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Sítio Arqueológico



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"Se rugas têm de ser escritas na testa, não permita que se inscrevam no coração. O espírito jamais deve envelhecer" James Abram Garfield

Sábado, Julho 02, 2011

Extintos e Obsoletos


Recebi o meu novo celular hoje, para substituir um que tinha perdido na semana passada. Não é a última palavra em tecnologia, mas é um desses smart phones, que é como o bom bril, tem mil e uma utilidades, serve para tudo. Eu, saudoso do Brasil gosto de usar esse equipamento para ouvir radios brasileiras enquanto dirijo. Tiro fotos e quando vou a alguma cidade desconhecida, uso como navegador, ou GPS para não perder tempo perguntando onde é que fica a rua x, pois como todos vocês sabem, homem que é homem não pede informações mesmo que esteja perdido por dias afora. Visito sites na internet e às vezes até utilizo para ligar para alguém ou receber uma chamada, porque além de outras coisas funciona também como telefone. E aí, comecei a matutar...

As mudanças ocorrem hoje em dia com tamanha rapidez que não dá nem tempo para sentir saudades. Logo logo não vão existir os telefones da forma que conhecíamos.

Muitos sons, objetos, profissões desapareceram ou estão em vias de extinção. Ainda outro dia, um dia desses na década de 50...

... de dentro de casa ouço o assobio caracteristico do afiador de facas e tesouras. Ele passa com o seu carrinho pelas ruas da cidade e ouvindo o apito de flauta, as donas de casa saem com as suas facas cegas que vão ganhar uma nova vida na mão do amolador.

De tardezinha, o tec tec de uma matraca anuncia o vendedor de bijus e saio correndo pegando uns trocados da minha mãe atrás do som mágico. Esse vendedor leva os bijus num tamborzinho e a tampa é uma roleta com numeração que roda e você recebe a quantidade de bijus de acordo com o número na roleta quando para de rodar. Comigo, quase sempre esse número é o 1. O biju é o meu preferido entre os doces vendidos na rua. Tem o martelinho que é vendido na saída da escola e também, o vendedor de pirulitos, aqueles em forma de conezeinhos coloridos que ficam expostos num tabuleiro cheio de buracos. O papel que cobre o pirulito fica grudado e é praticamente impossivel de despregar. Aí vai com papel mesmo uai.

Já o vendedor de peixes, tem uma carroça puxada por um burro, com uma enorme caixa cheia de gelo. Ele grita lá de fora aprooximando-se da nossa casa, “sakana-yá!” (peixeiro ou peixaria em japonês) mas o cheiro chega antes. Bom, o citado “sakana-yá” o peixeiro amigo grita somente em frente das casas dos japoneses, claro o nosso caso....pois não sabemos o significado do seu grito normal de peixeiro!

O bucheiro também tem a sua carroça. Ele vende carnes e miúdos de boi, além do bucho que nas mãos da minha mãe, vai virar uma dobradinha de fazer inveja às donas de casa gaijins. E ela, uma precursora da cozinha fusion, faz um bucho com molho de missô que vocês deveriam provar!

Tem um tintureiro na cidade. Adivinha quem são os donos? Pois é, da família do meu amigo Koga. Mas existem também as lavadeiras, que lavam roupas para o pessoal mais preguiçoso ou com mais grana. E as roupas, lençóis, toalhas e o que mais fosse, vem de volta lavados e passados.


Estou para me formar do ginásio, é hora de pensar no futuro e estou pensando em procurar um emprego. Que fazer? Aula de datilografia com a dona Luíza! Uma das melhores alunas da classe, acho que ela é uma ex-aluna, bate muito rapidamente sem olhar nas teclas. Já eu, utilizo uma técnica avançada, a de catador de milho... Pois essa menina trabalha de operadora telefônica da central telefônica da cidade, instrumentista musical e além de tudo muito bonita, mas sou invisível pra ela. E por cima pelo menos uns cinco anos mais jovem que ela....


Está escurecendo. Vejo com carinho o solitário acendedor de lâmpadas das ruas da cidade começando a sua rotina diária. Não tivemos lampiões de gás, a iluminação elétrica existiu desde o nascimento da cidade mas as lâmpadas nas ruas precisam desse funcionário da prefeitura que anda com uma vareta comprida com algo afunilado na ponta para girar a lâmpada. Todo dia, faça sol (ou lua, no caso) ou chuva ele caminha pelas ruas para acender a luzes e depois de mahãzinha para apagar fazendo o mesmo trajeto.

Se o tempo continuar bom assim, vou pegar um filme no Cine São Paulo, o único da cidade. Se o filme for proibido para menores vou ver se me encontro com os amigos para brincar de pique ou descer as ruas no carrinho de rolimã.


De repente Edith Piaff está cantando e interpretando o Je Ne Regrette Rien. Continua tocando. Pô, peraí, esse é o meu ringtone do meu celular, o tal do "smart phone"! Vejo que é o meu filho me chamando. Desculpe tenho que atender. Ele deve estar precisando de dinheiro ou de algum tipo de ajuda....

Fotos surrupiadas destes sites: daqui e daqui também.


::: Relembrado por gaijin4ever 6:36 AM

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Domingo, Abril 24, 2011

LIGAÇÕES TELEFÔNICAS




“Telefonissstaaaa!”

“Pode fazer uma ligação? 2-9369”

Era assim. Nada de discagem automática. Pedia-se à telefonista que fizesse a ligação para o telefone com que se desejava falar. Pouca gente possuía telefone em casa. As linhas pertenciam ao assinante e existia um comércio para elas. Os preços eram exorbitantes e pouca gente conseguia comprar sua linha. Falar de São Paulo para o Rio de Janeiro era uma epopéia. Pedia-se à telefonista a ligação, de manhã, e conseguia-se falar à noite, em uma ligação péssima, cheia de ruídos, quando a ligação não caia. Eram os tempos da velha CTB, a Companhia Telefônica Brasileira.

Aos poucos o sistema telefônico foi se modernizando. As ligações passaram a serem feitas pelo sistema de discagem, sem auxílio da telefonista. Inclusive os interurbanos. Em São Paulo, a última estação a adotar o sistema de discagem foi a da região da Avenida Paulista, ainda apenas uma enorme avenida com seus palacetes senhoriais.

