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"Se rugas têm de ser escritas na testa, não permita que se inscrevam no coração. O espírito jamais deve envelhecer" James Abram Garfield

Quarta-feira, Junho 29, 2005

Casinha




Além de brincar de boneca, eu e as meninas do meu tempo, brincávamos muito também de casinha. Onde até os meninos podiam participar. Eu disse 'podiam'. Se a gente assim o consentisse. Naquela época, as famílias-modelo eram completas. Pai, mãe e filhos. E o papel de pais e filhos até podia enfim ser atuados pelos meninos.

Mas como meros coadjuvantes. Pois quem desempenhava quase todas as funções éramos nós. As meninas quase 'super-poderosas'... Lavávamos, passávamos, varríamos, cozinhávamos, costurávamos, tomávamos conta de nossos filhos e filhas (as bonecas)...

Só não tínhamos a 'estrutura' das meninas de hoje. A coisa era um pouco mais improvisada. Já tínhamos fogãozinho, panelinha (ambos ainda de metal), móveis, vassourinhas. Tive até uma máquina de costura cor de rosa. Pedíamos às nossas mães para nos dar arroz, feijão, lentilha (mesmo crus) para a comidinha dos nossos 'filhos'. E a imaginação funcionava. Muito...

Nunca fui preparada para ser dona de casa. Pelo contrário. Minha mãe e avó trabalharam fora. Queria ser professora. Mas a vida me levou a prestar concurso e fui bancária por quase 27 anos. Bem, um pouquinho de dona de casa ainda sou... Isso a gente não perde nunca.

::: Relembrado por Jack 6:52 AM

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Terça-feira, Junho 28, 2005
Hair



Menos de um ano após a assinatura do AI-5 que viria produzir cassação de senadores, deputados, prefeitos e prisões e torturas de todos os tipos de adversários do regime militar, estreava em São Paulo, 1969, a peça teatral Hair, que estava fazendo sucesso enorme em Nova Iorque. Acho que Altair Lima (1936-2002), que produziu a peça na primeira versão brasileira conseguiu essa proeza porque a máquina da censura não estava organizada ainda. Tive a felicidade de ver Hair no Teatro Aquarius (na Rui Barbosa com a Conselheiro Carrão no Bixiga e que depois se transformou no Teatro Zaccaro) artistas em início de carreira como Antonio Fagundes, Nuno Leal Maia, Sonia Braga, Bibi Vogel - dona de um dos rostos mais lindos e mais fotografados da década de 60 - e mais um bocado de gente. E quase todos, numa breve cena de nudez.

Para um musical da Broadway, Hair foi ousada e revolucionária. Era uma peça construída em torno de um conceito do que propriamente numa trama. Foi a primeira peça que utilizou rock e muitas delas se tornaram sucessos de parada - acho que a mais famosa foi a versão do Fifth Dimmension do Aquarius, um hino à harmonia e à paz. Hair foi muito controverso, retratando a diferença das gerações, os jovens se rebelando contra os valores dos seus pais, contra a poluição, racismo e a Guerra no Vietnã. Retratou enfim a experiência de uma geração que viveu tudo isso, com seus pontos positivos e negativos.

A direção foi de Ademar Guerra (1933-1993) que tinha feito o ótimo Marat-Sade e depois, um monte de coisas bonitas para o teatro brasileiro.


::: Relembrado por gaijin4ever 12:58 AM

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Segunda-feira, Junho 27, 2005

O TOBOGÃ.


