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"Se rugas têm de ser escritas na testa, não permita que se inscrevam no coração. O espírito jamais deve envelhecer" James Abram Garfield Sábado, Outubro 31, 2009 James West no WWW ::Se estiver sem dentadura: ![]() Alguns compositores têm o dom de transpor para suas letras momentos do cotidiano com uma clareza tamanha, que fica muito fácil para qualquer um se identificar com aquelas palavras. O Chico Buarque, por exemplo, tem uma música exatamente com esse título – Cotidiano (1971) – que é incrível. Tem também uma outra composição sua menos conhecida, que acho muito legal, do disco Ópera do Malandro (1979), chamada Doze Anos. Essa música é o tema do meu post de hoje. Doze Anos (Chico Buarque) (clique para ouvir na Rádio UOL) Ai, que saudades que eu tenho Dos meus doze anos Que saudade ingrata Dar banda por aí Fazendo grandes planos E chutando lata Trocando figurinha Matando passarinho Colecionando minhoca Jogando muito botão Rodopiando pião Fazendo troca-troca Ai, que saudades que eu tenho Duma travessura O futebol de rua Sair pulando muro Olhando fechadura E vendo mulher nua Comendo fruta no pé Chupando picolé Pé-de-moleque, paçoca E, disputando troféu Guerra de pipa no céu Concurso de piPoca(*) (*)Na letra original não é concurso de “pipoca”. O Chico trocou uma letrinha nessa versão mais light, mas quem quiser pode ver e ouvir um trecho da peça Ópera do Malandro com a letra original aqui mesmo. Essa letra do Chico fala da infância de qualquer moleque dos anos cinquenta ou sessenta. A começar pelo diálogo entre ele e Moreira da Silva, logo no início da gravação, que aborda o “teste da farinha”. Pura sacanagem, mas quem tem menos de 40 anos de idade provavelmente nem sabe do que se trata. Vejamos os pontos comuns entre a minha infância e a canção: - Eu também fiz muitos planos, grandes e pequenos. - Eu chutei lata e vivia com o dedão arrebentado. - Trocar figurinhas era habitual. Eu tinha centenas de repetidas para esse fim. - Matar passarinho... Uma das minhas recordações mais dolorosas é a de quando vi no chão o passarinho que matei com uma espingardinha de pressão. Primeiro e único. Dali em diante a espingarda só foi usada para tiro ao alvo com setinhas. Com o estilingue eu era péssimo e não acertava nada, apesar de treinar muito em lagartixas e calangos com a minha munição de bolotas de mamona. - Nunca colecionei minhoca, nem conheci alguém que colecionasse... Exceto o Bolinha, da Luluzinha, que tinha uma caixa cheia, lembram? - Jogar botão era um dos meus passatempos prediletos numa determinada época. Tinha botões de todos os tipos e tamanhos. Era uma coisa meio bagunçada, mas era legal. - Rodar pião já era uma coisa mais elaborada. Eu tinha piões de diferentes cores e formatos, para diferentes finalidades. Os “batatinhas” eram para brincar, rodar na mão, na unha... Os maiores, de ponta afiada no esmeril, eram para as disputas de tirar da roda ou rachar o pião do adversário. - “Fazendo troca-troca”... A descoberta do sexo e da própria sexualidade. Foi nessa época. - Travessuras... Fiz muitas, mas nenhuma muito séria. - Futebol de rua... Joguei também, apesar de ser um perna-de-pau. Minha turminha era mais privilegiada, tínhamos um campinho de terra. - Pular muro era comum. Tínhamos vários atalhos passando por quintais vizinhos. - “Olhando fechadura e vendo mulher nua”... Hummm... A empregada do meu amigo de infância, João O., foi muito observada em seus banhos. Detalhe: ela sabia e colaborava! ;) - “Comendo fruta no pé”... Uma das minhas mais deliciosas lembranças de infância, sem dúvida, é essa. - “Chupando picolé... Pé de moleque, paçoca”... Saudades dos picolés de milho verde e creme holandês... - “Guerra de pipa no céu”... Por incrível que pareça, na minha época em Sorocaba não havia muita guerra, apesar de muita pipa. Havia uma coexistência pacífica nos ares. - “Concurso de pi_oca”... Na realidade, fazíamos concurso de tudo naquela época, qualquer coisa era pretexto. De cuspe à distância, de arroto mais alto, de peido... E esse citado na música era somente mais um. Mas nunca ganhei troféu. Nos meus doze anos eu estava cursando o ginasial em Sorocaba e dois anos depois viria para o Rio de Janeiro. Guardo muitas saudades desse tempo. Grande Chico, obrigado. ::: Relembrado por Paulo 11:20 PM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: Segunda-feira, Outubro 19, 2009 A TV que te viu![]() Estava eu zanzando pela Internet, quando me deparei com um site que me fez sentir o gosto de Mentex na boca, misturado com um copo de Crush geladinho, arrematado com um punhado de biscoitos salgadinho Piraquê. Querem saber o que me provocou todas estas "madeleines"? O site Mofolândia.
