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Seqüência dos Dinos ::primeira semana:: ::segunda semana:: ::terceira semana:: ::quarta semana:: ![]()
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"Se rugas têm de ser escritas na testa, não permita que se inscrevam no coração. O espírito jamais deve envelhecer" James Abram Garfield Máquina do tempo (antigo)No meu tempo de criança era comum cada casa ter uma máquina de costura. Na minha tinha. Era uma Pfaff, que minha mãe ganhara de presente no tempo de Dom Manuel Charuto. Ela estava montada, como todas as máquinas de costura da época, em um gabinete de madeira e ferro fundido, onde havia uma plataforma que movimentava o mecanismo. Só que minha mãe mandou atrelar um motor elétrico que era acionado por um pedal, como uma espécie de acelerador de carro. Mas a maior parte das máquinas de costura da minha época era acionada por aquelas plataformas, movidas pelos pés das costureiras. Elas faziam a máquina trabalhar pressionando essa plataforma que subia e descia, como uma gangorra, movimentando um eixo que punha a geringonça para funcionar. Era isso que justificava os gabinetes das máquinas de costura parecerem pequenos teares do tempo do Onça. De vez em quando, a gente tinha que lubrificar os mecanismos com óleo Singer, também chamado de “óleo de máquina” (o avô do WD-40). Quando não se estava utilizando a máquina, ela podia ser acondicionada dentro do móvel, que se transformava uma pequena mesa (veja a foto). O gabinete da máquina de costura de minha mãe tinha várias gavetinhas, para guardar almofada com alfinetes, agulhas, carretéis, retroses, pequenos retalhos, coisas de costureira. Minha mãe não gostava que eu fuçasse por ali, mas eu adorava descobrir lugares secretos, pequenos esconderijos e aquele gabinete era um prato cheio. Ali ficavam minhas figurinhas do álbum Copa do Mundo, do Ídolos da TV e do Rádio, estampas do chiclete Ping-Pong, tampinhas de refrigerante, palitos premiados de picolé, meu anel da Caveira igual ao do Fantasma e outras miudezas de moleque. Nos dias de chuva, aquele móvel magicamente se transformava em nave espacial, ou diligência do Velho Oeste sempre perseguida por índios traiçoeiros (como fomos envenenados pelo cinema americano! Durante muito tempo achei que os brancos eram heróis e os índios os bandidos, a encarnação do Mal!), ou no meu batmóvel, ou mesmo no cockpit de um carro de corridas. O pedal do motor era o próprio acelerador do meu bólido!
Para quem conhece as tiras do Calvin, saiba que eu fui um pouco parecido com ele. Não que tivesse um amigo tigre imaginário. Mas tinha a mesma capacidade de viajar na maionese que nem o pequeno guri dos quadrinhos. Sonhava de olhos abertos. Antes de meu irmão nascer (sou seis anos mais velho que ele), ou mesmo antes dele poder me acompanhar nas minhas loucuras, eu às vezes brincava sozinho em minha casa, na maior agitação. Só deixando a imaginação fluir, transformando qualquer coisa em portal para a fantasia. E aquele gabinete de máquina de costura me transportava para uma outra dimensão, onde só crianças e quem tem a mente sonhadora podem ter acesso. Ah... Quantas horas eu passei, enfurnado debaixo da máquina de costura de minha mãe! Quando mudamos da casa em que cresci para um apartamento no Centro do Rio, minha mãe teve que se desfazer daquele móvel. Retirou a máquina, o motor e o resto ficou para trás. Na época eu já estava até fazendo faculdade, quer dizer, desde muito já não brincava naquela geringonça que tanta alegria me dera. As crianças sedentárias de hoje, com seus computadores e videogames podem se divertir bastante. Mas não viajam para os confins da galáxia, ou pelas pradarias do Texas, ou por Gotham City como eu viajava nas asas e engrenagens do velho gabinete da máquina de costura de minha mãe. PteroMarco ::: Relembrado por Jack 7:13 AM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: Semana das crianças![]() Tenho tido problemas em me lembrar de algo para escrever aqui. Sou a última remanescente dos pioneiros dinossauros que iniciaram este blog. Parece que já escrevi sobre tudo que o tio Zezé deixou. O famoso Alzheimer! Nada melhor do que recordar coisas do meu tempo de criança. É, eu sei: já se vai muito longe! Talvez por isso mesmo a dificuldade, enfim... Mas às vezes me pergunto se as coisas estão boas hoje ou eram melhores no meu tempo. Aliás, odeio esta expressão: meu tempo. Estou viva, com muita saúde e meu tempo ainda é aqui e agora. Mas existem coisas que realmente mudaram bastante através dos anos. Exemplos de brincadeiras: amarelinha (ilustração), ciranda-cirandinha, uma-na-mula, passa anel, lenço atrás, vivo-morto, esconde-esconde, corre cotia, roda-pião, ioiô, carrinho de rolemã, bilboquê, bambolê, bolinha de gude, saquinhos de arroz, estátua, dança das cadeiras, pular corda, blocos de madeira (aqueles que a gente construía castelos), cabo de guerra, reizinho (o seu rei mandou!), telefone sem fio, queimada (nos pátios internos dos edifícios e casas) e o futebol dos meninos (literalmente no meio da rua...). Foram as que consegui lembrar. Os meninos tendem a dizer que gostavam de brincar de médico. Meninas também