Final dos anos sessenta... São Conrado.
Que eu me lembre só existiam dois tobogãs no Rio de Janeiro nessa época - São Conrado e Lagoa.
Em São Conrado havia um grande parque cuja principal atração era o tobogã. Novidade trazida não sei de onde e que se tornou, rapidamente, ponto de encontro dos jovens de todas as idades nos finais de semana.
Era uma estrutura toda metálica com pistas de descida alternando vermelho e branco (não tenho certeza das cores).
Confesso que na primeira vez que eu me deparei com aquele escorregador gigante senti um calafrio. O danado era grande. Calculo uns dez metros de altura... Parecia mais olhando-se lá do alto.
Subíamos por uma escadinha lateral e lá em cima sentávamos em sacos de estopa. Depois, escolhida a pista, era só escorregar.
Entre os que desciam na frente e os seguintes era dado um intervalo, suficiente para não haver choques no percurso. Mas havia!
Alguns eram mais lentos para levantar no final da descida, ou desciam muito devagar (existiam alguns macetes para reduzir ou aumentar a velocidade) e acabavam sendo alcançados pelos que desciam depois. Era um festival de "vídeo-cassetadas" e, às vezes, alguns hematomas.
Festival também de inovações nas descidas. Cada um queria ser mais original que o outro e desciam sentados (os medrosos como eu), deitados de costas, deitados de peito, ajoelhados... Até em pé, como surfistas de tapete, alguns tentavam. Não me lembro de nenhum que tivesse conseguido.
No final da noite, exaustos, doloridos e sujos da parafina que passavam nos sacos de estopa, voltávamos para casa só com o dinheiro da passagem no bolso. Até que o próximo final de semana nos reunisse por lá novamente.
Hoje só temos algo parecido nos parques aquáticos. Os tobogãs infláveis nem passam perto.

::: Relembrado por Paulo 1:05 AM

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Domingo, Junho 26, 2005



REC



Aposto que você, jurássico como eu, já teve um e andava pra todo lado com ele. Pequeno, mas não tão pequeno como os atuais e nos proporcionava horas de diversão, só ouvindo as músicas gravadas nas fitas cassetes ou brincando de gravar. Certa vez eu e meus primos montamos uma verdadeira estação de rádio, com locutores, cantores, músicos e até jingles de propaganda. Infelizmente a fita se perdeu no tempo ou foi usada para novas gravações. Não tínhamos muito dinheiro para simplesmente guardá-la e comprar novas. As fitas eram reutilizadas até começarem apresentar problemas. Também por economia gravávamos músicas diretas do rádio. Lembro que eu encostava o microfone no alto falante e mantinha o dedo no botão "REC", e torcia para que durante a gravação não passasse um avião ou qualquer outro barulho que poderia por todo o trabalho a perder. O resultado nunca era tão bom, pois o ruído do "liga-desliga" também era gravado, mas nos gabávamos de ter em casa, pra ouvir a qualquer hora, o último sucesso nas paradas. O meu gravador era da marca Philips e, talvez pensando no nosso trabalho para gravar, logo foi lançado um aparelho "receiver" com entradas para toca-disco e gravador. As gravações melhoraram e o microfone foi dispensado, mas os programadores para tentar evitar a pirataria colocavam no meio da música o nome da emissora. Eu tinha várias músicas com o "joooovempaaaaaaan" cantando junto com o interprete. Os discos de vinil foram quase que totalmente substituídos pelas fitas que também tiveram vida curta com a chegada dos CDs. E os gravadores foram acoplados aos novos aparelhos de som, duplos quando as fitas ainda eram muito usadas. Acredito que a tendência seja desaparecerem. Mas o que eu faço com as mais de cinqüenta fitas que ainda guardo, algumas ainda com o "ploc-ploc" do botão?


(Excepcionalmente, por problemas pessoais, estou publicando meu texto no domingo)

::: Relembrado por Pteroálvaro 1:32 PM

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Sábado, Junho 25, 2005

A Calça Rancheira



Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada... Lembram do jingle? Hoje fiquei me perguntando quando foi que o jeans surgiu na minha vida. Na verdade, ele apareceu lá em casa quando eu tinha meus 15 anos, trazido por minha irmã mais velha, que já trabalhava. Era importado, e portanto bastante caro, feito de tecido azul escuro, com uma trama rústica e dura, e só se usando e lavando muito se conseguiria amaciá-lo. Na cintura, na parte de trás, possuía uma etiqueta em couro, que sempre caracterizou a originalidade da peça. Era a tradicional calça rancheira, ou calça Lee. Não se falava em jeans.

A indústria nacional rapidamente se encarregou de confeccionar modelos absolutamente iguais aos estrangeiros. Aos poucos, foram surgindo modelagens adaptadas ao perfil brasileiro, a calça com corte feminino, de cintura mais fina, mas com tecido ainda bastante duro. Depois surgiu o tecido lavado a pedra (cheguei a comprar uma dessas calças e realmente veio com uma pedrinha no bolso). Esses, já muito mais macios e confortáveis, agradaram aos brasileiros e com certeza vieram para ficar.