No início dos anos 60, o grupo de rapazes foi passar férias em uma fazenda, no lugarejo chamado Eleutério, próximo a Itapira/SP. As meninas do lugar ficaram em polvorosa, com a possibilidade de arrumarem namorados da capital. Até um bailinho foi organizado, com músicas tocadas em uma velha vitrola. Cada um dos rapazes já se engraçou com uma menina, naqueles namoricos inocentes próprios da época. PS... reclamou da sua:

“É completamente morta e burra! Não abre a boca! Tentei falar de tudo com ela e ela não responde. Tentei até falar de futebol. Não sabe falar nem do Corinthians!”

Mas, o I... se superou. Foi se engraçar logo com a irmãzinha da telefonista. Acontece que, em São Paulo, ele havia começado a namorar, “namora sério” como se dizia na época, com a N. Alguém brincou que iria contar para ela e ele se apavorou. No dia seguinte, ele resolveu se adiantar, antes que alguém desse com a língua nos dentes. E lá se foi para a loja onde nos fundos, estava instalada a Telefônica. Entrou na cabine e pediu à telefonista que fizesse a ligação para São Paulo. E explicou para a amada que o grupo todo havia conhecido umas meninas, mas ele, sério, não conversara com nenhuma delas, Afinal, ele a amava e não iria fazer uma coisa dessas. Nisso, a telefonista entrou na conversa:

“Eu estou escutando tudo! Vou contar para minha irmã!”

Gentes, tempos bons! Telefone era usado quando necessário. Ninguém ficava estressado por não ter telefone.

Depois, surgiram os celulares. Hoje, dificilmente se encontra alguém que não tenha o seu. Celular faz de tudo: envia e-mail, fotografa, filma, permite que as pessoas fiquem acionando joguinhos, serve de lanterna, tem calendário, ouve músicas, vê imagens em raio-X, serve de despertador, recebe montes de spams da operadora, e até serve para fazer ligação telefônica. Talvez, um dia, venha a servir de geladeira, churrasqueira, e assim por diante.

Meu primeiro celular não é dos primeiros. Levei alguns anos até aderir à novidade. Mesmo assim, ainda era enorme e só tinha duas funções: fazer ligação telefônica e ser atirado na cabeça de alguém que me ofendesse, se bem que isto oferecia o perigo de ferir gravemente o opositor, dado o peso do aparelho.

“É da padaria?”

“É, sim senhora.”

“Aqui é da casa do seu W... Queria encomendar algumas pizzas, refrigerantes e cervejas.”

“Pode falar que eu estou anotando. Posso por tudo na conta mensal?”

“Por favor!”

No dia seguinte, a filha do seu W... comentou com minhas irmãs:

“Ontem à noite havíamos saído e chegou uma enorme encomenda da padaria. A empregada não sabia o que era e recebeu. Quando chegamos, encontramos uma porção de pizzas, refrigerantes e cervejas. Meu pai ficou uma fera e levou tudo de volta. E fez a maior briga com o dono da padaria.”

Minhas irmãs, logicamente, demonstraram grande espanto com o ocorrido. Por dentro, entretanto, morriam de rir ao saberem o resultado do “trote” que haviam passado.

JFLintstone


::: Relembrado por Jack 6:22 AM

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Domingo, Março 27, 2011

O trio mais biruta da tela



De alguns anos para cá, quando abro os jornais no noticiário político, não sei porquê, lembro de uma antiga série de filmes que assistia na TV a lenha de meu tempo de garoto. Eu vejo os noticiários ouvindo mentalmente um prefixo que dizia assim:
“A Screen Gems apresenta mais uma sessão de bom humor e gargalhadas com Os Três Patetas! O trio mais biruta da tela nos divertirá hoje com a comédia; “Tem aloprado no dossiê”. Versão brasileira AIC, São Paulo”.
Durante um bom tempo de minha infância, eu os assistia na TV Globo, durante o almoço, quando já tinha retornado do colégio (lá pelos idos de mil novecentos e não vem ao caso...).
Soube que de 1958 para cá, nunca deixaram de serem exibidos na televisão americana. São mais de 50 anos ininterruptos. Aqui no Brasil, essa longevidade não é tão granítica assim. Até um tempo atrás, “o trio mais biruta da tela” passava no TCM. Não sei se ainda está passando.
Contar a história dos Três Patetas é extremamente fácil e difícil ao mesmo tempo. Tenho tantas informações sobre eles que fariam este post ficar quilométrico. Vou ter que selecionar.
Embora eles tenham sido sempre “Três”, na verdade, os Patetas foram seis: Moe, Larry (ambos presentes em todas as formações do grupo), Shemp, Curly, Joe e Curly Joe. Eles começaram a carreira na formação Moe, Larry e Shemp, aliados ao comediante Ted Healy, fazendo números em shows de variedades, até chegarem à Broadway e ao cinema. Eram “Ted Healy and the Rocketeers”, às vezes também se apresentando como “Ted Healy and his Gang”. Fizeram o filme “Soup to Nuts”, onde os três malucos se destacaram com seu humor absolutamente louco. Fizeram também participações em filmes da Metro-Goldwin- Meyer ao longo dos anos 30.

A 20th Century Fox quis contratá-los sem Ted Healy (na foto, com eles), que manobrou nos bastidores para o contrato não sair. Eles deixaram a parceria com o invejoso e seguiram em carreira-solo, se apresentando em boates e casas noturnas, com enorme sucesso. O humor deles era absolutamente inédito na época. Moe, fazia o líder, que era o mais esperto; Larry, o trapalhão um pouco mais sabido do que Shemp, o doidivanas total. Eles usavam muito o humor físico, a partir de pancadaria generalizada entre eles. Como se apresentavam em Teatros e boates, para que a piada funcionasse, Moe tinha que descer o braço com vontade para estalar e fazer barulho. Shemp, o que apanhava mais, sempre se incomodou com isso, além de não saber exatamente se queria ser artista. Um dia, pediu para sair, sendo substituído em família (Moe e Shemp eram irmãos) pelo caçula Jerome, que entrou no grupo como Curly. Esta formação foi a melhor e mais famosa do grupo. Com ela, chegaram à Columbia Pictures, onde rodaram um sem-número de “comédias de dois rolos”, episódios de 15 minutos que posteriormente chegaram à televisão, pela divisão televisiva do estúdio, a Screen Gems. Na Columbia, eles conheceram uma máquina de efeitos sonoros, que fazia a trilha de ruídos para a pancadaria deles. Moe já não precisava baixa a porrada com vontade.
Apresento agora, um rápido resumo biográfico de cada pateta.