O nome é meio esquisitão, mas o conteúdo... Se você tem mais de 40 anos, se você é do tempo em que se colocava bombril na ponta da antena para melhorar a imagem, em algum momento você vai fazer "hummmmm...", quando explorar o site. Agora imagina o rapaz aqui, declaradamente admirador de antigos seriados e desenhos (não sei se vocês já repararam...), se deparando com fotos e curiosidades de séries como: "Aventuras Submarinas" (vou confessar uma coisa a vocês: quando eu via este seriado queria ser o "Mike Nelson" quando crescesse. Cheguei a pedir para a minha mãe me matricular num curso de mergulhador), "Agente Fantasma" (meus vizinhos sofriam com aquele moleque "ninja" que vivia trepando nos muros, aparecendo subitamente na frente deles...a gente faz cada merda quando é criança, não é?),
"Guerra, Sombra e Água Fresca" (Quem se lembra do capitão nazista gritando, irado: "Hogaaaaaan!"), "Brasinhas do espaço" (este era um desenho. Lembram do "Escoteiro", "Sábio", "Xereta", "Jenny" e o cão "Estrelinha"?), "Carangos e Motocas" (Outro desenho. Willie contra a Turma do Chapa. E o bordão: "Eu te disse, não disse? Eu te disse, eu te disse..."). * Pois lá tem tudo isso e muito mais!
Lá, fiquei sabendo de informações absolutamente úteis para a minha vida. Vocês estão rindo? Como é que eu nunca pude perceber o que a "Endora" (mãe da "Samantha", a Feiticeira), a "Wilma Flintstone" e a "Maureen Robinson" (a mãe da família do "Perdidos no Espaço") tem em comum? Vocês sabem?
A dubladora. Todas foram dubladas por Helena Samara. Depois que eu li a entrevista dela no site, onde ela revelou os personagens que dublou, passei mentalmente as vozes deles na minha mente e vi que era óbvio. Só eu não tinha percebido. * Ah! O site também tem uma coisa que eu adoro. Trívia. Ou Quiz, se quiserem. Das 20 perguntas que tem lá, só acertei oito. Meio fraco, né? Vai lá e vê se você faz um escore maior e depois me conta. * Acreditem: o site merece uma visita prolongada. Depois que eu saí dele, desliguei o computador, e várias musiquinhas daquela época começaram a tocar nos alto-falantes da minha mente. E eu passei o resto da tarde cantarolando coisas como:
"Capitão América lança seu escuuuuuudo..." PteroMarco ::: Relembrado por Jack 8:58 AM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: Segunda-feira, Outubro 12, 2009 Lembranças infantis![]() Lembro do muro no qual ficava na infância, brincando com a garotada do prédio vizinho. Lembro dos tombos e dos machucados de joelho que minha mãe colocava mercúrio-cromo. Lembro das broncas da minha mãe. Lembro de anáguas e combinações que pinicavam. Lembro da vizinha fofoqueira. Lembro de catar conchinhas na praia. Lembro de sentarmos nos bancos da praia para secarmos o bumbum para não molhar o estofamento do carro. Lembro do sorvete Kibon que era vendido em carrocinhas. Lembro de que quando tinha dor de garganta, mamãe pincelava minha garganta com Colubiazol. E não era spray ainda não! Lembro de quando essa garganta estava inflamada, nada de sorvete, só pirulito. Que eram colocados ao redor da beirada dessa mesma carrocinha da Kibon. Alguém mais se lembra disso? Lembro da amarelinha, da cabra cega, do esconde-esconde, da queimada e do passa anel. Lembro das imagens