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"Se rugas têm de ser escritas na testa, não permita que se inscrevam no coração. O espírito jamais deve envelhecer" James Abram Garfield

Segunda-feira, Setembro 29, 2008

Show de Radio e Radio Camanducaia



Domingo é dia de macarronada e futebol. O meu São Paulo bateu o Cruzeiro numa partida muito importante e parece que resolveu acordar. Será que ainda vai dar pra chegar lá? Como dizem os grandes filósofos do esporte bretão, o futebol é uma caixinha de surpresas e tudo pode acontecer.

Fui um sampaulino que ia muito ao Morumbi para ajudar o meu tricolor a conseguir os inúmeros títulos nos idos dos anos 60 a 80. E quando não podia ir ao estádio ouvia jogos pelo rádio. Quando o time perdia eu não ficava triste pedindo a cabeça do técnico, reclamando dos jogadores ou pedindo contratações. Muito pelo contrário. Independente do meu São Paulo perder ou ganhar, ria e ria muito. A razão disso era o Show de Radio.

Sorry periferia, como diria Ibrahim, mas esse fenômeno era uma coisa paulista. O Show de Radio fazia parte das transmissões esportivas da Jovem Pan. No intervalo dos jogos, a gente tinha uma pequena amostra do show mais longo e mais completo que seria apresentado depois que a transmissão do jogo, as entrevistas e os comentários terminavam. Eu carregava o meu radinho de pilha para não perder nenhum lance, mas gostoso mesmo era sair rápido do estádio para ficar ouvindo o show dentro do carro na lenta volta pra casa.

O show era comandado pelo também sampaulino, e dos mais fanáticos, Estevam Bourroul Sangirardi (1923-1994), com a ajuda de Eduardo Leporace (no início) depois Nelson Tatá Alexandre, Carlos Roberto Escova, Serginho Leite, Odayr Baptista e outros.

As figuras constantes do show eram o esnobe Lord Didu Morumbi (Sangirardi), podre de rico e o seu fiel mordomo Arquibaldo, corintiano, que anunciava ao milorde, as muitas visitas à mansão; os palmeirenses eram representados pelo Comendador Fumagali e pela Noninha, que tinham um cachorro chamado Vardemá Fiume; os corintianos eram o Joca e sua esposa Nega, com o guia espiritual Pai Jaú; o Zé das Docas e o Lança Chamas era santistas e o casal Manoel e Maria eram torcedores da Portuguesa.

Um dos melhores quadros desse show era uma emissora, a Rádio Difusora de Camanducaia, criada pelo Odayr Baptista, transmitindo diretamente do Largo da Matriz, “falando para a cidade e cochichando para o interior” na voz empostada do locutor Alberto Junior. As transmissões de futebol dessa rádio ficavam a cargo de Alberto Neto (o mesmo Odayr) que fazia uma imitação impagável do Fiori Giglioti e que muitas vezes era enviado para um estádio vazio por engano . As entrevistas com jogadores como Rivelino, o técnico José Poy me faziam morrer de rir. Nem as personalidades políticas e artísticas escapavam dessa grande equipe.

O Odayr criou também a Rádio Jegue que transmitia diretamente de Icó, no Ceará. Eu só não gostava quando ele fazia o locutor japonês da Rádio Cotia, mas o que fazer, agradava aos não japoneses....

Apesar das gozações do Odayr Baptista com a gente, eu já era ouvinte de carteirinha do programa que ele tinha lançado quando ele ainda estava na Radio Bandeirantes, o Arquivo Musical, uma seleção de músicas dos anos 40, 50 e 60, que me obrigava a levantar cedinho aos domingos . Depois do programa, voltava a dormir...

Vim pros Estados Unidos e claro, nunca mais ouvi o Show de Rádio. Hoje em dia, parece que existem os herdeiros desse show pioneiro, que fazem humor misturado com o futebol nas novas emissoras que pipocaram pelo país desde então. Aqui não tem nada parecido.