Moe Howard nasceu Moses Harry Horwitz, em 19 de junho de 1897, em New York. Tinha quatro irmãos, mas os dois mais velhos não quiseram nada como mundo das artes. Moe, aos 11 anos, se apaixonou pelo cinema e Teatro, decidindo tornar-se ator. Fez algumas pontas em filmes, mudando o sobrenome para Howard por ser mais fácil de ser pronunciado. Em 1912, juntou-se ao amigo Ted Healy para fazerem dupla em show de variedades. Em 1922, seu irmão Shemp uniu-se a eles e posteriormente, Larry também, fazendo parte do número com Ted Healy. Era o mais ajuizado do grupo, tornando-se de fato o líder deles. Casou-se com Helen Schomberger (prima do mágico Houdini), com quem teve os filhos Joan e Paul. Morreu em 4 de maio de 1975, de câncer no pulmão (ele fumava bastante).
*

Larry Fine tinha por verdadeiro nome Louis Feinberg, nascido na Philadelphia, em 5 de outubro de 1902, o mais velho de quatro filhos. Desde pequeno era um verdadeiro trapalhão, sempre propenso a se acidentar. Certa vez, derramou ácido no braço e para fortalecer a musculatura do membro ferido começou a tocar violino, o que fazia muito bem. Foi lutador de boxe amador também. Entrou para o show business como violinista e comediante, quando encontrou Ted Healy e Moe, juntou-se a eles em seu número. Casou-se com Mabel Haney, em 1927, que lhe deu os filhos John e Phyllis. Era viciado em jogo. Perdeu fortunas nas corridas de cavalos. Em várias ocasiões, recorria a Moe que o ajudava, pagando suas dívidas da jogatina. Por conta deste seu vício, costumava se atrasar nas filmagens e vária vezes teve que ser procurado nos cassinos e hipódromos para ir aos estúdios filmar. Em 1970, sofreu um derrame que o paralisou de um lado e o fez encerrar a carreira. Em 1974, teve outro, vindo a falecer em 1 de janeiro de 1975.
*

Shemp Howard recebeu ao nascer o nome de Samuel Horwitz, em 17 de março de 1895, no Brooklin/NY. Era um ano e meio mais velho que seu irmão Moe. O apelido Shemp era por conta de como sua mãe, que tinha forte sotaque judeu e ao chamá-lo de “Sam” parecia “Shemp”. Era um trapalhão de verdade, tendo se metido em várias encrencas. Foi encanador, entregador de jornais até entrar para o Teatro de variedades e fazer parte do número com Moe e Ted Healy. Entrou e saiu do grupo várias vezes, mas sempre esteve envolvido com Teatro e cinema. Casou-se em 1925, com Gertrude Frank, com quem teve o filho Morton. Voltou a ser um Pateta com a doença de seu irmão Curly. Ao retornar para casa, depois de ter assistido a uma luta de boxe, teve um ataque cardíaco fulminante dentro de um táxi, ao acender um charuto. Isso em 23 de novembro de 1955.
*

Curly Howard era o filho caçula da família Horwitz. Seu verdadeiro nome era Jerome Lester Horwitz, tendo nascido em 22 de outubro de 1903, em New York. Entrou para o grupo quando Shemp desistiu de ser um Pateta, no número com Ted Healy. Tinha cabelos fartos e um enorme bigode. Teve que raspar ambos, para compor o personagem Curly do trio, e isso o deprimiu por achar que não mais agradaria às mulheres, o seu grande fraco. Era o verdadeiro gênio do humor no grupo. Vários especialistas estudam seus filmes até hoje. Sua marca registrada, aquele “niak, niak, niak”, seguido dos tapas no próprio rosto e dos passinhos rápidos, aconteceu por ele não se recordar de suas falas e ter que improvisar. Muitos humoristas o imitaram descaradamente. Casou-se diversas vezes, a primeira com uma mulher que arranjou quando estava bêbado e que ninguém nunca conseguiu descobrir como se chamava. Casamento anulado, uniu-se a Elaine Ackerman, com quem teve a filha Marylin, depois com Marion Buchsbaun, com quem também se divorciou (e lhe levou metade dos bens) e por último com Valerie Newman, com quem teve uma filha, Janie. Era um bon vivant. Comia, bebia e fumava em quantidades industriais. Teve um primeiro derrame em 1946, tendo que se afastar dos Patetas. Depois teve vários outros até falecer em 18 de janeiro de 1952.
*

Joe Besser substituiu Shemp quando este faleceu. Era nascido em 12 de agosto de 1907, no Missouri. Era judeu como Moe (e Curly e Shemp) e Larry, o que significa dizer que a maioria das formações dos Patetas era de comediantes de origem judaica. Em 1920, entrou para o entretenimento como assistente de mágico em um circo. Foi casado com Erna Kay. Ao entrar para o grupo, exigiu não apanhar como os demais no que foi atendido, mas tirava muito da graça do trio. Seu personagem era um tanto delicado demais para os Patetas. Acabou saindo para fazer carreira-solo. Foi o dublador do desenho animado da Jeannie, onde fazia o personagem “Babu”. Morreu dormindo em sua casa, em 1 de março de 1988. Tinha escrito o livro “Once a Stooge, Always Stooge”. Só dois amigos foram ao seu enterro.
*

Joe deRita, o “Curly Joe”, nasceu Joseph Wardell, na Philadelphia, em 12 de julho de 1909 em uma família de artistas. Foi ator desde muito pequeno, tendo atuado em diversos filmes e feito excursões com Bing Crosby, entretendo soldados durante a guerra. Quando a Columbia encerrou o seu departamento de curtas, o primeiro Joe não quis sair pelo país se apresentando em Teatros ou onde pudessem. Então Moe e Larry chamaram deRita para substituí-lo. Ele atuou em seis longa-metragens com os Patetas. Era casado com Jean Sullivan. Faleceu em 3 de julho de 1993. Em seu túmulo há a inscrição: “Ele foi o último Pateta”.
*

Há muitas curiosidades envolvendo o trio mais biruta do planeta. Acho que a mais interessante aconteceu num intervalo entre as apresentações que eles faziam numa casa de shows. Os três jogavam cartas, quando Shemp começa uma discussão com Larry. Este encerra a briga enfiando dois dedos nos olhos do outro, sob gargalhada dos demais presentes. Logo este recurso se incorporou ao arsenal de loucuras do grupo. Neste mesmo dia, Moe estava passando pelo camarim de um dos atores da trupe quando viu uma torta sobre a mesa. Pegou-a, subiu num ponto alto do camarim e jogou-a na cabeça de Larry. Como os presentes começaram a rir, incluindo o dono da torta, Larry pegou o que sobrou a torta e iniciou uma batalha no camarim, com um jogando bolo na cara um do outro. Nascia ali o gênero comédia-pastelão que foi usado e abusado pelo trio em seus filmes e depois ganhou o mundo em trocentos outros filmes e programas de TV.
*

A marca “Os Três Patetas” ainda é muito forte no mundo. Teve desenho animado, gibi e o escambau... Quando eu estive em New York, pude ver que as lojas de souvenires têm zilhares imagens e bonecos do trio. Acho que só vi mais de Charlie Chaplin. Nem Elvis ou os Beatles tem mais produtos com suas imagens do que o trio mais biruta do planeta.



