico. Mas a dor de cotovelo que Lupicínio Rodrigues eternizou em suas músicas. E que virou um estilo de música. A música da fossa.

Nos finais da década de 50, um pouquinho antes da bossa nova surgir, Antonio Maria, Dolores Duran (na foto acima), Maysa e outros, talvez influenciados pelo existencialismo de Sartre, ou pela atmosfera artística e cultural da época no mundo todo, faziam músicas intimistas, tristes, cantando as dores do amor e o desencanto com a vida.

Eu ouvia as músicas como Ninguém me Ama, de Antonio Maria, em diversas interpretações - inclusive uma de Nat King Cole - cantarolando junto (muito mal por sinal, desde aquela época) mas era muito criança para entendê-las. Fui curtir e viver as letras dessas músicas uma década mais tarde. E curtir em doses colossais, pensava eu na época, mas claro, vendo hoje, tudo não passou de bobeiras de adolescente apaixonado com muita dor de cotovelo...

Gostava muito de Dolores Duran (1930-1959) - ela cantava em boates de Copacabana e fazia letras de músicas em parceria com os grandes compositores da época - inclusive três com Tom Jobim (Estrada do Sol, Por Causa de Você e Se é por Falta de Adeus). Era uma cardiospliscente (uma cardíaca displiscente) como eram conhecidos o pessoal do grupo que incluíam também Antonio Maria (1921-1964) e Sérgio Porto (1923-1968). Infelizmente, todos se foram antes do tempo.

::: Relembrado por gaijin4ever 1:00 AM

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Segunda-feira, Julho 11, 2005

Ziriguidum, telecoteco, borogodó, balacobaco, no bucobufo do caterefofo sem escatiripapo.


E no momento em que li o texto do Bananassauro sobre a Aizita, imediatamente lembrei-me do Sargentelli!


O velho Sargento e seu batalhão de mulatas.

Nascido na Lapa, centro da boemia carioca, Oswaldo Sargentelli era sobrinho de Lamartine Babo de quem conhecia todas as marchinhas de carnaval e hinos de clubes de futebol do Rio.
Começou no rádio no final dos anos 40 e partiu para o samba em 1969 quando abriu em Copacabana a casa de shows Sambão.
Em 1970 abriu a Sucata (Lagoa) e em 1973 o Oba-Oba (Ipanema).
"Mulatólogo" reconhecido internacionalmente, foi considerado o "reinventor" da mulata.
Nos anos em que esteve à frente da sua maravilhosa equipe de mulatas, levou seus shows aos Estados Unidos, México, Europa e diversos países da América do Sul, divulgando uma imagem alegre e bonita do Rio de Janeiro e do Brasil.
Revelou mulheres belíssimas que se tornaram famosas como Solange Couto (a Dona Jura da novela "O Clone" e, depois, a Joana de "Começar de Novo"), que foi descoberta por ele com apenas 17 anos de idade. E a linda Adele Fátima, filha de pai alemão e mãe brasileira, que ficou conhecida como a mulata do comercial das "Sardinhas 88".
Sargentelli chegou a ter quarenta mulatas trabalhando com ele na década de setenta.
Com tanto bom gosto só podia ser um botafoguense apaixonado...
Sargentelli faleceu de infarto agudo em 13/04/2002, aos 78 anos de idade.

::: Relembrado por Paulo 12:37 PM

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Sexta-feira, Julho 08, 2005


PESCARIA



Pescar era o divertimento preferido da família. Aos domingos, pelo menos uma vez por mês, a ala masculina se reunia com todos os apetrechos necessários, inclusive e mais importantes, cerveja e pinga. No dia anterior alguém se encarregava de carpir a horta a procura de minhocas para as iscas, porque naquele tempo ninguém comprava no caminho. No domingo logo cedo nos reuníamos a espera da kombi que nos levaria a Riacho Grande, paraíso dos pescadores domingueiros, a beira da represa Billings. Passávamos horas agradáveis com muito papo, bebidas e muito peixe... Mentira de pescador! Peixe era raro. Pegávamos lambaris e outros que não me recordo os nomes, todos tão pequenos que eram quase sempre devolvidos à água para crescerem mais um pouco. A pescaria valia mais pela farra e pelas horas de descontração. Quando toda a família ia junto aproveitávamos para visitar o Estoril, um parque existente até hoje também a beira dessa represa. Um lugar agradável que foi palco das disputas aquáticas dos Jogos Pan-Americanos de 1963 que aconteceu na cidade de São Paulo. Pesquisando sobre esse lugar descobri que quando a represa foi construída houve muitos protestos dos moradores locais porque algumas estradas seriam interrompidas pelas águas. Mas o protesto mais curioso foi dos poloneses residentes lá, porque a água inundaria o cemitério e eles exigiram que os mortos fossem transportados para outro local. A empresa construtora da represa acatou o pedido, mas mudaram apenas as cruzes dos túmulos. Isto significa que sob a represa Billings há pessoas enterradas. Você que, como eu bebo água de lá, sabia disso?