brincavam! Além de casinha, escolinha e feirinha dentre outras. O tempo dirá daqui pra frente (espero), se as crianças de hoje serão mais felizes do que a gente foi. Não se ouvia falar em tendinite, obesidade infantil, criança hiper ativa, vídeo-game, joystick, etc. Feliz semana a todas as crianças que passam por aqui! ![]() Jurassic Jack ::: Relembrado por Jack 12:22 PM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: Segunda-feira, Setembro 29, 2008 Show de Radio e Radio Camanducaia ::Se estiver sem dentadura: Segunda-feira, Setembro 22, 2008 Esse é o slogan do fantástico comercial da W/Brasil, para a Valisère, que foi ao ar em 1987 e acabou caindo no gosto popular. É também o título de um livro que o publicitário Washington Olivetto lançou recentemente. Do comercial, provavelmente, muitos se lembrarão... É um filminho de um minuto e meio que mostra a menina, seios pequenos e sem sutiã sob a blusa, no vestiário da escola, olhando envergonhada e com uma pontinha de inveja para as amiguinhas que já estavam... hã... anatomicamente mais desenvolvidas. Chegando em casa amuada, ela encontra sobre a cama do seu quarto a caixinha contendo aquele que seria o seu primeiro sutiã. A câmara mostra então a mudança de atitude da menina se sentindo mulher. E termina com o slogan – O PRIMEIRO VALISÈRE A GENTE NUNCA ESQUECE. E a frase acabou pegando - O primeiro, ou A primeira, a gente nunca esquece. Geralmente quando se pede a uma pessoa que relembre um fato passado relacionado a essa frase, ou seja, aquela primeira situação que se tornou inesquecível, quase sempre recebe de volta um olhar maroto. Mas além das memórias de cunho sexual, há várias outras situações em que essa frase se encaixa como uma luva. Aí me ocorreu a idéia... Vou propor aqui um post interativo!! Contando, é claro, com a colaboração dos nossos fiéis leitores.
Eu conto alguns casos de “primeira vez que nunca esqueci” e vocês relatam as suas experiências, combinado? Por incrível que pareça o meu primeiro beijo eu esqueci... Foi numa daquelas brincadeiras de “pêra, uva ou maçã”, isso eu lembro, mas quem foi a escolhida não sei mais. Mas lembro da minha primeira paixão de infância, totalmente platônica, e isso eu já contei aqui. A primeira nota vermelha na escola, em matemática, e as conseqüências desastrosas para a minha coleção de gibis, também nunca esqueci. A primeira vez que viajei sem meus pais, numa excursão com a escola e aprontei muito... Memorável! O primeiro dia que eu dirigi sozinho o carro do meu pai... Andei quilômetros com o freio de mão puxado e quase queimei as lonas de freios. O primeiro filho que eu vi nascer, depois que a minha irmã subornou um enfermeiro para me deixar entrar na sala de parto. Inesquecível! O primeiro (e único, graças a Deus!) assalto à mão armada a gente também nunca esquece... Ah, mas antes que vocês tirem conclusões precipitadas, foi em Recife e não aqui no Rio. E, claro, aquela primeira vez eu nunca vou esquecer... Só não posso contar aqui. Agora é com vocês. O espaço para comentários está à disposição. ::: Relembrado por Paulo 8:32 PM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: Domingo, Setembro 14, 2008 “Eu sou o Marinheiro Popeye!”![]() Quem é que não ouviu essa frase numa musiquinha de um certo desenho animado? Durante muito tempo, em meu tempo de garoto, esse era o meu desenho animado preferido. Passava em preto e branco, aos domingos, às 11 horas, pela TV Tupi do Rio. Era o primeiro programa do domingo (naquela época não havia programação nas 24 horas; antes de começar a transmitir os programas aparecia, na Tupi, uma imagem com a cara de um indiozinho, como essa aí ao lado).
Eu gostava tanto do Popeye que uma vez deu problema com meus tios super católicos. Eu estava passando uns dias na casa deles e domingo era dia de assistir à missa das dez. A missa acabava às 11 horas e até eu chegar em casa perderia os desenhos do Popeye. Um dia me rebelei e disse que não iria à igreja de jeito nenhum porque eu precisava ver o Popeye. Meus tios diziam que “eu precisava era de Jesus Cristo”. Mas Jesus não comia espinafre e saía dando bordoadas no Brutus ... Resultado: meus tios me fizeram voltar para a minha casa. Que visse Popeye lá. Esse marinheiro caolho foi xodó de muita gente, bem antes de ser meu herói favorito do desenho animado. Seu nome em inglês significa “olho estourado” (Pop=estourado; eye=olho), justamente porque ele originalmente era caolho mesmo. Depois passou a ser representado com um olho fechado e ele só arregalava os dois quando a Olívia Palito estava em perigo, gritando “Socorro Popeye!”, com aquela voz de “veludo” que ela tem. Popeye foi responsável pelo aumento de 30% no consumo de espinafre, entre as crianças nos EUA. Como se sabe, a petizada não é chegada a folhas... Mas os pais vinham com aquela conversa: “Come, filho, para ficar forte que nem o Popeye!”. E os inocentes caíam feito patinhos... Uma vez, um amigo meu jogou essa conversa fiada para a filha. Ela adorava ver o desenho do Popeye. E, para ficar forte que nem ele, topou comer espinafre. A mãe fez e colocou no prato dela, mas a menina era esperta: “Não, mãe, assim não! Eu quero comer direto da lata!”