PteroMarco

::: Relembrado por Jack 6:20 AM

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Quarta-feira, Fevereiro 16, 2011

Camisaria A Capital - Clipper - A Exposição - Lojas Garbo




Este reclame aí ao lado, foi publicado no Estadão no dia 13 de outubro de 1940. O texto é do site Reclames do Estadão, e o texto é da autoria de Cley Scholz. Alguém lembra de uma dessas versões dessa mesma empresa?


Na esquina da Avenida Brigadeiro Luís Antonio com a rua Humaitá, no centro da cidade de São Paulo, um edifício residencial bem conservado já foi sede de uma indústria de vestuário. No dia 13 de outubro de 1940. o Estado publicou o anúncio acima, comunicando a abertura da Fábrica de Roupas Clipper. “A três minutos de bonde”, destacava o reclame na véspera da inauguração.

A marca Clipper era a denominação social da Camisaria A Capital, que iniciou suas atividades em 1921 na esquina da Rua São Bento com a Praça Patriarca. Nos anos 30, o dono da empresa, Nilo de Souza Carvalho, decidiu trocar o nome da empresa: temendo problemas políticos, abandonou o nome A Capital, que ele temia ser associado ao comunismo por causa do livro O Capital, de Karl Marx, e batizou a empresa de A Exposição.

A empresa fez tanto sucesso na época que teve de mudar de endereço e instalou-se em um espaço mais amplo, no bairro da Mooca. Em 1948, a empresa mudou novamente de nome, passando a chamar-se Lojas Garbo.


::: Relembrado por gaijin4ever 4:17 AM

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Terça-feira, Dezembro 21, 2010

A primeira



Como quase todas as minhas "primeiras", a minha primeira viagem de avião também aconteceu há muito tempo, no século passado, meados dos anos 70. Entrei no avião de terno e gravata pronto para perder a "virgindade" e também pronto para enfrentar a eternidade, mas fingindo e agindo como se estivesse voando todas semanas como qualquer executivo ou um ator global. O terno e a gravata, entretanto, era o meu uniforme, já que estava indo para trabalhar por uma semana no Rio, na filial da empresa em que trabalhava. Isso, se conseguisse sobreviver ao meu primeiro vôo...

Aeroporto era um dos lugares mais glamurosos na cabeça desse caipira. E o de São Paulo, Congonhas era um motivo de orgulho dos paulistanos, com todo o seu encanto, a decoração, as escadarias, tudo lembrando a década de 50. Fui ver aviões chegando e decolando pela primeira vez, um pouquinho antes, na década de 50 com meu tio e o meu avô. Além de ir lá “só pra ver avião descendo, só pra ver avião subindo”, era um programa comum do paulistano ir ao aeroporto beber um cafezinho para fechar as noitadas.

Agora, morram de inveja pois a minha primeira viagem foi num daqueles famosos Electra II da Varig, quadrimotores, bastante confortáveis e um dos mais seguros. As poltronas eram do tamanho das dos confortáveis ônibus do Expresso de Prata, nestes, onde viajava realmente com bastante constância para Marília e Duartina. Hoje em dia nem as criancinhas se sentem confortáveis nos bancos apertados dos aviões.

Depois disso, andei por um monte de lugares, mas acho que não há nada mais lindo do que essa viagem da Ponte Aérea Rio-SP. A viagem era curtinha, tinha um serviço de lanche de dar inveja aos vôos internacionais de hoje. Não sei se existem os “fingers” hoje em dia em Congonhas, naquela época se caminhava até o avião, passando perto das hélices e sentindo o cheiro da gasolina e o ronco dos aviões pousando e decolando e por fim subir as escadas do Electra II.

Ao avistar o Rio pelas janelas do Electra II depois de quase uma hora, imaginei ou será que estava ouvindo o Samba do Avião?

Como foi com você?

Foto daqui.

::: Relembrado por gaijin4ever 8:24 PM

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Terça-feira, Novembro 16, 2010

John Lennon





Será mesmo que o sonho acabou? Alguns acham que sim, pois dois dos quatro rapazes já se foram pro andar de cima. Outros nos mandam tentar achar e comprar na padaria mais próxima... Sempre bom relembrar tudo de bom que o quarteto de Liverpool proporcionou ao mundo em termos musicais. Os “meninos” me deram o mote quando li seus posts há umas semanas atrás. Ando completamente sem tempo e o blog está quase morto (acho que quase todos estão).

Mas quando se fala em aniversário de 70 anos de John Lennon, a gente entra no túnel e é quase que como se esse enorme tempo não houvesse passado. Então tentei arrumar um tempinho pra voltar a escrever (pelo menos este post).

Mês passado, se fosse vivo, John Lennon completaria setenta anos. Difícil imaginar como ele seria hoje. Será que teria se tornado um velhinho rabugento e burguês ou estaria doente ou já teria morrido de outra causa? Se tivesse vivido mais tempo acho que, como ele sempre foi muito inteligente e criativo, seria um ativista de causas nobres e sociais. Mas isso são conjecturas e uma visão de uma beatlemaníaca fanática. Tá bom, ele nem era meu beatle favorito, mas lembro bastante nitidamente do dia de sua morte.

As notícias começaram a chegar ao Brasil já pela manhã e eu trabalhava à tarde nessa época. Lembro de estar pronta pra sair pra deixar meu filho na casa da avó pra eu ir pro banco. Lembro também do meu olhar totalmente incrédulo diante da TV. Incrédulo e amargurado. Ainda restava uma fugaz esperança de que eles talvez um dia superassem suas dificuldades e diferenças e tentassem tocar juntos novamente. Difícil foi desligar e sair. As notícias àquela época não tinham a velocidade monumental de hoje em dia quando, por exemplo, a morte de Michael Jackson foi noticiada e voou pela internet como um foguete. Mas já era 1980.

Vou tentar recuperar um pouco desse sonho nesse próximo domingo. Ganhei o ingresso e vou ver Paul McCartney em São Paulo. Um sonho vai se realizar em parte depois de mais de 45 anos de espera e idolatria! Não vejo a hora, estou contando os dias e tentando segurar a emoção, que sei vai ser imensa!