Mas por quê o nome "jeans"? Pesquisando no livro "História de las cosas" (de Pancrácio Celdan), encontrei a seguinte informação: muito antes das calças rancheiras existirem, foi inventado, na cidade de Gênova, Itália, chamada de Genes pelos franceses, um tecido de algodão bastante resistente, parecido com a sarja. Era usado para confeccionar roupas para marinheiros e trabalhadores do campo. A partir do nome Genes, logo viria o jeans, em seguida usado para denominar as calças rancheiras.

As marcas famosas vieram, e após Levi Strauss o mundo nunca mais foi o mesmo. Hoje o jeans é peça básica em qualquer guarda-roupa, e aceito em quase todas as ocasiões. Você compra uma peça básica e pode deixá-la com a sua cara, fazendo o que os estilistas chamam de customizar. Somente me aborrece o fato de as etiquetas famosas cobrarem tão caro por seus produtos e só fabricarem peças para quem tem o corpo da Giselle Bündchen...

Zizi Megalodonte


::: Relembrado por Leotti 2:13 PM

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Quarta-feira, Junho 22, 2005

Bonecas




Acho que fui uma criança privilegiada. Na minha época as meninas não tinham muitas bonecas. Mas minha avó me presenteava todo santo Natal com uma. Meu primeiro boneco foi um bebê de vinil que chamei de Marcelo. Lindo! Até acho que já falei isso aqui quando contei que eu as batizava.

Para desespero da minha mãe eu gostava de dormir com minhas bonecas. Todas elas. Na minha cama, lógico! Enfileirava-as ao meu lado. E quando minha mãe vinha me cobrir, tinha que nos cobrir a todas. Sem exceção. E eu ficava espremida numa ponta da cama. Tinha noites que eu tinha que negociar com minha mãe. Pois às vezes ela tentava tirar alguma delas. Ou eu não poderia me mexer. Senão eu ou uma delas cairia da cama.

Bons tempos aqueles. A nossa imaginação tinha asas. A gente brincava muito com bonecas que nada faziam. Pois hoje em dia elas falam, dançam, cantam, choram, andam, patinam, andam de bicicleta, fazem de tudo. Algumas crianças são realmente meras espectadoras. A gente tinha que botar a cabecinha pra funcionar. E em nosso sonho infantil elas faziam tudo isso sem sequer se mexer.

::: Relembrado por Jack 6:44 AM

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Segunda-feira, Junho 20, 2005

Yesterday, (Ontem,)
Love was such an easy game to play (O amor era como um jogo fácil de ser jogado)
Now I need a place to hide away (Agora eu preciso de um lugar para me esconder)
Oh! I believe in yesterday (Oh! Eu acredito no dia de ontem).


MÚSICA ANTIGA.


Se eu disser aqui que adoro música antiga acho que não surpreenderei ninguém.
Na verdade eu acho que não existe música antiga. E isso não é conversa fiada para "vender meu peixe".
Eu acredito que existe a boa música e a música ruim. E o tempo, nesse caso, não tem nenhuma influência.
Uma boa música, composta há séculos, continuará sendo boa hoje e sempre.
Um bom exemplo são os clássicos.
Vivaldi, Beethoven, Mozart... A música desses gênios é imortal.

Da mesma forma, um clássico da música popular (nacional ou não), será um clássico eternamente.
Vejamos alguns versos:
"A porta do barraco era sem trinco, mas a lua, furando nosso zinco, salpicava de estrelas nosso chão" (Orestes Barbosa/Silvio Caldas);

Ou: "Queixo-me às rosas... Mas que bobagem, as rosas não falam. Simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti" (Cartola);

Ou: "Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço. A Bahia já me deu régua e compasso" (Gilberto Gil);

Ou: "Fui abrindo a porta devagar, mas deixei a luz entrar primeiro" (Roberto Carlos);

Ou: "Vou te contar, os olhos já não podem ver, coisas que só o coração pode entender... Fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho" (Tom Jobim);

Ou: "Quando a luz dos olhos meus e a luz dos olhos teus resolvem se encontrar... Ai, que bom que isso é, meu Deus... Que frio que me dá o encontro desse olhar" (Vinícius de Moraes).