Popeye foi, durante muito tempo, o símbolo-mascote do Flamengo. É que o time amado é um pouco como ele: depois da adversidade, encontra forças para resistir e dá a volta por cima. Foi o Henfil que trouxe o Urubu como novo símbolo do Mengão. Atualmente, os desenhos do Popeye passam dublados pelo grande Orlando Drummond (para quem não associa o nome à figura, o “Seu Peru”, da Escolinha do Professor Raimundo). Mas no meu tempo passava na TV com o som original. E eu queria tanto saber o que ele cantava naquela musiquinha no final dos desenhos... Hoje eu sei que a letra diz assim: I'm Popeye the sailorman/I'm Popeye the sailorman/I'm strong to the finish/Cause I eats my spinach/I'm Popeye the sailorman”. (em português: “Eu sou marinheiro Popeye/Eu sou marinheiro Popeye, sou forte afinal/Porque como meu espinafre/Eu sou marinheiro Popeye” pu-púú!) Para quem quiser ver o primeiro episódio de Popeye (inclusive com participação especial da Betty Boop), exatamente como eu via no meu tempo de garoto, na TV Tupi, é só clicar abaixo. PteroMarco ::: Relembrado por Jack 10:48 AM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: Segunda-feira, Setembro 08, 2008 O telex![]() Como vocês já estão carecas de saber, trabalhei muitos anos em banco. Mais precisamente no setor de telex. De 1977 a 1989, acho. Antigamente, imprescindível. As coisas progrediam com menos agilidade. Depois acabou ficando totalmente ultrapassado com a chegada do “sistema on-line” para crédito em conta corrente. Este, muito mais rápido, ágil e sem intermediário. No caixa o cliente ou o usuário resolvia tudo. E lá bem longe, o parente ou amigo já podia até sacar o dinheirinho... Fácil assim. Como num passe de mágica, como costumavam dizer. Antes do on-line, usava-se ordem de pagamento para o envio de dinheiro. O progresso acabou por fazer a extinção deste dinossauro, precursor da internet, talvez. O caixa autenticava a ordem de pagamento no caixa, e a gente a transmitia via telex no meu setor. Havia também outras mensagens que o banco precisava que fossem enviadas por telex. Talvez o precursor do fax. Eu, pessoalmente, adorava! E sempre existia a possibilidade de se falar com alguém do outro lado do mundo, então... Simplesmente fascinante! Tínhamos nossa rede interna. Uma máquina ligada no chamado ponto-a-ponto. Que o banco pedia inclusive, para darmos preferência no uso. Por não pagarmos conta para a Embratel. Esta rede era privativa do banco. E existia nas principais cidades do país e do mundo, onde tínhamos agência. E em épocas de menos serviço, a gente sempre dava um jeitinho de perguntar alguma coisa para quem estava do outro lado da linha. Se a mensagem tinha sido bem recebida... Tal e coisa, coisa e tal. Acabávamos perguntando sobre o tempo. Sempre banalidades. Papo vem, papo vai, acabávamos quase sempre arrumando algum correspondente. Talvez já antecipávamos o significado que teria a internet em nossas vidas. E como é sempre bom fazer amigos... Jurassic Jack ::: Relembrado por Jack 8:03 AM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: Terça-feira, Setembro 02, 2008 As vantagens de ser velho ::Se estiver sem dentadura: ![]() Bem... Senhoras e senhores, o meu convidado de hoje dispensa maiores apresentações. Quem é que, mesmo não gostando, nunca viu esse rostinho simpático ou, pelo menos, ouviu falar em Frankenstein? Pois bem, trata-se de um dos mais famosos monstros da história do cinema e foi criado pela fértil imaginação de uma jovem escritora chamada Mary Shelley, no século dezenove. Conta a história de um cientista, Victor Frankenstein, que fica obcecado com a idéia de criar vida a partir de um corpo morto. Afasta-se da família e amigos e, isolado em seu laboratório, com o auxílio de seu ajudante corcunda Fritz, passa então a roubar cadáveres. Juntando partes de diversos corpos consegue sucesso e dá vida à sua criatura. Só que, mais tarde, arrepende-se e tenta então destruir o monstro que criou... Nas telas, apesar de não ser a primeira adaptação, acredito que a versão definitiva tenha sido a de 1931 com Boris Karloff no papel da criatura que, note-se, não tinha nome, era apenas "o monstro". Equivocadamente passou a ser conhecido por Frankenstein, o sobrenome do cientista que o criou. Apesar de não ser totalmente fiel à história original de Mary Shelley e ter criado um monstro totalmente diferente do livro, essa versão cinematográfica criou a imagem definitiva para a criatura, com um Karloff impressionante. Eu confesso que esse é o meu monstro favorito. Afinal ele não era necessariamente mau. Apenas confuso, angustiado e incompreendido. O personagem ficou tão famoso que deu origem a várias seqüências. “A Noiva De Frankenstein” (1935) continua de onde o primeiro parou e é considerado melhor que o original. Inúmeros outros filmes foram feitos explorando a história, com outros atores encarnando o monstro, embora nenhum tão bom quanto o Karloff, e promovendo até mesmo alguns encontros fantásticos como, por exemplo, o monstro de Frankenstein encontrando o Lobisomem e o Drácula (A Casa de Frankenstein - 1944). Mas nem só de sustos sobreviveu a criatura, afinal ele não era apenas um rostinho bonito. Tinha talento e era versátil. ![]() Foi assim que nos anos sessenta surgiu “A Família Monstro”, série de TV