Jurassic Jack

::: Relembrado por Jack 10:39 AM

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Terça-feira, Outubro 05, 2010

Long Live the King, Nat King Cole!



...

Não tenho certeza da música que ouvi pela primeira vez na voz do grande cantor americano Nat King Cole. Acho que foi Ansiedad, mas poderia ter sido Mona Lisa, que é bem mais antiga. Mas as músicas dele que marcaram a minha infância e o início da adolescência foram as músicas que ele cantou em espanhol. Não conheço muitos cantores americanos que tenham ousado cantar em espanhol ou português. Além dele, a Eydie Gorme (a da La Barca, lembra, juntamente com o Trio Los Panchos?), Connie Francis e outros, descendentes de latinos como a Linda Rondstad são algumas que me vem à lembrança.

Nat King Cole começou como jazzista, se apresentando e gravando com o seu próprio grupo (quartetos ou trios) que levavam o seu nome onde ele era o pianista e cantor. Trocou o jazz pela música popular e começa a colocar música atrás de outra na parada de sucessos. Straighten up and Fly Right, Nature Boy, Mona Lisa, Too Young, Fascination, Unforgettable, When I Fall in Love, Ramblin' Rose,Those Lazy-Hazy-Crazy Days Of Summer e toda uma série de músicas em espanhol como Ansiedad, Perfidia, Adelita, Cachito e até algumas em português como Não Tenho Lágrimas e Andorinha Preta que foi gravada junto com o Trio Iraquitan. Esteve no Brasil em 1959, fez shows e se apresentou na TV Record (que era a maior na época), fez o maior sucesso com o público brasileiro.

Assim como outros famosos negros da época, Nat King Cole não foi poupado da discriminação racial, muito mais rampante nos idos de 1930 a 1950s. Apesar disso, ele foi o primeiro negro a ter um programa de variedades da tevê. Atuou em muitos filmes. O seu último filme, Cat Ballou (Jane Fonda e Lee Marvin) foi lançado em 1965 pouco depois do seu falecimento. Ele fumava três maços de cigarros por dia, pensando que isto ajudava a sua voz, vê se pode! Não deu outra, acabou morrendo de câncer no pulmão.

A filha Natalie Cole gravou um album – Unforgetable - em 1991, um tributo às músicas de seu pai. Natalie mixou a sua voz com a de seu pai em algumas músicas em que faz dueto com ele. O album recebeu sete prêmios Grammys em 1992. Fato que confirma mais uma vez o que o teatrólogo Pílínio Marcos dizia, de que ator ou cantor americano morto ganha mais do que artista brasileiro vivo.

Taí um cara que tinha raízes no blues e jazz, mas esteve à vontade cantando música pop americana e estrangeira, agradando com o seu forte sotaque gringo quando cantava em espanhol e português. Nat King Cole continua sendo lembrado, reinventado, remixado. Já ouviram a música Brazilian Love Song num dueto que ele faz com a Bebel Gilberto no projeto RE: Generations ? Ficou uma beleza, dê uma checada aqui. Brazilian Love Song é a versão americana de Andorinha Preta. Como vemos, Nat King Cole continua vivo como nunca.

Long Live the King!!!

::: Relembrado por gaijin4ever 10:50 PM

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Domingo, Setembro 19, 2010

Marvin





Lá vamos nós para mais um varandão da saudade.
Uma vez, no tempo em que Colombo soltava barquinhos de papel na chuva, estávamos na varanda da casa do Jurandir, numa de nossas tradicionais festinhas movidas a cerveja, batida de (Q-suco de) pêssego e “calcinha de nylon” (parêntesis: cachaça, leite condensado e groselha. Fecha parêntesis). Eu era o “didjêi”, como se diz modernamente, ou discotecário, como se dizia naquela época. Estava botando a moçada para se sacudir ao som de “Barrabás” (“Woman”) e Paul McCartney & Wings (“Love is Strange”), quando percebi que a pista estava esvaziando. Alcir, meu “Obi Wan Kenobi” em termos musicais, veio correndo, tirou um certo compacto da capa e botou pra tocar. A pista rapidamente se encheu, com a moçada dançando bem agarradinho. Era o que eles queriam.
A música era “Don’t mess with Mr. T”. O cantor, um certo Marvin Gaye.

Acho que vale a pena recordar esse grande cantor e compositor.
Marvin Pentz Gaye, Jr. nasceu em Washington D.C., no dia 2 de abril de 1939. Era o filho mais velho de um pastor evangélico, que criou seus 4 filhos com extrema severidade. Bastava um deles cometer a menor falta que o couro comia e feio. Não demoraria para Marvin se revoltar contra aquela pancadaria generalizada.

Foi na igreja onde o pai pregava que ele tomou contato com as primeiras manifestações musicais, junto com seu irmão Frankie e suas duas irmãs menores Jeannie e Zeola.
A sua relação com seu pai (veja a foto do boneco à direita) seria marcantemente problemática para o resto de sua vida.
Logo que deu baixa no Exército, tornou-se cantor, viajando junto com o roqueiro (jurássico) Bo Diddley. Resolveu seguir para Detroit e se juntou a Harvey Fuqua, do “Harvey and the Moonglows”. Era a época de um gênero conhecido como “Dop-Woo” (baladas melosíssimas, normalmente com corinhos do tipo “tchu-tchu-tchurúúúúú...”) e Marvin vai ser um dos poderosos neste estilo.
No que ele conheceu Berry Gordy, Jr., o criador do “Motown Sound”, aí foi nitroglicerina pura! Marvin entrou para a “Fábrica de sucessos” e a máquina registradora não parou de tilintar.
Seu primeiro grande sucesso na Motown foi “Soulful Moods of Marvin Gaye” (1961), seguido por “That Stubborn Kinda Fella” (1963). Nesse momento, o cara já era considerado o novo Nat King Cole. Em 1964, o compacto simples que gravou com Mary Wells, intitulado “My Guy” subiu nas paradas feito foguete, disputando o primeiro lugar com quatro rapazes ingleses de Liverpool que estavam lançando “I want to hold your hand” nos USA.
A partir dali, Marvin virou o maior vendedor de discos da Motown Records. Ah, sim. Virou cunhado do dono da gravadora também, pois casou-se com Anna Gordy, irmã de Barry, em 1961.