Foto tirada do site do Milton Neves, o Muzamba.
Mais Radio Camanducaia, aqui.



::: Relembrado por gaijin4ever 3:40 AM

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Segunda-feira, Setembro 22, 2008

O PRIMEIRO A GENTE NUNCA ESQUECE


Esse é o slogan do fantástico comercial da W/Brasil, para a Valisère, que foi ao ar em 1987 e acabou caindo no gosto popular. É também o título de um livro que o publicitário Washington Olivetto lançou recentemente.
Do comercial, provavelmente, muitos se lembrarão... É um filminho de um minuto e meio que mostra a menina, seios pequenos e sem sutiã sob a blusa, no vestiário da escola, olhando envergonhada e com uma pontinha de inveja para as amiguinhas que já estavam... hã... anatomicamente mais desenvolvidas. Chegando em casa amuada, ela encontra sobre a cama do seu quarto a caixinha contendo aquele que seria o seu primeiro sutiã. A câmara mostra então a mudança de atitude da menina se sentindo mulher. E termina com o slogan – O PRIMEIRO VALISÈRE A GENTE NUNCA ESQUECE.



E a frase acabou pegando - O primeiro, ou A primeira, a gente nunca esquece.
Geralmente quando se pede a uma pessoa que relembre um fato passado relacionado a essa frase, ou seja, aquela primeira situação que se tornou inesquecível, quase sempre recebe de volta um olhar maroto. Mas além das memórias de cunho sexual, há várias outras situações em que essa frase se encaixa como uma luva.
Aí me ocorreu a idéia... Vou propor aqui um post interativo!! Contando, é claro, com a colaboração dos nossos fiéis leitores.
Eu conto alguns casos de “primeira vez que nunca esqueci” e vocês relatam as suas experiências, combinado?
Por incrível que pareça o meu primeiro beijo eu esqueci... Foi numa daquelas brincadeiras de “pêra, uva ou maçã”, isso eu lembro, mas quem foi a escolhida não sei mais.
Mas lembro da minha primeira paixão de infância, totalmente platônica, e isso eu já contei aqui.
A primeira nota vermelha na escola, em matemática, e as conseqüências desastrosas para a minha coleção de gibis, também nunca esqueci.
A primeira vez que viajei sem meus pais, numa excursão com a escola e aprontei muito... Memorável!
O primeiro dia que eu dirigi sozinho o carro do meu pai... Andei quilômetros com o freio de mão puxado e quase queimei as lonas de freios.
O primeiro filho que eu vi nascer, depois que a minha irmã subornou um enfermeiro para me deixar entrar na sala de parto. Inesquecível!
O primeiro (e único, graças a Deus!) assalto à mão armada a gente também nunca esquece... Ah, mas antes que vocês tirem conclusões precipitadas, foi em Recife e não aqui no Rio.
E, claro, aquela primeira vez eu nunca vou esquecer... Só não posso contar aqui.
Agora é com vocês. O espaço para comentários está à disposição.

::: Relembrado por Paulo 8:32 PM

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Domingo, Setembro 14, 2008
Música

“Eu sou o Marinheiro Popeye!”



Quem é que não ouviu essa frase numa musiquinha de um certo desenho animado?
Durante muito tempo, em meu tempo de garoto, esse era o meu desenho animado preferido. Passava em preto e branco, aos domingos, às 11 horas, pela TV Tupi do Rio. Era o primeiro programa do domingo (naquela época não havia programação nas 24 horas; antes de começar a transmitir os programas aparecia, na Tupi, uma imagem com a cara de um indiozinho, como essa aí ao lado).