que fez muito sucesso arrancando gargalhadas, e o chefe dessa família muito louca era ninguém menos que ele, Herman, o próprio “filho” de Frankenstein, numa versão engraçadíssima. E em 1974, Mel Brooks levou às telas o “Jovem Frankenstein”, uma sátira imperdível e hilária rodada em preto-e-branco no mesmo cenário do filme de 1931. A idéia original acabou servindo de inspiração para outras produções, como por exemplo, “Edward Mãos de Tesoura”. Aliás, eu particularmente acho que o Hulk também tem uma certa semelhança com a criatura, não tem não? Eu sou fã do gênero... Do bom e velho terror clássico que já não causa medo nenhum. O que me assusta é o festival de mutilações, banhos de sangue e violência explícita dos filmes atuais que às vezes passam na sessão da tarde. ::: Relembrado por Paulo 4:50 PM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: A... B... C... D! Dromedário!Essa é do tempo em que Adão era escoteiro. Vocês lembram do Jogo das Letras? Já vi gente chamá-lo de “Adedanha”, mas no meu tempo de guri, chamávamos daquela forma. É um jogo de conhecimentos. Para participar, basta pegar uma folha de papel em branco, um lápis ou caneta, dividir várias colunas no papel e em cada uma delas escrever um tema: “Animais”, “Países”, “Flores”, “Marcas de Cigarro”, “Marcas de Carro”, “Times de futebol”, “Nomes de jogadores”, “Artistas de Cinema”, “Heróis de Gibi”... E por aí vai. Depois que todos os participantes estejam com sua folha pronta, é só ficar em círculo e falar: um...dois...três...já! (tem gente que fala “a-de-da-nha!”) e estender um número qualquer de dedos. Alguém conta os dedos seguindo a ordem do alfabeto. A letra em que parar, é a que deve iniciar os nomes de cada tema escolhido. Cada um preenche a sua folha à parte. Depois que todos acabam, é hora de comparar as respostas. Para cada resposta válida, que não tenha sido escrita por nenhum outro, vale dez pontos. Se algum outro também tenha marcado a mesma resposta, vale só cinco para cada. Se mais de dois escolhem o mesmo nome, é zero, não conta pontos. Esse jogo era um santo remédio para aulas chatas, ou para momentos de espera entre uma aula ou outra. Era viciante! De tanto jogarmos isso com papel, passamos a jogar sem folha, só com um tema previamente escolhido. E não poderia ter hesitação. Um começava, o seguinte na roda deveria dizer outro nome (não podia repetir!) e assim por diante. Até que alguém da roda não soubesse. Para esquentar a disputa, instituímos primeiramente um bolo na mão para o que perdesse. Depois virou tapa nas costas, cascudo, espancamento... enfim, essas coisas típicas da adolescência repleta de testosterona. Quando escolhíamos, por exemplo, “nomes de animais”, em algumas letras já sabíamos de antemão quem perderia. Se caísse a letra “Q”, o primeiro falaria “quati”, o segundo, “queixada” e o terceiro estenderia a mão para levar bolo ou a cabeça para levar um cascudo. Além destes, não há outros animais cujos nomes começam com a letra “Q”. Da mesma forma, com a letra “D”, o primeiro falava “dromedário”, o segundo, “doninha”, o terceiro, “delfim” e acabava a história. Não valia “dinossauro”, “dodô”, só animais não-extintos. Um dia, na aula de Biologia, o professor falou sobre a mosca dos frutos, que é conhecida como “drosófila”. Lembro que quando o mestre falou nesse nome, eu e meus amigos nos olhamos com um sorriso cúmplice na cara. Numa outra vez, o mesmo professor falou sobre o “dragão-de-Komodo”, um réptil que vive nas ilhas da Indonésia e foi mais outro animal que entrou direto para no nosso jogo. A disputa era tão acirrada, que na hora do Recreio nos enfiávamos na biblioteca da escola, catando enciclopédia em busca de nome de plantas, de países, da animais pouco conhecidos só para surpreender a galera na hora do jogo. Pra vocês verem... Só uma brincadeira para fazer a gente estudar com afinco... Na maior parte das vezes, essa fissura no jogo mais atrapalhava que ajudava nos estudos. Lembro que uma vez, assistíamos a uma aula de Geometria pra lá de chata, com o professor Amaury. O cara lá explicando como calcular a área do poliedro e a gente com cara de “ai que saco!”. Bastou alguém propor o tal joguinho e todos da minha turminha aprovamos unanimemente. Fazíamos o “um, dois, três, já” baixinho, contávamos a letra e sussurávamos cada um a resposta. Claro que a gente se empolgou, claro que o professor percebeu. Daí ele chegou onde estávamos e foi apontando um por um: “Marco... Luiz... Miranildo e Jorge! Os quatro pra fora de sala!”