Todos os críticos são unânimes em apontar o seu álbum “What’s Goin’ On”, de 1971, como seminal em sua carreira. Seria possível dizer que ali estava um LP conceitual, como o fora o “Sargeant Pepper’s Lonely Heart Club Band” dos Beatles. No seu disco, Marvin falava de Meio Ambiente na belíssima “Mercy Mercy Me (The Ecology)” (aliás, a primeira vez que eu li a palavra ecologia na minha vida), da vida urbana nos USA em “Inner City Blues (Makes Me Wanna Holler”, da guerra do Vietnã na canção-título,... Um espanto naquela década de coisas espantosas que viriam a seguir.
Vejam um trecho da letra de “What’s Goin On” (“O que está acontecendo”):

Mãe, mãe
Há muitas de vocês chorando
Oh, irmão, irmão, irmão
Há muitos de você morrendo em lugares distantes
Tudo bem
Vocês sabem que temos de achar uma saída
Para trazer alguns destes seus amados aqui hoje.

Ainda nos anos 70 ele faria um grande disco e participaria de outro que podem se situar entre os melhores do período. O primeiro foi o “Let’s Get it On” (1973). O segundo, “Diana Ross & Marvin Gaye”. Começo pelo segundo.
Juntar duas das melhores vozes negras da América foi um achado daqueles de fazer o executivo que teve a idéia ganhar estátua na gravadora. E com aquele repertório ainda por cima...
Pelo menos três músicas estouraram nos píncaros das paradas de sucesso: “You are Everything”, “My Mistake” e a fantástica “Stop! Look! Listen”. Esse rapaz que vos escreve já atraiu muitas fêmeas de encontro ao corpo ao som desta música...Ah, meus tempos!

Sobre o “Let’s Get it On”, nossa! chego a ver nesse momento meu amigo Alcir alucinando com essa música estourando pelos alto-falantes do seu aparelho de som Grundig...
A música-título do disco é de uma sensualidade extrema. Na letra, imagina um cara cantando a moça, chamando ela para fazer saliência com palavras como:

Eu tenho tentado, baby,
Tentado esconder meus sentimentos por muito tempo
E se você sente o que eu sinto, baby
Vem, ah, vem
Vamos fazer...
Ah, meu bem, vamos fazer...

O seu sucesso aumentava e sua vida pessoal descia ladeira abaixo. O casamento com Anna Gordy foi para o espaço. Ele conheceu e se casou com Jannis Hunter, com quem teve os filhos Frankie e Nora Gaye.
Em 1982, ele saiu da Motown e foi para a Columbia, onde lançou o álbum “Midnight Love”, que vendeu dois milhões de cópias, incluindo a explosiva “Sexual Healing”.
Mesmo com todo sucesso (ou exatamente por causa dele...), sua vida pessoal não andava nada bem. Entrou na espiral maligna das drogas, consumindo cocaína em quantidades industriais. Cheirou tanto que já não conseguia compor ou cantar . Tomado por imensa depressão, tentou o suicídio diversas vezes. Ele adorava a mãe, mas odiava o pai, provavelmente como herança dos maus tratos da infância. Por conta disso, começou a espancar o velho sempre que se irritava ou se drogava, não necessariamente nessa ordem. Até que em uma discussão com seu pai, em primeiro de abril de 1984 (ironicamente, um dia após ter completado 45 anos), a eterna divergência entre eles teve fim. Marvin, o pai, atirou em Marvin, o filho. E a música popular universal perdeu um grande artista.

Fico só imaginando as relações entre estes dois em vidas passadas. A solução do conflito entre pai e filho estava num trecho da canção “What’s going on”. Era só ambos terem prestado atenção:

Pai, pai
Nós não precisamos ficar tensos
Olha, guerra não é a solução
Só o amor pode vencer o ódio
Você sabe que temos que descobrir um caminho
Para trazer um pouco de amor para os dias de hoje.

PteroMarco

::: Relembrado por Jack 10:08 AM

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Terça-feira, Agosto 24, 2010

Anáguas e combinações





Sou de um tempo bastante distante onde havia mulheres e meninas “dinossauras” que usavam coisas do arco da velha. Algumas delas acho que nem existem mais hoje em dia. Sutiã de bojo somente Madonna tornou a usar em suas apresentações, mas de uma forma exagerada e grotesca (e sexy talvez).

Não se podia revelar nada de nossa intimidade, curvas ou sombras, assim sendo, combinações e anáguas faziam parte do vestuário normal e diário. Tudo devidamente escondido, sem transparências ou saliências. Fora as luvas. Ainda vi um restinho desse tempo. Depois luvas ficaram restritas para dias frios em locais gelados ou algum evento importante tal como uma cerimônia de casamento, por exemplo.

Lembro também das anáguas com armação de barbatana (aquilo mesmo que se usava também nos colarinhos masculinos) e enchimento que usei muito quando pequena, felizmente só em ocasiões especiais, pois aquilo pinicava e perturbava demais!

Fazia parte da minha vestimenta de ir para a escola, uma meia combinação, que seria quase uma camisette dos dias de hoje, que colocava por baixo da blusa do uniforme que era de tergal branco, para ninguém enxergar a cor do sutiã.

A última vez que vesti uma anágua foi no dia do meu casamento. Como o tecido era leve e fininho, precisava de um certo volume. Claro que o vestido era forrado, mas precisava de um certo ar elegante e pomposo por isso concordei com uma anágua de nanzuque (se a memória já não está me falhando, acho que era esse o nome do tal tecido do forro).

As vestimentas mudaram muito nos dias de hoje, graças a Deus. A grande maioria das pessoas não é mais escrava da moda e dos costumes. Bom, eu pelo menos acho que não sou! Tornei-me uma pessoa bem despojada no modo de vestir, e acho que a calça jeans e camiseta foram uma das melhores invenções da humanidade.

Jurassic Jack

::: Relembrado por Jack 11:47 AM

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Sexta-feira, Agosto 06, 2010

Livros de Gente Grande





Quais foram os primeiros livros que despertaram o seu interesse por leitura? Os meus livros, assim como deve ter acontecido com muitos outros da minha geração, depois da iniciação com os gibis, foram os de Monteiro Lobato e Erico Veríssimo. Entretanto ao mesmo tempo em que lia sobre as travessuras de Narizinho e os sonhos e o despertar de Clarissa, um outro tipo de leitura pedia a nossa atenção. Esses livros costumavam passar de mãos em mãos nos bancos escolares, na maioria das vezes escondidos dos pais e dos professores. Eram os livros de gente grande. Livros de autores como Adelaide Carraro e Cassandra Rios. Cheguei a ler Eu e o Governador e não gostei. Nada a ver, mas tinha gostado mais do A Presença de Anita, de Mario Donato. Ah, ao invés de estar ajudando no armazém de secos e molhados do meu pai, me imaginava em São Paulo, no lugar do rapaz que faz as entregas das compras feitas pela Anita.