E estou me limitando somente às nacionais.
Enfim, poderíamos ficar enfileirando aqui inúmeros exemplos de boas músicas, de pura poesia, mas o espaço é limitado.
Tenho certeza que vocês se lembrarão de outras.

::: Relembrado por Paulo 1:26 AM

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Sábado, Junho 18, 2005

Vozes do Passado



Há algum tempo recebi um e-mail que me emocionou. Trazia a tradução de uma música, feita de uma forma muito particular. A princípio, não reconheci o dono daquela voz. Mas, segundo Adélia Prado, "Aquilo que a memória amou fica eterno". Sendo assim, ao ouvir o arquivo mais algumas vezes, identifiquei o estilo único, como sendo o de Hélio Ribeiro.

Hélio Ribeiro foi um dos grandes nomes do rádio em seu tempo. Trabalhou na Rádio Bandeirantes, Piratininga, Tupi e Globo/CBN - S.Paulo entre outras. Tinha um programa diário chamado O Poder Da Mensagem, onde tecia seus comentários com muita personalidade. O seu programa era ouvido pela moça do Karmann-Ghia vermelho.......Sabe quem ? Sabe quem ?

"Inventor" da versão livre para o português de músicas em línguas estrangeiras, costumava dizer: "... o Rádio é a maior oportunidade perdida de melhorar o mundo !!!!"

Hélio Ribeiro faleceu em outubro de 2000, desiludido com os rumos que o rádio brasileiro tomou. Conseguiu criar frases que encerravam em si coisas simples mas muito verdadeiras. Uma delas, cito a seguir: "Porque me atribuem tantos números de identificação se já nem estou conseguindo ser um simples um???" ou então esta: "Sabe o que a gente pode esperar do nada? Tudo."

Logo após o seu falecimento, amigos e admiradores resolveram criar o Memorial Helio Ribeiro, de onde vieram muitas das informações aqui citadas. Se alguém se interessar, as mensagens e traduções mencionadas podem ser baixadas do Memorial.

Ah, que gostosa a época dos bons programas de rádio, e como nos faziam companhia!

Zizi Megalodonte


::: Relembrado por Leotti 2:31 PM

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Sexta-feira, Junho 17, 2005

Programa Infantil




Há alguns dias atrás, quando a Ilza comentou sobre o Mug, eu estava justamente pesquisando sobre outro boneco que também foi famoso na TV. Um ratinho muito simpático que aparecia toda semana ao lado do humorista Agildo Ribeiro. Quem lembra do Topo Gigio? Era um boneco manipulado, criado pela italiana Maria Perego. Na Itália contracenava com Gina Lollobrigida e ficou internacionalmente conhecido, chegando a participar do famoso Ed Sullivan Show. Aqui no Brasil ele aparecia com Agildo dentro do programa Mister Show, em 1969. Com o fim deste, em 70, ele reapareceu ao lado de Regina Duarte com uma proposta mais educacional, onde orientava as crianças a escovar os dentes e lavar a orelha entre outras coisas. Seu jargão "me dá um beijinho de boa noite" pedido no final de cada episódio era ansiosamente aguardado.
A televisão sempre soube explorar esses acontecimentos. Bonecos e revistas Topo Gigio eram o sonho da criançada. Todo mundo queria ter aquele ratinho simpático em casa.


Ainda na linha da educação, com a mesma proposta de Topo Gigio, a TV brasileira importou dos Estados Unidos o programa Vila Sesamo, que foi apresentado no seu primeiro ano pela TV Cultura e nos anos seguintes pela Rede Globo. No elenco, entre outros, Aracy Balabaniam, Armando Bogus, Sonia Braga, em seu primeiro papel na TV, e Laerte Morrone que fazia o Garibaldo, uma ave azul enorme que estava sempre querendo aprender alguma coisa. Três bonecos completavam a turma: Gugu, Enio e Beto. Apesar de ser um programa infantil ele era gravado com a presença de um censor para evitar que a realidade brasileira da época (ditadura militar) fosse passada ao público.
Esses foram dois bons programas infantis da década de 70. Uma pena hoje não termos nada parecido. Os de agora deveriam ser proibidos para menores!