::: Relembrado por Pteroálvaro 7:32 PM

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Quarta-feira, Julho 06, 2005

O Brucutu




Você roubava borrifador de pára brisa do fusca para fazer anel? E para pendurar no pescoço? Sabe do que estou falando? Esta peça chamava-se brucutu. E ficava no capô dos fuscas antigos. Bem antigos.

Se você ainda tem um fusca rodando pelas ruas da sua cidade, olhe o capô. Essa peça aparentemente sem importância foi alvo de desejo de adolescentes na década de 60. Sonho de consumo mesmo. Roubavam esta pecinha. Na verdade, eu não. Mas a maioria dos adolescentes da minha época sim... Só fui saber da existência dos roubos, quando uma tia me presenteou com um anel de brucutu. Foi um sucesso... Só aí fiquei sabendo como a estória havia começado.

Fico imaginando que não devia ser coisa muito fácil. Pois esta pecinha devia ser presa por baixo do capô. Aparafusada e tal. Mas virou mania. Lembro que na época era muito difícil encontrar um fusquinha com tal equipamento. O desafio da molecada era tirar mesmo. Levar pra casa só pelo gostinho.

Andei pesquisando, mas não encontrei nenhum brucutu autêntico. Inclusive os daquele tempo eram mais arredondados. Parecia uma tartaruga bem pequena. Parece que hoje eles são de neon. Importado e coisa e tal.

::: Relembrado por Jack 4:57 AM

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Terça-feira, Julho 05, 2005
Ai, Aizita!

Quem vê as mulatas globais fazendo sucesso hoje em dia não imagina a briga que foi para as suas antecessoras ocuparem um espacinho nas telas (do cinema ou da tevê) nos idos de 50 e 60. A primeira imagem que vem é da grande Ruth de Souza. Era grande, mas deixava a desejar no quesito estético.

Por isso, foi um colírio pros meus olhos quando uma mulata de fechar o comércio, como dizia-se na época, que tinha sido Miss Renascença, se tornou a primeira miss negra do estado da Guanabara (acho que foi em 1963, mas pode ter sido 64...). E foi um choque, pois até então só loirinhas e morenas competiam aos títulos de miss, a nível estadual ou nacional. Com tantas mulatas lindas por todo o país? Falando isso hoje, não dá pra acreditar...

Naquela época, finais dos 50 e anos 60, os concursos de Miss Brasil eram muito populares. Para termos uma idéia, deveriam ter a popularidade de um Big Brother ou algo parecido de hoje em dia. Mesmo os concursos estaduais tinham cobertura ampla das redes associadas, a do Chateaubriand (a revista O Cruzeiro, rádios e tevê Tupi e os jornais da rede). E ninguém da raça negra competia!

O sucesso de Aizita abriu o caminho para outras - Vera Couto, Vera Guerreiro, entre outras. Mas depois do desaparecimento da revista O Cruzeiro, os concuros perderam a sua importância e não sei como andam de pernas hoje.

Sérgio Porto, um dos cronistas mais populares de então, que não era cego nem nada e entendia muito de mulheres, elegeu a Aizita como uma das certinhas do Lalau. Ela fez filmes -muito mal aproveitada, por sinal - e atuou em novelas da tevê, foi apresentadora na extinta Excelsior (a Globo da época) e depois na Cultura. Na minha opinião, muito melhor que a Glória Maria.

Onde e o que será que ela anda fazendo hoje em dia?

Falha minha: A Aizita foi Miss Renascença mas não chegou a ser Miss Guanabara. Mas como disse aí em cima, abriu o caminho para muitas outras. Vera Lúcia Couto, também do Renascença conseguiu o título de Miss Guanabara em 1964. Desculpe a confusão!

Na foto, Aizita contracenando com Jorge Dória no filme Como Era Boa a Nossa Empregada (1972), que tirei desse site.

::: Relembrado por gaijin4ever 1:08 AM

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Segunda-feira, Julho 04, 2005

HQ

Eu fui viciado em revistas em quadrinhos.
Toda a minha infância, desde que eu me lembro, foi permeada por heróis de todos os tipos. Dos mais populares, como Superman, Batman ou os personagens Disney, até os menos famosos.
E desse "segundo time" alguns sumiram por completo e hoje são peças de colecionador.
Títulos como Mandrake, Fantasma, Cavaleiro Negro, Nick Holmes, Pinduca, Recruta Zero tinham revistas próprias. Alguns ainda sobrevivem em tiras de jornal.
Mas eu me lembrei de um, em especial, que eu curti por muito tempo e tem muito em comum com este nosso blog jurássico - o Brucutú.