Eu gostava tanto do Popeye que uma vez deu problema com meus tios super católicos. Eu estava passando uns dias na casa deles e domingo era dia de assistir à missa das dez. A missa acabava às 11 horas e até eu chegar em casa perderia os desenhos do Popeye. Um dia me rebelei e disse que não iria à igreja de jeito nenhum porque eu precisava ver o Popeye. Meus tios diziam que “eu precisava era de Jesus Cristo”. Mas Jesus não comia espinafre e saía dando bordoadas no Brutus
... Resultado: meus tios me fizeram voltar para a minha casa. Que visse Popeye lá.
Esse marinheiro caolho foi xodó de muita gente, bem antes de ser meu herói favorito do desenho animado. Seu nome em inglês significa “olho estourado” (Pop=estourado; eye=olho), justamente porque ele originalmente era caolho mesmo. Depois passou a ser representado com um olho fechado e ele só arregalava os dois quando a Olívia Palito estava em perigo, gritando “Socorro Popeye!”, com aquela voz de “veludo” que ela tem.
Popeye foi responsável pelo aumento de 30% no consumo de espinafre, entre as crianças nos EUA. Como se sabe, a petizada não é chegada a folhas... Mas os pais vinham com aquela conversa: “Come, filho, para ficar forte que nem o Popeye!”. E os inocentes caíam feito patinhos...
Uma vez, um amigo meu jogou essa conversa fiada para a filha. Ela adorava ver o desenho do Popeye. E, para ficar forte que nem ele, topou comer espinafre. A mãe fez e colocou no prato dela, mas a menina era esperta:
“Não, mãe, assim não! Eu quero comer direto da lata!”

Popeye foi, durante muito tempo, o símbolo-mascote do Flamengo. É que o time amado é um pouco como ele: depois da adversidade, encontra forças para resistir e dá a volta por cima. Foi o Henfil que trouxe o Urubu como novo símbolo do Mengão.
Atualmente, os desenhos do Popeye passam dublados pelo grande Orlando Drummond (para quem não associa o nome à figura, o “Seu Peru”, da Escolinha do Professor Raimundo). Mas no meu tempo passava na TV com o som original. E eu queria tanto saber o que ele cantava naquela musiquinha no final dos desenhos...
Hoje eu sei que a letra diz assim: I'm Popeye the sailorman/I'm Popeye the sailorman/I'm strong to the finish/Cause I eats my spinach/I'm Popeye the sailorman”. (em português: “Eu sou marinheiro Popeye/Eu sou marinheiro Popeye, sou forte afinal/Porque como meu espinafre/Eu sou marinheiro Popeye” pu-púú!)
Para quem quiser ver o primeiro episódio de Popeye (inclusive com participação especial da Betty Boop), exatamente como eu via no meu tempo de garoto, na TV Tupi, é só clicar abaixo.



PteroMarco

::: Relembrado por Jack 10:48 AM

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Segunda-feira, Setembro 08, 2008

O telex





Como vocês já estão carecas de saber, trabalhei muitos anos em banco. Mais precisamente no setor de telex. De 1977 a 1989, acho. Antigamente, imprescindível. As coisas progrediam com menos agilidade. Depois acabou ficando totalmente ultrapassado com a chegada do “sistema on-line” para crédito em conta corrente. Este, muito mais rápido, ágil e sem intermediário.

No caixa o cliente ou o usuário resolvia tudo. E lá bem longe, o parente ou amigo já podia até sacar o dinheirinho... Fácil assim. Como num passe de mágica, como costumavam dizer. Antes do on-line, usava-se ordem de pagamento para o envio de dinheiro. O progresso acabou por fazer a extinção deste dinossauro, precursor da internet, talvez. O caixa autenticava a ordem de pagamento no caixa, e a gente a transmitia via telex no meu setor. Havia também outras mensagens que o banco precisava que fossem enviadas por telex. Talvez o precursor do fax.

Eu, pessoalmente, adorava! E sempre existia a possibilidade de se falar com alguém do outro lado do mundo, então... Simplesmente fascinante! Tínhamos nossa rede interna. Uma máquina ligada no chamado ponto-a-ponto. Que o banco pedia inclusive, para darmos preferência no uso. Por não pagarmos conta para a Embratel. Esta rede era privativa do banco. E existia nas principais cidades do país e do mundo, onde tínhamos agência.