CRÉDITO DAS FOTOS:
VILA SESAMO
TOPO GIGIO



::: Relembrado por Pteroálvaro 3:53 PM

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Quarta-feira, Junho 15, 2005

O Fusca




Minha avó materna faleceu 40 dias antes de completar 96 anos. Lúcida. Meu bisavô, viúvo muito cedo, a criou e mais um casal de irmãos mais velhos, com ajuda de governanta. Meu avô com certeza também a mimou. Foram casados por mais de 65 anos. Ele faleceu primeiro.

Em 1963 cismou que meu avô tinha que comprar um carro. Queria porque queria e pronto. Ele, coitado, cedeu a seu capricho. Como sempre o fez. Comprou um fusca azul zerinho, zerinho. Tinha bancos claros, pneu faixa branca. E para se ouvir a buzina, apertava-se numa barra de metal numa direção também branca. Alguém aí mais se lembra disso? A cor era um pouco mais clara que o da ilustração.

Só que antes de poder dirigir o fusquinha, a maratona da carta de motorista. Logo demonstrou na prática que aquilo não iria dar certo. Que ele não havia nascido pra coisa. Mas como ela pediu, ele atendeu... Era inseguro, suava frio, mas passou no exame. Ia devagarzinho, fazia o melhor possível. Mas não o suficiente. Quando a pessoa não leva jeito pra coisa... É sempre difícil.

Um dia ele foi fazer uma conversão à esquerda. Em uma ponte que atravessa um canal aqui em Santos. Nada demais, pessoas aguardavam para atravessar. Ele fez a curva tão aberta, mas tão aberta, que acabou subindo na calçada. As pessoas tiveram que se afastar para que ele não passasse com as rodas do carro em seus pés. Desse dia em diante, ele simplesmente largou. Deixou a chave em cima de um móvel. Disse que nunca mais iria dirigir. Nunca mais o fez.

::: Relembrado por Jack 6:01 AM

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Terça-feira, Junho 14, 2005
A estética do lixo

No anos 60, ao mesmo tempo em que o cinema novo brasileiro, surgido da influência do neo-realismo, abordava os problemas sociais e políticos de forma alegórica, surgia em São Paulo a sua contra partida, os filmes rústicos, populares e de produção independente.

E nesse balaio tinha de tudo. Vocês poderiam se deliciar ou ficarem arrepiados de medo (ou nojo) com os filmes de "horror terceiro mundo" de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, que escrevia, dirigia e era o protagonista principal de seus filmes.

Uma outra ala se especializou em comédias pornográficas light. As pornochanchadas. E tinha de ser light pois estávamos vivendo anos de censura. Pois não é que as revistas para adultos durante essa época não podiam mostrar as partes "íntimas"?

Grande parte da produção desse movimento saía da região de São Paulo conhecida como Boca do Lixo. A boca ficava ali numa área decadente que incluía a Rua do Triunfo, a Rua Vitória, a Rua Aurora. Os cinemas "decadentes" desse pedaço (como o Cine Aurora) mostravam filmes e shows de strip-tease, 24 horas por dia.

Quem soube aproveitar bem esse filão foi David Cardoso, o representante mor do macho brasileiro da época. Entre as estrelas e musas da pornochanchada e dos filmes de "faroeste feijoada" as minhas prediletas eram Helena Ramos, Aldine Muller, Claudete Joubert.

O rival de David Cardoso no trono de macho brasileiro era Tony Vieira, um ex-trapezista de circo que fazia par romântico com Claudete Joubert em seus filmes.

E durante anos esses filmes tiveram um público fiel - os pequenos funcionários, os mecânicos, os office-boys e estudantes (ou vagabundos) como eu. E vendo isso hoje, admiro a coragem e peito desses empreendedores, produzindo filmes sem ajuda do governo. Durante uma boa parte da ditadura, foi promovida a substituição dos importados pela produção nacional e valia também pro cinema. Assim, o governo instituiu a obrigatoriedade de exibição de uma certa porcentagem de filmes de produção brasileira e havia criado a Embrafilmes, para financiar a produção nacional, mas investia principalmente nos filmes culturais ou intelectuais.