. Os quatro meliantes levantaram e se dirigiram para a porta da sala, com cada um falando marcas de automóvel em alto e bom som: “P!... Peugeot...Pontiac... Packard... Puma...” E do lado de fora caímos na gargalhada, não podíamos olhar para a cara um do outro sem a gente se mijar de rir. Não vejo a moçada de hoje brincando disso. Mas há alguns anos atrás, estava na casa de amigos quando alguém teve a idéia de fazer esse jogo. Éramos um bando de marmanjos, a maioria já com filhos grandes que também queriam entrar na brincadeira. Alguns inclusive me chamam de “tio” desde que nasceram e eu os considero mesmo como sobrinhos. Decidiram pelo jogo e eu quieto no meu canto. “Não vai brincar, tio Marco?”, perguntou um deles. “Ô, meu filho, o tio Marco é viciado nesse jogo. Vocês não teriam nenhuma chance”. Protestaram, me chamaram de mascarado, todo mundo me pressionou para entrar no jogo. Acabei concordando. Resultado final: quem ganhou? Bem, a modéstia me impede. Mas como eu tinha alertado antes, eles não tinham a mínima chance contra quem passou mais de ano jogando isso intensivamente. A nota engraçada nesta noite ficou por conta do Claudinho. Ele é um alegre cafageste, um tremendo “171” reconhecido até pela santa esposa. O cara tem a maior lábia, convence esquimó a comprar geladeira. Pois bem. No meio do jogo, saiu a letra “S”. Nome de lugar o cara me manda um “Singapura”. Eu protestei: “Opa! Cingapura é com “C”!” E o cara começou um papo pegajoso de aranha, cheio que nhénhénhém, fazendo citações, com a maior segurança (ele é capaz de falar as maiores bobagens com a segurança de um perito!), garantindo que era com “S”. Eu argumentei: “Só se for em inglês, que se escreve ‘Singapore’. Como estamos jogando em português, é com “C”!” E não é que o cara conseguiu convencer aos outros que era com “S”! Eu não sabia se ria ou se chorava com a ignorância daquele povo. Até hoje, quando falam das malandragens que o Claudinho continua aprontando, eu jogo na cara deles: “Pois é. Ele convenceu vocês que Cingapura é com “S”...” *********************************************** Aos amigos de São Paulo que lêem este blog. No sábado, 23 de agosto, estarei no Município de Mauá, no ABC paulista, lançando meu livro “Popularíssimo – O ator Brandão e seu tempo” em noite de autógrafos, e fazendo, a convite, uma palestra sobre o centenário de Machado de Assis. Vocês estão todos convidados. Mais detalhes no meu blog Antigas Ternuras. PteroMarco ::: Relembrado por Jack 6:31 AM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: Casinha![]() Além de brincar de boneca, eu e as meninas do meu tempo, brincávamos muito também de casinha. Onde até os meninos podiam participar. Eu disse ‘podiam’. Se assim o consentíssemos. Naquela época, as famílias-modelo eram completas: pai, mãe e filhos. E o papel de pais e filhos até podia enfim ser atuados pelos meninos. Mas como meros coadjuvantes. Pois quem desempenhava quase todas as funções éramos nós: as meninas quase ‘super-poderosas’... Lavávamos, passávamos, varríamos, cozinhávamos, costurávamos, tomávamos conta de nossos filhos e filhas (as bonecas)... Só não tínhamos a ‘estrutura’ das meninas de hoje. A coisa era um pouco mais improvisada. Já tínhamos fogãozinho, panelinha (ambos ainda de metal), móveis, vassourinhas. Pedíamos às nossas mães para nos dar arroz, feijão, ervilha, lentilha (crus mesmo) para a comidinha dos nossos ‘filhos’. A imaginação funcionava. E muito... Nunca fui preparada para ser dona de casa. Pelo contrário. Minhas mãe e avó trabalharam fora. Queria ser professora. Mas a vida me levou a prestar concurso e fui bancária por quase 27 anos. Bem, um pouquinho de dona de casa, ainda sou... Isso a gente não perde nunca. Jurassic Jack ::: Relembrado por Jack 8:32 AM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: Terça-feira, Agosto 05, 2008 O Preparatório
::Se estiver sem dentadura: (versão estendida e sem cortes) ![]() Não tem jeito... Vira e mexe e eu volto a falar de discos e música. E os posts da Jack e do Marco me fizeram lembrar dos meus aparelhos de som. Nem foram tantos assim, mas marcaram fases da minha vida. Já escrevi sobre isso aqui no Play há alguns anos e o texto a seguir é uma reedição estendida do citado post. Chamava-se O SOM NOSSO DE CADA DIA. O rádio-vitrola do meu pai era um móvel escuro e pesado com o rádio na parte frontal e uma tampa na parte de cima que se abria expondo a vitrola em seu interior. Os discos, de 78 rotações, eram pesados e feitos de um material chamado goma-laca que se quebrava com facilidade. Qualquer queda era fatal. Por isso, tanto a vitrola como a coleção de discos de meu pai, eram proibidos aos nossos pequenos e curiosos dedinhos. Só nos era permitido ligar o rádio. Eu já era crescidinho quando ganhei dos meus avós o meu próprio rádio-vitrola. Era um Philips, reformado, bem no estilo anos sessenta. Móvel claro de cerejeira, pernas finas, duas portas frontais. Rádio na direita e vitrola na esquerda. A vitrola tinha quatro velocidades: 16, 33 e 1/3 (nunca entendi essa fração adicional), 45 e 78 RPM (rotações por minuto). Esse aparelho me acompanhou na mudança para o Rio de Janeiro, em 1968, e fez muito barulho, durante as minhas festinhas, para a infelicidade dos meus vizinhos naquela rua tranqüila de Vila Isabel. Já nos anos setenta eu ganhei da minha avó, de aniversário, aquele que foi o meu primeiro aparelho de som moderno. Um sistema modular Gradiente System 95, cinza grafite, igualzinho ao da foto.
Gradiente System 95 Consistia em um toca-discos Garrard (ótimo), tape-deck, receiver, caixas de som e rack em madeira maciça (nada de aglomerado). Era muito bom! Gravei "toneladas" de fitas cassete com as minhas seleções de rock e discoteca. Aliás, foi com ele que tive a minha primeira experiência de gravar direto do toca-discos e do rádio para a fita, sem precisar usar o microfone encostado na caixa de som. Depois de vários anos de bons serviços, e muita diversão, troquei-o por um modelo mais novo e mais compacto da própria Gradiente, o CS-34 da foto.