E em épocas de menos serviço, a gente sempre dava um jeitinho de perguntar alguma coisa para quem estava do outro lado da linha. Se a mensagem tinha sido bem recebida... Tal e coisa, coisa e tal. Acabávamos perguntando sobre o tempo. Sempre banalidades. Papo vem, papo vai, acabávamos quase sempre arrumando algum correspondente.

Talvez já antecipávamos o significado que teria a internet em nossas vidas. E como é sempre bom fazer amigos...

Jurassic Jack

::: Relembrado por Jack 8:03 AM

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Terça-feira, Setembro 02, 2008

As vantagens de ser velho



Tem algumas coisas como vinho e queijo que ficam melhores com o tempo. Por exemplo, nós, os velhos dinossauros! Tá certo que de vez em quando a memória dá uma falhadinha, como essa semana, em que quase deixo de marcar o ponto aqui no Playground...

Ficamos melhores, mais experientes etc etc, mas será que há outras vantagens em ser um jurássico? Dei uma pesquisadinha rápida com a ajuda do google e cheguei à definitiva conclusão que vale a pena envelhecer. Enquanto pensava nisso e quebrando a cabeça tentando traduzir uma lista do the advantages of being old, resolvi abrir meu email e descobri surpreso que uma amiga tinha me enviado, a lista que eu estava começando a escrever. Em português, já traduzido!

Por esse motivo, acho que muita gente já deve ter visto essa mesma lista. Fiz algumas pequenas modificações, mas acho que a lista pode crescer e peço aos poucos leitores fiéis do playground para colaborar nesse projeto. Sem mais delongas, segue a lista das principais vantagens de ser velho:

1. Os seqüestradores não tem interesse num velhinho como você.
2. De um grupo de reféns, provavelmente será um dos primeiros a ser libertado.
3. As pessoas lhe telefonam às nove da noite e perguntam: 'te acordei?'
4. Ninguém mais o considera hipocondríaco.
5. As coisas que você comprar agora, não chegarão a ficar velhas.
6. Você pode fazer o que der na telha contanto que tenha um banheiro por perto.
7. Você pode viver sem sexo, mas não sem os óculos.
8. Você curte ouvir histórias das cirurgias dos outros.
9. Você discute apaixonadamente sobre planos de aposentadoria.
10. Você dá uma festa e os vizinhos nem percebem.
11. Você deixa de pensar nos limites de velocidade como um desafio.
12. Você pára de tentar manter a barriga encolhida, não importa quem entre na sala.
13. Você cantarola junto com a música do elevador.
14. A sua visão não vai piorar muito mais.
15. O seu investimento em planos de saúde finalmente começa a valer a pena.
16. As suas juntas são mais confiáveis do que o serviço de meteorologia.
17. Seus segredos passam a estar bem guardados com seus amigos, porque eles os esquecem.
18. 'Uma noite e tanto' significa que você não teve que se levantar para fazer xixi.
19. Sua mulher diz 'vamos subir e fazer amor', e você responde: 'escolha uma coisa ou outra, não vou conseguir fazer as duas!'.
20. As rugas somem do seu rosto quando você está sem sutiã.
21. Você não quer nem saber onde sua mulher vai, contanto que não tenha que ir junto.
22. Você é avisado para ir devagar pelo médico e não pelo policial.
23. 'Que sorte!' significa que você encontrou seu carro no estacionamento.
24. Fingir que não escuta direito e fazer o seu interlocutor gritar, tentando explicar como está o tempo lá fora e rir por dentro, vendo a reação dos outros.
25. Você não é obrigado a lembrar de coisa alguma.


foto tirada daqui.

::: Relembrado por gaijin4ever 5:14 AM

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