Mas tudo que é bom ou gostoso, faz mal, engorda ou é pecado, certo? Era exatamente isso que os censores da ditadura militar tinham em mente, ao proibir esse tipo de leitura em defesa da moral e bons costumes da família brasileira. A censura sempre existiu. Quem é que nunca ouviu um “cala a boca”, geralmente vindo de alguém mais forte e grandalhão do que você?

A censura que existiu durante o Estado Novo de Vargas (lembre-se que Monteiro Lobato foi preso nessa época), ressurgiu implacável com toda força nos anos 60, que se baseava em critérios morais e políticos não muito claros para impedirem manifestação contrária aos interesses da segurança nacional. Algumas vezes utilizavam da força bruta para não deixar dúvidas, como depredações de jornais e incêndios misteriosos de autoria sempre desconhecidas.

Felizmente, isso é história, coisa do século passado. A moral da família brasileira continua inabalada, bagunçada como sempre foi. Hoje os livros de romance erótico ocupam prateleiras de toda e qualquer boa livraria que se preze. Até nos Wal Marts daqui você encontra esses livros picantes, bastante explícitos. Contos de fadas ganharam as suas versões eróticas!

Avalia-se que quase metade das leitoras americanas são consumidoras de ficção erótica ou de publicações eróticas. É um mercado que movimenta milhões de dólares. Muitas editoras concorrem para cobrir essa demanda. Autoras como Lora Leigh, Jaci Burton, Carol lynne, Cheyenne McGray, Evangeline Anderson, Maya Banks são algumas das mais procuradas.

Vocês notaram que todos os autores que citei, incluindo a Adelaide e Cassandra são todas mulheres? E depois, dizem que nós é que só pensamos naquilo!

::: Relembrado por gaijin4ever 4:48 PM

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Quarta-feira, Julho 21, 2010

Meninos, eu vi





Antigamente, ir ao cinema era certeza de prazeres e delícias independente do filme que estava em cartaz. Mesmo que no final das contas o bangüê-bangue, capa e espada, policial, terror, ou que tivesse passado na tela fosse ruim, sempre havia o Canal 100 para salvar o programa.
Era um complemento da programação. Tinha o jornal chamado “Atualidades Atlântica”, com cenas de festas ou fatos de semanas antes. Mas o que contava mesmo era ver em câmera lenta jogadas mirabolantes do jogo em foco no Canal 100, produção do Carlinhos Niemeyer.
Eu nunca apareci no Canal 100, embora estivesse sempre na geral do Maracanã, nos anos 70 e 80, quando ainda tinha esses filmetes passando na programação dos cinemas. Acho que os camera-men preferiam as figuras exóticas que volta e meia surgiam na tela.
Mesmo tendo ido ao Maraca, a gente adorava rever o jogo no Canal 100, onde víamos o que não tinha sido percebido antes. O cinema vibrava quando soava aquela musica tão conhecida: “Na cadência do samba”, tocada por Waldir Calmon e sua orquestra. Muita gente chamava a música de “Que bonito é”, por conta da letra que fizeram posteriormente:
“Que bonito é
As bandeiras tremulando
A torcida delirando
Vendo a rede balançar”

Para ilustrar este post, escolhi um jogo memorável exibido no Canal 100: Flamengo x Atlético Mineiro. Por que memorável? Ora, porque Pelé finalmente atingiu o ápice de sua carreira ao envergar o Manto Sagrado, a camisa do Flamengo!
Meninos, eu vi! Eu estava lá, na geral do Maracanã no dia 6 de abril de 1979! Eu era um dos 139.953 torcedores que estavam diante daquele momento histórico.
Só faltou um gol do Rei. E ele teve chance. Pênalti a favor do Mengão, a galera urrando “Pelé! Pelé!”, e o deus dos estádios amarelou. Teve medo de enfrentar o goleiro João Leite, na época, um especialista em pegar pênalti. A issão ficou a cargo do Zico, que não teve pena: fuzilou o canto direito do goleiro atleticano. No intervalo Pelé saiu, e o Mengão deslanchou: Zicão fez mais dois, Luisinho e Claudio Adão fecharam a conta.
Quase tão bom quanto estar no estádio, vendo aquele momento mágico, único na vida de qualquer torcedor do Mais Querido, foi revê-lo na tela de cinema, no Canal 100, ao som do endiabrado piano de Waldir Calmon.
Que bonito é! Que lindo, que lindo, que lindo...

PteroMarco

::: Relembrado por Jack 7:46 AM

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Segunda-feira, Junho 28, 2010

De quatro em quatro anos: a jabulani...



Quem me conhece sabe que não sou fanática por futebol. Mesmo o time do Santos tendo feito bonito nesses últimos meses. Mas de quatro em quatro anos um certo interesse em torcer pelo meu país no evento me faz reviver muitas outras Copas do Mundo. Como se um bichinho me mordesse e ativasse algo meio que adormecido. Talvez isso se deva às grandes campanhas futebolísticas que presenciei quando criança e incentivada pelo pai e avô àquela época tenha ficado com esse vírus incubado.

Costumávamos nos reunir para assistir aos jogos da seleção. E o que acontecia era quase um ritual: comida, bebida, “bolão” em dinheiro, bandeira e supertições. Em 1958 era muito pequena e acho que não tenho lembrança alguma do campeonato. Em 1962 já tenho algumas recordações e lembro que nosso velho rádio movido a energia elétrica fazia parte do acompanhamento dos jogos. Não me recordo se já existia rádio a pilha, mas se sim, as pilhas eram caras e economizadas quase como que estivéssemos em economia de guerra.

Em 1966 tivemos uma das coisas mais ridículas de que tenho lembrança: ainda não tínhamos transmissão ao vivo, e “assistíamos” (se não estou muito enganada) o jogo “falado”, transmitido pela TV. Víamos um painel (que representava o campo) com uma luz que se acendia em alguns lugares vazados (neste mesmo painel) que mais ou menos indicava com uma luz onde a bola ou o jogador estaria. Uma luz se acendia onde a bola deveria estar no campo lá na Inglaterra. Marido diz que não se lembra. Será que estou viajando? Alguém mais se lembra disso? Espero não estar esclerosando...