Gradiente CS-34 Se arrependimento matasse... Não que esse fosse ruim de todo, mas nem se comparava com a qualidade do anterior. Não me perguntem por que o troquei... Eu não saberia responder. Foi aí que eu resolvi economizar e comprar um sistema de som que fosse realmente bom, segundo os meus critérios. O resultado foi um conjunto da Technics composto por receiver, duplo-deck, ótimas caixas de som e toca-discos. Mais tarde incorporei o meu primeiro cd player. ![]() Hoje não possuo mais esse equipamento. Além dos manuais da imagem acima, só mantenho o toca-discos onde eventualmente rodam os meus bolachões (ainda tenho uns 400). Quando tenho tempo e disposição gravo alguns em CD-R (aposentei as fitas cassette há alguns anos). Atualmente metade das músicas que ouço saem do home theater da sala e a outra metade das caixinhas do computador. *Fotos dos aparelhos Gradiente tiradas daqui: AUDIORAMA! ::: Relembrado por Paulo 12:02 AM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: Domingo, Julho 20, 2008 ::Se estiver sem dentadura: O som de antigamente
![]() Sei lá quanto tempo tenho esse post em mente. Mas nada de conseguir escrever sobre. Não sei se tinha algum tipo de bloqueio, vai saber... Primeiro não conseguia ilustrar, pois não achava nada no Google que pudesse ao menos lembrar o que era uma Sonata. Fucei tanto que acabei encontrando. Fotos coloridas no site do Mercado Livre. Pois é, ainda a vendem lá! Logo após, mexendo em fotos antigas na casa de minha mãe, achei fotos minhas e de meus irmãos com a dita cuja. Acreditam? Ah, vão acreditar sim, pois cá estão as mesmas ilustrando o texto desta jurássica. Na infância tivemos uma Sonata como toca discos da casa. Não sei se alguém mais se lembra o que era, mas agora não vai ser por falta de ilustração que alguém vai deixar de lembrar. O nosso era vermelho. Meus avós também tinham. Só que o que deles era verde. Com prato de borracha e tudo! Velocidade 33, 45 e 78 RPM. A parte do prato se acoplava perfeitamente na parte inferior do alto-falante. Isso fazia da Sonata quase um eletrodoméstico portátil. Você podia carregar pra onde quisesse. Inclusive pras festinhas em casas dos amigos e bailinhos de fundo de quintal. O aparelho possuía uma espécie de trinco que a segurava lá. A parte superior do alto falante tinha uma alça. Era só tirar a parte do prato de dentro do auto-falante. Uma grande conquista àquela altura, anos 60. Pois antes disto os toca discos eram imensos e se ‘escondiam’ dentro de móveis! ![]() ::: Relembrado por Jack 6:12 AM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: Segunda-feira, Julho 07, 2008 jardineiras e bondes
::Se estiver sem dentadura: Já não se faz mais filmes como os de antigamente... Não é nostalgia, é uma constatação. Os mais jovens irão concordar com ironia dizendo: - É claro, os de hoje são muito melhores. Temos mais efeitos especiais, muito mais recursos, som Dolby Surround e imagem digital. Mas não é a isso que me refiro. Claro que a tecnologia trouxe benefícios áudio-visuais que eram inimagináveis há cinqüenta anos. Seriam coisas de ficção científica. Fico imaginando do que seriam capazes Chaplin, Hitchcock, e tantos outros que nem vou me dar ao trabalho de citar, tendo acesso aos recursos atuais... Que loucuras não faria o Buster Keaton? O que o Stanley Kubrick não faria com “2001, Uma Odisséia no Espaço” se tivesse em mãos os recursos de efeitos digitais que são possíveis hoje? Mas estou divagando... O fato é que os filmes do meu tempo eram assustadores mesmo sem sangue espirrando ou tripas expostas, eram sensuais sem serem explícitos e eram engraçados sem serem apelativos. É aí que o talento faz toda diferença. Esse assunto me veio à mente porque revi um clássico da comédia – A Pantera Cor de Rosa (Pink Panther), versão original de 1963. A Pantera fez tanto sucesso que gerou várias continuações, com o impagável e inesquecível Peter Sellers no papel do atrapalhado Inspetor Clouseau. “Meglio stasera, che domani o mai, Domani chi lo sa, quel che sarà?” Melhor hoje à noite que amanhã ou depois, Amanhã quem sabe, o que será? Essa cena reune boa parte do elenco em volta da lareira em uma estação de esqui, entretidos com a canção Meglio Stasera na voz de Fran Jeffries. Essa música foi regravada recentemente por Michael Bublé. O ótimo elenco era encabeçado por David Niven, Peter Sellers, Robert Wagner (do Casal 20, lembram?), Capucine e Claudia Cardinale. A música tema do filme, composta por Henry Mancini, ficou célebre, assim como o cartoon criado por DePatie-Freleng para a abertura do filme que fez tanto sucesso que acabou virando uma série de desenho animado. O trailer do filme de Blake Edwards Após a morte de Peter Sellers foram feitas várias tentativas frustradas de dar continuidade à série. Outros atores foram testados no papel do inspetor atrapalhado. Até arrumaram um filho para o inspetor Clouseau, com Roberto Benigni no papel. Em 2006 foi a vez de Steve Martin tentar a sorte na refilmagem da Pantera Cor de Rosa. Coitado, ele se esforçou... Mas esse é um daqueles casos clássicos em que o personagem fica tão marcado que só funciona com aquele determinado ator. Não haverá um Ben-Hur como o Charlton Heston; não haverá um Mr. Spock como o Leonard Nimoy; não haverá um Indiana Jones como o Harrison Ford e não haverá, jamais, um Inspetor Clouseau como o Peter Sellers. Paulopithecus ::: Relembrado por Jack 10:26 PM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: O balão vai subindo, vem caindo a garoa......