Esses filmes da "boca do lixo" eram dirigidos aos proletários, mas sem estarem engajados politicamente e nem tampouco fazendo a apologia do regime. Se equilibraram como puderam durante o regime militar...

Mais pornochanchada aqui.


Aldine Muller, uma das rainhas do cinema da década de 70.

::: Relembrado por gaijin4ever 1:02 AM

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Segunda-feira, Junho 13, 2005

OS JINGLES


Eu costumo dizer que somos movidos à música. E isso é um fato.
Senão, vejamos... Você já experimentou ver um filme sem som? O que seria dos filmes de suspense sem aquela musiquinha de fundo dando o "clima"?
E os comerciais? Você consegue se lembrar de um bom comercial antigo sem música?
É a música que nos marca.
Como o nosso blog não tem fundo musical, vou propor uma brincadeira... Vou relacionar abaixo vários comerciais que fizeram sucesso nos tempos pré-históricos da TV e do rádio e vocês tentam se lembrar da música, ok?
__________

Toc Toc Toc...
Quem bate?
É o Frio...
Não adianta bater, eu não deixo você entrar. As Casas Pernambucanas é que vão aquecer o meu lar. Vou comprar flanelas, lãs e cobertores... Eu vou comprar nas Casas Pernambucanas e nem vou sentir o inverno passar.
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Já é hora de dormir... Não espere a mamãe mandar. Um bom sono pra você e um alegre despertar.
(Cobertores Parahyba)
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Se a lâmpada queimar, não adianta estrilar, nem bater o pé. O que resolve é ter logo à mão lâmpadas GE. Se você acende a lâmpada GE, nota a diferença - é lâmpada GE. Quem avisa, amigo é... Tenha sempre em casa lâmpadas GE.
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Nescau tem gosto de festa, dá mais vontade de brincar. Nescau dá força e alegria, dá mais desejo de estudar... O novo Nescau é instantâneo e se prepara sem bater. Nescau é vitaminado para a criança fortalecer. Nescau-Nescau-Nescau... Parará Tim Bum.
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Cre Cremo Cremo Cremogema... É a coisa mais gostosa desse mundo. Eu esqueço a boneca... Eu esqueço a minha bola... Quando tomo tomo tomo tomo tomo tomo Cre Cremo Cremo Cremogema tem um gosto que a gente gosta muito. A mamãe agora só vai comprar pra gente Cre Cremo Cremo Cremo Cremo Cremo Cremo Cremogema!
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Dance à vontade... Pule à vontade... Pise sem dó. Ai ai... É cera Dominó... É cera Dominó...
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Melhoral, Melhoral... É melhor e não faz mal.
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Alka Seltzer existe apenas um. E como Alka Seltzer não pode haver nenhum.

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Finalmente o meu favorito. O comercial de Natal da Varig!

Estrela brasileira no céu azul, iluminando de norte a sul. Imagem de amor e paz... Nasceu Jesus... Chegou o Natal. Papai Noel voando a jato pelo céu, trazendo um Natal de felicidade e um Ano Novo cheio de prosperidade! Varig Varig Varig (Cruzeiro Cruzeiro)...
__________

Se você não lembrou nenhuma, visite o SINTONIA e divirta-se. (É necessário o Real Player para ouvir as vinhetas).
Se você lembrou de algumas, parabéns! Sua memória é boa.
Mas se você lembrou de todas... Karaka!! Você é velho mesmo!

::: Relembrado por Paulo 12:18 AM

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Sábado, Junho 11, 2005

Você teve um Mug?



Passei a semana inteira com o Mug na minha cabeça. Acho que ele estava pedindo atenção, então... resolvi escrever sobre ele, sem ter certeza de que alguém aqui no Playground já o tinha feito.

O MUG era um boneco todo rechonchudo, redondo feito uma bola, dividido esteticamente em duas partes: a de cima, onde ficavam os olhos, nariz, boca e braços e a de baixo, feita de tecido xadrez. Não tinha pernas e os pés saíam diretamente da sua base arredondada. Cabelos, mãos e pés eram feitos de feltro preto. Descrevendo desta forma, quem não o conheceu deve estar pensando; que coisinha mais linda... E o pior é que não era, gente! Mesmo assim fez o maior sucesso, porque diziam que a criatura trazia sorte.