do caleidoscópio. Que coisa linda! Visão pré-psicodélica! Lembro de brincar de escolinha na escadaria do apartamento sobreposto. Lembro que por causa disso, queria ser professora. Lembro da primeira edição televisiva do Sítio do Pica Pau Amarelo. Lembro que viajar para São Paulo era quase uma aventura. E parecia muito mais longe do que na verdade é. Lembro das pecinhas de madeira que fazíamos castelos medievais. Lembro do Lig-Lig e dos Pinos Mágicos. Lembro do meu macaquinho de pelúcia (pois é, o meu não era um ursinho). Lembro do Conga azul que usava para ir à escola. Lembro dos chicletes cor de rosa que tinham um aroma delicioso. Mas não era ainda o Ping-Pong. Ainda não, pois acho que sou mais velha do que eles. Lembro das sessões de cinema matinais onde minha mãe me levava para ver Tom & Jerry. Lembro também da bruxa horrorosa do filme Cinderela da Disney. Lembro de comprar drop’s Dulcora quando ia ao cinema (hortelã, tutti-fruti ou aniz). Lembro de meu cachorro Pingo, que minha mãe mandou embora porque comeu as roupas do varal. Lembro da minha vitrola Sonata. A minha era vermelha. Da casa da minha avó era igualzinha, só que verde. Lembro dos disquinhos coloridos de estórias, da minha irmã. Lembro das brigas de criança e que a gente corria pra saia da mãe. Lembro da saia rodada xadrez da professora do Jardim da infância. Lembro da horta e da gruta que tínhamos dentro da escola. Lembro do anfiteatro que encenávamos as peças e na qual nos formamos no curso primário. Lembro da freirinha que era nossa diretora. Lembro da saia azul marinho plissada da escola, que foi substituída pela cinza sem pregas. Lembro de dobrá-las na cintura, para que ficassem mais curtas. Lembro das meias 3/4 brancas. Que quando começavam a perder o elástico, davam um trabalho danado para mantê-las abaixo do joelho. Lembro do uniforme de educação física que tinha um ridículo calção vermelho por baixo da curta sainha branca plissada. Lembro que íamos à escola com blusas de tergal brancas, com o distintivo da escola colado no bolso. Lembro do aventalzinho xadrez branco e rosa do Jardim da Infância. Lembro das medalhas que usavam os três primeiros colocados da classe. Lembro das lições e do caderno de caligrafia. Lembro de ter que decorar poesias para apresentações no pátio da escola. Já tinha então muita dificuldade para isso. Lembro do sapato preto de amarrar, quase masculino que usávamos no Primário. Lembro de ouvir rádio que funcionavam ainda a energia elétrica. Lembro das garrafas de refrigerantes de vidro com tampinhas. Lembro do guaraná caçula e da Coca-cola família. Lembro dos vestidos-tubinho. Lembro das fitas e arcos que usávamos nos cabelos. Lembro da touca que fazia todos os dias por ter cabelos crespos. Lembro dos shorts sociais que usávamos com bota até os joelhos. Lembro dos conjuntos de Banlon e Bouclé que usávamos com saias ou calças compridas. Feliz dia das crianças! Lembranças tão vivas na minha memória, que às vezes acho que ainda sou uma... Jurassic Jack ::: Relembrado por Jack 8:00 AM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: Terça-feira, Outubro 06, 2009 A Era Dourada dos Seriados e Gibis ::Se estiver sem dentadura: |
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