“o Céu é tão lindo e a noite é tão boa”... É tempo de festas juninas, de pular fogueira, dançar quadrilha, comer milho e batata-doce, soltar balão e tantas outras coisas típicas, não é? Essa época me traz muitas e boas recordações. É uma manifestação tipicamente brasileira, mas.... é totalmente internacional. Acredite, se quiser. As fogueiras são uma herança do paganismo celta, que comemorava o solstício de verão botando lenha pra queimar. Quem leu “As brumas de Avalon” e lembra das “Fogueiras de Beltane”, sabe disso. A quadrilha é uma dança que se originou do minueto francês. Por isso os “anarriê” (na verdade, é um abrasileiramento de “en derrière”, recuar), “anavã” (“en avant”, avançar), “travessê” (“travesser”, atravessar), “balancê” (“balancer”, balançar) e vai por aí a fora. O milho é de origem azteca, a batata-doce veio dos Andes. Os balões de papel de seda foram criados na China. Como se vê, é uma festa inteiramente globalizada... Mas foi aqui, no Brasil, que todas essas coisas se juntaram numa festa impregnada de brasilidade até o último gole de quentão. Participei animadamente de muitas festas juninas. Lembro de uma, em mil-novecentos-e-não-vem-ao-caso, no colégio de meus irmãos, em que eu particularmente me empenhei. Ajudei a cortar as folhas de coqueiro e a montar as barraquinhas e a “cadeia”. O diretor da escola me deu a gerência da barraquinha das argolas, onde as pessoas pagavam um dinheirinho para lançar três argolas sobre um tablado onde tinha maço de cigarros, garrafa de vinho, brinquedos de 1,99 etc. Teve quadrilha, lógico, e eu formava o casal principal, que puxava a fila. Ensaiamos bastante e foi um show, modéstia às favas. Quando acabou tudo, eu ainda ajudei a desarmar o arraiá. Por meu empenho, o diretor do colégio puxou uma salva de palmas para mim e ainda me deu uma garrafa de Guaraná caçula. Nem precisava. Eu tinha me divertido tanto, que já me considerava totalmente remunerado. Naquela época, os rituais juninos eram coisa séria. Alguns meninos construíam barraquinhas de caixote de madeira, forravam com papel enfeitado, penduravam uma lanterna colorida e vendiam, na porta de casa, estalinhos, bombinhas, cabeças de negro, buscapé, cobrinha, estrelinha, bandeirinha e os sempre presentes barbantinhos cheirosos. Nas festas, só se ouvia músicas típicas de festas juninas, celebrando os santos do mês – Santo Antônio, São João e São Pedro. Curioso: São Paulo também é celebrado no dia 29 de junho, mas ninguém lembra dele nas músicas e nas festas. Talvez por ter sido um santo muito intelectualizado, afinal de contas foi o grande “inventor" do cristianismo como nós o conhecemos (Jesus e a maioria dos apóstolos só pregaram judaísmo para judeus, foi Paulo que levou a palavra de Cristo aos chamados gentios). Nos meus bons tempos, era sagrado: música de festa junina era aquela que a gente dançava na quadrilha. A primeira vez que ouvi Michael Jackson e Madonna num arraiá fiquei horrorizado! Hoje, tocam a música do créu e outros hip-hops do gênero. Só se ouve música junina na hora da quadrilha e olha lá. Daqui a pouco vai ter anarriê ao som de Britney Spears e Robbie Williams. Quase não se vê canjica, curau e batata-doce. Só dá cachorro-quente, hambúrguer e pizza nos arraiás daqui do Rio. O quentão foi substituído pela caipiróska. Assim não dá... Com tudo e apesar de tudo isso, eu ainda fico com as minhas festas juninas de infância, quando olhava o céu, pintadinho de balão, quando procurava o brilho nos olhos da menina de que eu gostava, quando vestia roupas com remendos e passava rolha queimada no rosto, pra fazer bigode e costeleta... Ainda hoje eu olho pro céu, com um travo nostálgico nos olhos, como se ainda ouvisse lá no fundo de mim... “São João, São João... Acende a fogueira no meu coração...” PteroMarco ::: Relembrado por Jack 5:46 AM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: O príncipe e o mendigo![]() Há muito tempo atrás e muito antes do PC, eu era uma adolescente normal e até bastante tímida. E o pior: parece que estou ficando uma envelhescente agora não muito normal. O pessoal aqui de casa, acha que sou meio maluca, porque ainda gosto de rock, parque de diversões, sou tiete dos meus ídolos, essas coisas... A estória que vou contar, de fato aconteceu comigo e uma amiga, que morava apenas uma quadra de casa. Nossas mães diziam que a calçada daquela quadra da Rua Goiás, entre minha casa e a dela, iria simplesmente desaparecer. Ou afundar, de tanto que uma ia pra casa da outra. Lembro-me muito bem desse dia, pois o que vimos foi quase uma visão celestial: um lindo galã quase menino, só não me lembro de qual antigo canal de TV: Kadu Moliterno. Ele estava estrelando a novela O Príncipe e o Mendigo onde fazia ambos os papéis. Atualmente ele nem me parece tão bonito. Lógico, descontando a idade, a calvície, etc. Está na Global novela das sete: é o Gaspar. Mas na época, ali nas nossas barbas, parado em frente à padaria, a coisa tinha outro significado. Vínhamos da casa de minha amiga, e quando o vimos, saímos correndo em direção à minha casa. E, segundo minha irmã e minha mãe, nós parecíamos duas