Ele existia em tamanhos pequeno, médio e grande. O pequeno era vendido como chaveiro. Como qualquer um deles custava muito caro, minha prendada mãezinha confeccionou com perfeição alguns deles para satisfazer a mim e minhas irmãs.

Garimpando na Internet, descobri no site, de Anísio Campos, uma foto da simpática criatura, que dizem ter sido lançada nos tempos da Jovem Guarda, por um publicitário que vislumbrou o sucesso que o boneco faria. E fez mesmo, acreditem!

Zizi Megalodonte

::: Relembrado por Leotti 10:02 AM

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Sexta-feira, Junho 10, 2005

FESTA JUNINA




O mês de junho sempre foi muito aguardado lá em casa, não só pela criançada, mas também pelos adultos. Nesse mês, exatamente no dia 28, toda a família se reunia para festejarmos o dia de São Pedro. A festa era feita na véspera e era uma verdadeira Festa Junina, com direito a fogueira, (durante algum tempo juntávamos todo tipo de madeira para queimar nesse dia), fogos, balões (naquele tempo podia), muita pipoca, batata doce assada nas brasas, quentão e muita brincadeira. Morávamos na Mooca, numa casa com um quintal bem grande, onde meu pai, logo cedo montava a fogueira para ser acesa só no inicio da noite. Um dos dias mais longos da minha infância porque essa hora demorava o dobro do tempo pra chegar tanta a vontade de acendê-la. Tenho muita saudade dessas reuniões. Eu ganhava um pacotão de fogos do meu pai. Vulcões, umas espirais que prendia na parede e ficavam girando alucinadamente, uns bastões que soltavam bolas de várias cores. Enfim, coisas que não se vêem mais hoje. Lembro de ficar ansioso esperando meu pai chegar com o pacote de maravilhas, mas lembro também dele não deixar mexer e tudo era guardado até o dia da festa. As crianças só tinham direito aos fogos menos perigosos. Aquelas bombinhas fininhas, fósforo de cor e estrelinhas. Para os adultos, os morteiros e os rojões. Apesar de tantas coisas para comer, não estava interessado nisso. Essa festa era mais para os olhos que para o estômago. Os balões que soltávamos eram os mais bonitos e em diversos formatos. Caixa, almofadas, mexerica, pião e eram enormes, sempre alguém tinha que se empoleirar no topo de uma escada para segurar a ponta enquanto ele enchia. Todos eles eram feito pelo tio Dante, o baloeiro (essa palavra ainda não era usada) da família. Certa vez ele veio com uma novidade. Após muitos testes ele conseguiu inventar uma engenhoca com arames e barbante, amarrados a um desses fogos que soltam bolas coloridas e preso na boca do balão. Alguns minutos após a subida o pavio acendia o bastão e era mais um espetáculo para nós assistirmos. É! Ele inventou na década de 50, o que todos os baloeiros usam hoje só que não patenteou.

Esse tipo de comemoração, muito popular naquele tempo, hoje não acontece mais, pelo menos nas grandes cidades. As festas de hoje aqui em São Paulo se resumem a quermesses em igrejas e escolas. Os balões são proibidos, pois provocam incêndios. A cidade cresceu e não tem mais espaço para essa tradição.

::: Relembrado por Pteroálvaro 9:54 AM

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Quinta-feira, Junho 09, 2005
- DISCO'70 -

Na segunda metade da década de 70, em qualquer baile que se prezasse a música que tocava era... discoteque. Até eu, que não tinha hábito de assistir novelas, lembro de ver a Sonia Braga dançando em meio a luzes, com o globo girando, girando, girando lá no teto. Nas festinhas, sabíamos todos os passos, imitávamos as danças de Village People, tínhamos a trilha sonora de Dancin'Days, dançávamos todos os "hits" de uhu-uhu, com passos de John Travolta, nos pés das meninas as meias listradas.

Nossa maior frustração era que poucos conheciam uma discoteque por dentro... Olhávamos com inveja a turma dos "velhos", na faixa dos 14 anos, que já podiam entrar em matinês. Esses, contavam todas as vantagens possíveis e impossíveis. Para nós, todos abaixo dos 10 anos, só restava esperar que um dia algum amigo fizesse uma festa.