Era um homem das cavernas muito forte, valente e brigão que portava um machado de pedra, cavalgava um dinossauro e se metia nas mais diversas aventuras. Namorava a Ula, seu amigo era o Fuzi, era da tribo de Mu cujo rei era o Guz, e mais não me lembro.
Ficou muito popular nos anos sessenta, a ponto de ganhar uma música do rei da jovem guarda (RC), "Olha o Brucutú, Bru-cu-tú! Nas histórias em quadrinhos, nas revistas, nos jornais... Há um tipo curioso e divertido até demais...".
No decorrer dos anos as revistas em quadrinhos perderam ótimos personagens.
Deixaram saudades.

* Nos anos sessenta, no auge da Jovem Guarda, tornou-se moda usar um anel que era feito com uma pequena peça de metal dos carros, aquele esguichador de água que fica à frente do pára-brisa. Nome do anel - Brucutú!! (Que é o nome da peça, até hoje).

::: Relembrado por Paulo 1:34 PM

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Sábado, Julho 02, 2005

Companheiros do papel



Na época em que fiz o primário, não havia caneta esferográfica, só caneta-tinteiro. Era o máximo chegar ao 2º ano primário e começar a escrever com ela. Isso não significa que o resultado da pena correndo ou engatinhando sobre o papel fosse satisfatório. Usar a caneta-tinteiro era uma arte. Às vezes a tinta borrava todo o papel. E era aí que o famoso mata-borrão entrava em cena. Mata-borrão era o nome dado a um papel grosso e absorvente que, se colocado sobre o papel imediatamente após a escrita ter sido feita, enxugava o excesso de tinta evitando os borrões. Daí o nome: mata-borrão. Nos escritórios era preso a um suporte de madeira que acabou por levar o mesmo nome do papel.

Claro que as meninas do colégio onde estudei achavam sempre um lugar mais criativo para descarregar a tinta: o véu das freiras, quando passavam de carteira em carteira observando as lições...

A minha 1ª caneta, da marca Sheaffer, tinha o corpo e a tampa cor de vinho, com um filete dourado. Possuía dentro dela um dispositivo com uma pequena alavanca que, quando puxada para cima, já com a caneta dentro do tinteiro, conseguia sugar a tinta e estava assim pronta para ser usada de novo. O tinteiro, com a tinta que levava o mesmo nome da caneta, vinha dentro de uma caixinha de papelão, em formato de losango. Era o máximo ter uma caneta-tinteiro com o nome gravado.

Há algum tempo, andei atrás do suporte para mata-borrão (tenho um colecionador em casa) em tudo quanto foi lugar, como mercado das pulgas, lojas especializadas em coisas antigas, mas não achei o que procurava. Descobri que o mata-borrão caiu em desuso, e ninguém mais conhece essa peça. Acabei achando um exemplar numa feirinha de antiguidades aqui em Curitiba, sendo vendido como verdadeira peça de museu.

Zizi Megalodonte


::: Relembrado por Leotti 9:49 AM

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Sexta-feira, Julho 01, 2005



MADUREZA



Ao terminar o curso primário, nos finais dos anos 50, não estava muito interessado em estudar e acabei abandonando a escola. Após fazer o que se chamava curso de admissão, uma espécie de cursinho para entrar no ginásio e ser eliminado logo no primeiro exame, acabei desistindo. Fiquei longe dos estudos durante muito tempo. Fiz vários cursos paralelos que me ajudaram no trabalho. Datilografia, Inglês, Francês e outros. Até pouco tempo ainda tinha os "diplomas" de cada um deles. Enormes. O tamanho deles era inversamente proporcional à importância do curso. Todavia não foram inúteis de tudo. Mas com o passar do tempo comecei sentir necessidade de voltar a estudar. O primeiro passo foi assistir pela TV Cultura o programa "Curso de Madureza Ginasial" em 1969. Comprava as apostilas no jornaleiro e acompanhava as aulas pela TV. Porem, não confiante, deixei de prestar os exames no final do curso, mas resolvi abandonar os programas televisivos e me matriculei no curso mais conhecido na época. O Curso de Madureza Santa Inês, que mais tarde seriam os Cursos Supletivos. A escola ficava num prédio no centro de São Paulo, mais exatamente na Praça Carlos Gomes. Oito andares lotados de pessoas que como eu havia fugido da escola. Fiz uma economia de anos, gastando dois semestres para o ginásio e três para o colegial. O Santa Inês foi a primeira escola a explorar os cursos de madureza e as aulas eram ótimas, em ritmo de cursinho. Os professores usavam músicas e todo tipo de encenação para passar a matéria. Afinal tínhamos 12 meses para aprender o que num curso normal levaria quatro anos. Nunca mais esqueci as preposições (a, ante, após, até, com, contra, de, desde...) com o prof. Antonio Carlos Brugnaro regendo o coral de alunos. As matérias eram eliminadas individualmente em provas oficiais ministradas pela Secretaria da Educação. Durante dois anos e meio estive no Santa Inês. Voltei a gostar de estudar. De lá fui para o Objetivo e após seis meses de cursinho estava na Faculdade. Hoje em dia os cursos supletivos não são tão procurados. Nem sei se o Santa Inês ainda existe.


::: Relembrado por Pteroálvaro 10:11 AM

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