loucas varridas, correndo pela rua. Tudo isso somente para contar pra todo mundo que a gente tinha visto o “príncipe”... Ficaram até com medo de que, logo atrás de nós, viesse o carro do Juquerí ou do Pinel, (como preferirem), com duas camisas-de-força, para nos encamizar... Até cair a ficha delas, que nós estávamos falando do Kadu, foi-se algum tempo. Aí as duas idiotas voltaram pra padaria e ficaram só olhando de longe, com aquele olhar comprido... Tietagem à distância, mas nem por isso, menos apaixonada. Hoje em dia, não se fazem mais adolescentes como antigamente! Quem quiser saber mais sobre o artista, clique neste link. ::: Relembrado por Jack 7:49 AM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: Domingo, Junho 08, 2008 Corrente Milagrosa de .... ::Se estiver sem dentadura: ![]() Anos setenta. Domingo à tarde com a família e “agregados” (namorados e namoradas)... Final do almoço e trocamos rapidamente a toalha da mesa da sala... Cadeiras ao redor para oito ou dez pessoas (apertadas). Ia começar a sessão de jogos de salão! Claro que era preciso decidir com antecedência qual seria o jogo do dia, tal a diversidade de opções. Primeira decisão: tabuleiro ou cartas? Alguns fatores deviam ser levados em consideração na hora da escolha e o principal era o número de pessoas. Alguns jogos de tabuleiro eram limitados a quatro jogadores... Alguns jogos de baralho também. As opções de tabuleiro na época eram: - WAR. Jogo de estratégia campeão! Esse era o meu favorito e, dependendo do número de jogadores, podia durar horas entre conquistas de territórios ou aniquilação de um determinado adversário. Algumas missões eram particularmente difíceis e, claro, o fator sorte também pesava. Hoje o WAR tem várias versões, mas eu só conheço a primeira. - BANCO IMOBILIÁRIO (ou MONOPÓLIO). Eu tinha os dois e eram quase idênticos, apenas com pequenas diferenças. Também era um dos meus preferidos e podia, quando jogado com seriedade, demorar um tempo razoável. Mas as regras eram flexionadas com freqüência e, com os banqueiros “corruptos” permitindo empréstimos irregulares, ninguém ia à falência. E o jogo não acabava... - PALAVRAS CRUZADAS (de tabuleiro). O meu tem todas as pecinhas em madeira e era do meu pai. Aqui havia uma limitação de número, permite no máximo quatro jogadores. - YAM. Esse é um jogo de dados, basicamente, mesclando sorte e estratégia. Cinco dados e uma folha de pontuação para cada jogador, sem limitação de número. Vale observar que quanto mais jogadores, mais demorado o jogo irá se tornar. Num certo período esse jogo se tornou uma espécie de vício entre eu e meus amigos. Hoje descobri que há uma versão para se jogar online, mas ainda não testei. - DICIONÁRIO. Esse eu conheci bem antes da Grow lançar a versão comercial ACADEMIA. É necessário apenas um bom dicionário, lápis e papel para todos os jogadores. Aqui, quanto mais pessoas melhor. É garantia de boas risadas e muita diversão, além de aprimorar o vocabulário. - DOMINÓ. Esse todo mundo conhece e dispensa maiores apresentações. Nem vou citar os clássicos DAMAS, XADREZ e GAMÃO porque limitavam os jogadores a apenas dois, o que era inadmissível num grupo grande como o nosso. Ficavam relegados a outras ocasiões. Eu era tão apaixonado por jogos que fiz uma coleção da Editora Abril chamada TODOS OS JOGOS que consistia em uma caixa com vários compartimentos que iam sendo preenchidos, ao longo da coleção, por peças e dados de todos os tipos, cores e formatos. Cada fascículo vinha acompanhado de uma folha com o desenho de um tabuleiro diferente que depois podia ser encaixado em uma base de papelão e plástico. Era possível jogar dezenas de jogos de diversas partes do mundo. Tenho até hoje, mas nunca testei nem a metade... Acompanhava essa coleção um livro voltado para os jogos de cartas, ensinando desde os jogos mais comuns até alguns que eu nunca tinha ouvido falar. Os jogos de baralho eram uma opção fácil. Nem sempre havia um jogo de tabuleiro disponível, mas sempre havia um baralho na gaveta de alguém. Jogávamos BURACO, SUECA, DESCONFIO, MAU-MAU, COPAS FORA e PÔQUER. Esse último é o único do qual não me enjoei, mas por falta de parceiros tive que diminuir radicalmente a frequência. Esse tipo de programa familiar, bastante comum naquela época, acabou se perdendo em razão de outras novidades. A garotada sai pra “balada” e os que ficam em casa divertem-se “solitariamente” nos seus computadores. Aliás, eu também faço isso, tenho que admitir. Quase todos os jogos mais conhecidos já têm versões digitais e podem ser jogados pela Internet, mas nada substitui o contato pessoal. Afinal aquelas reuniões significavam muito mais do que um simples jogo. Era um momento de confraternização incomparável. Eu, sempre que posso, procuro reviver esses eventos na casa dos meus pais. Nas festas de final de ano já está se tornando habitual. Paradoxalmente, a violência e a falta de dinheiro estão trazendo de volta esses programas domésticos que são incrivelmente baratos, seguros e divertidos... Um efeito colateral inesperado, mas muito bem-vindo. Referências: Brinquedos GROW Brinquedos ESTRELA Ludomania (Site sobre jogos diversos) ::: Relembrado por Paulo 7:41 PM ::Ponha a dentadura pra comentar: ::Se estiver sem dentadura: |
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