Sempre fui paciente, e finalmente meu dia de discoteque chegou, no aniversário de uma amiga de escola primária. Ela chamou toda a classe, e quase todo mundo foi... inesquecível a sensação de minha primeira vez em uma pista de dança!!! Tudo bem, sempre fui péssima dançarina, mas eu não ligava, dançava o que sabia. Foi uma noite ótima, com direito a parabéns para a minha amiga, mas o ponto máximo foi quando o discotecário fez um concurso de dança, onde premiaria um menino e uma menina. Para minha surpresa, ganhei um compacto dos Bee Gees, até hoje não sei se dancei tão bem assim ou o rapaz que morreu de pena...

O mais divertido é que até pouco tempo esse compacto dos Bee Gees ainda existia. Sempre gostei de guardar tranqueiras, não tem jeito. Um dia, minha filha mais velha, perguntou que CD era aquele.

- Não é um CD, é um compacto- respondi.
- Ah, e o que é um compacto???
- É um LP pequenininho.
- Ah, e o que é um LP????

(por essas e outras que já sou baby dinossaura...)

::: Relembrado por Lu Farias 1:18 PM

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Quarta-feira, Junho 08, 2005

Excursão




Há muito, mas muito tempo atrás mesmo, era um senhor acontecimento a classe toda sair em excursão. Sentíamos uma liberdade que não estávamos acostumados àquela época. Lugares diferentes para nós que morávamos aqui no litoral. Eram sempre aguardados com ansiedade por todos.

O roteiro pouco mudava. Na verdade era quase sempre o mesmo. Mas era um alvoroço saber que iríamos excursionar na cidade grande. Normalmente São Paulo. Nada se comparava a euforia de passar um dia inteirinho fora de casa e da escola. Como éramos ingênuos. Aquilo era tão pouco, mas nos fazia sentir o máximo.

Era quase sempre o mesmo passeio: Jardim Zoológico, Planetário, Instituto Butantã, Museu do Ipiranga, Parque do Ibirapuera, Horto Florestal, Parque da Água Branca, Jardim Botânico, Pinacoteca do Estado, Igreja de São Bento, etc.

Pior era que meus pais não gostavam que eu fosse. Como uma criança e adolescente muito presa, precisava às vezes levar uma amiga em casa para convencê-los. Uma vez até choramos em conjunto para convencer minha mãe. Hoje em dia a juventude tem muito mais liberdade...

::: Relembrado por Jack 6:29 AM

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Segunda-feira, Junho 06, 2005

OS FORTÕES DA MATINÊ.


Muito antes do "Conan" de Schwarzenegger outros "marombados" já atraíam a garotada para os cinemas.
As matinês de final de semana, no início dos anos sessenta, eram disputadas no pequeno cinema do largo do Líder, em Sorocaba. E quando o filme era sobre o grande Hércules as filas eram certas.
Vários atores interpretaram nas telas o papel do herói, mas o maior de todos, aquele que marcou a minha memória, foi Steve Reeves.


Steve Reeves em HÉRCULES

Sylvester Stallone, Lou Ferrigno e o próprio Arnold Schwarzenegger já revelaram que Steve os inspirou em suas carreiras.
Steve Reeves foi Mister Universo em 1950 e fez vários filmes em sua breve carreira cinematográfica.
Naquela época os filmes desse gênero eram produzidos em curtos espaços de tempo e sem muitas preocupações com a qualidade. Reeves chegou a estrelar cinco produções em 1959.
Hércules (58) e Hércules e a Rainha de Lidia (59) ambos com Sylva Koscina co-estrelando; Os Últimos Dias de Pompéia (59); Golias e os Bárbaros (59); Duelo de Titãs (a história de Rômulo e Remo) (61), foram alguns dos filmes em que brilhou.
Seu último trabalho foi um western em 1967.
Curiosidade: Reeves foi convidado para o primeiro papel de James Bond em "O Satânico Dr. No" (1962) e recusou.
Steve Reeves retirou-se da vida artística no final dos anos sessenta e comprou um rancho na Califórnia onde foi viver com Aline, a sua segunda mulher.


Em 1996.

Faleceu em 01/05/2000, aos 74 anos.

(Informações e fotos DAQUI).

::: Relembrado por Paulo 1:04 AM

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