Só em 1970 começamos a ver os jogos ao vivo, ainda em preto e branco. Em cores a gente esperava pra ver no cinema, no famoso e antigo programa Canal 100. E nessa fase, além da belíssima campanha, como já era mocinha, lembro de reunir as amigas e de torcer, rezar e fazer promessas malucas para que a seleção tivesse sucesso... E deu certo! E tínhamos que pagar as tais promessas: correr o quarteirão, cantar o hino “Pra frente Brasil” (escute a música), entre outras coisas.



Acho que hoje em dia muita coisa mudou. E mudou muito! A gente parece já não ver o patriotismo nesse time do Dunga. Os jogadores já ganharam muito dinheiro na vida, e a meu ver, por isso mesmo deveriam dar mais “sangue”. Mas infelizmente parece que não é isso que ocorre. Eles somente querem um pouco mais de visão internacional para serem vendidos por ainda mais dinheiro. Uma vitrine de luxo e de grife. Enfim, essa é a mola mestra do mundo moderno, infelizmente.

Jurassic Jack


::: Relembrado por Jack 11:31 AM

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Segunda-feira, Junho 14, 2010

Alô Brotos!



1 - Theme From "A Summer Place" - Percy Faith
2 - Banho de Lua - Celly Campello
3 - A Noite do Meu Bem - Dolores Duran
4 - Esmeralda - Carlos José
5 - Mulher de Trinta - Miltinho
6 - Menina Moça - Tito Madi
7 - Marina - Cauby Peixoto
8 - Put Your Head On My Shoulder - Paul Anka
9 - Alguém Me Disse - Anísio Silva
10 - Everybody's Somebody's Fool - Connie Francis

Há 50 anos eram esses os maiores sucessos que tocavam nas rádios. Somente a Celly Campello e Paul Anka dessa lista poderiam ser considerados ídolos da garotada. Os adolescentes ainda não tinham importância como consumidorres, o que foi mudar lá no final da década. Celly Campello, seu irmão Tony e Carlos Gonzaga, que não era própriamente um garoto, foram pioneiros a procurar o público jovem com seriedade. Compare isso com a lista de hoje em dia...
Gosto de recordar de outros que não chegaram a fazer tanto sucesso anos a fio mas que eram conhecidos de todos os jovens na época. Sérgio Murilo apresentava o Alô Brotos na Tupi do Rio com a Sonia Delfino. No ano de 1960, Sérgio Murilo tinha lançado o seu Marcianita (44º. Na Parada) e a Sônia Delfino colocou entre os 100 maiores sucessos do ano, o Diga que me Ama (65º.), Bimbombey (75º.), e um certo Roberto Carlos tinha colocado Brotinho Sem Juizo (69º.) na mesma parada.



Sonia Delfino tinha uma voz deliciosa, e como todos os garotos que viriam depois, era certinha, de família, comportada, sem nada da imagem de jovens rebeldes que era a imagem projetada por uma boa parte dos jovens ídolos americanos da mesma época.
Parece que depois de viver um bom tempo no exterior, Sonia Delfino voltou para o Brasil e se apresenta no Rio cantando a MPB. Continua afinadinha como podemos ver aqui. Ela é sobrinha de Ademilde Fonseca, uma das cantoras que desconfio era uma das favoritas do meu pai pois discos dela faziam parte da discoteca lá de casa no meio de outros de cantoras japonesas como Hibari, Tiemi, Izumi e outras,

E para terminar, aqui vai a parada de 2010 (maio de 2010) de acordo com a Musikcity.com.br

1. Baby Justin - Bieber & Ludacris
2. I Look To You - Whitney Houston
3. Stereo Love - Edward Maya & Alicia
4. Sem Esse Coração - João Bosco & Vinicius
5. Tapa Na Cara - Zezé Di Camargo & Luciano
6. Ao Vivo e Em Cores - Victor & Leo
7. Eu Sou o Samba - Alexandre Pires & Seu Jorge
8. Tudo Mudou - Belo
9. Rebolation - Parangolé
10.Telephone - Lady Gaga & Beyonce

::: Relembrado por gaijin4ever 4:40 AM

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Sexta-feira, Maio 21, 2010

Au! Au! Riiinch! Qüiky-ky-ky-ky!




Toda criança quer ter um bichinho de estimação, certo?
Pois é. As mocinhas e mocinhos do meu tempo, do tempo em que Adão e Eva estudavam catecismo para fazer primeira comunhão, também eram assim. E mais: a gente não queria um bichinho qualquer. Eu, pelo menos, não. A gente queria um cachorro que fosse como o Rin-Tin-Tin ou como a Lassie, um cavalo feito a égua Fury e um golfinho que nem o Flipper.
Bem, eu não sei vocês, mas eu sempre quis ter um golfinho. Isso depois de acompanhar a série Flipper, que passava na TV Tupi, na parte da tarde. Cheguei a pedir um para minha mãe, e lembro dela me dizer carinhosamente:
- Quê?! Tá maluco? Onde a gente vai enfiar um golfinho aqui em casa? No box do banheiro?
Na verdade, eu tinha pensado em colocá-lo no tanque, mas a idéia de ter um golfinho por perto na hora de tomar banho era bem interessante para um menino...
Quando era guri, eu tive cachorro. Especialmente, tive uma cachorra que ficou com a gente por 16 anos até morrer de câncer. Aliás, foi uma tragédia lá em casa. Parecia que tinha morrido gente da família. E na verdade tinha mesmo. O nome dela era Bossinha. De Bossa Nova, visto que ela andava rebolando, cheia de bossa...

Mas eu queria ter um pastor alemão que nem o Rin-Tin-Tin. Principalmente, queria ter um cachorro que fizesse as mesmas coisas que ele fazia. No meu tempo de moleque, toda gurizada queria ser o “Cabo Rusty”, o menino órfão do seriado, adotado pelo exército norte-americano, que treinou seu cão para fazer coisas absolutamente fantásticas. Bem, eu vou confessar agora. Eu às vezes brincava com a minha cachorra, botando ela para correr ao som do grito de guerra do Cabo Rusty: “Ai-ô, Rinti!”

A Lassie também era legal. Lembro que era mais que comum todo proprietário de uma cadela da raça collie colocar na bichinha o mesmo nome da cachorra-heroína. A gente até chamava todos os cães collies de “Lassies”, como se este fosse o nome da raça. Eu via esta série na TV Rio, Canal 13.

Tinha uma outra série muito famosa nos meus tempos de guri, ou seja, no tempo da TV a lenha. Era a “Fury”. Uma égua inteligentíssima, repleta de bravura e bons sentimentos, que magnetizava os nossos olhares mesmerizados diante daquelas aventuras de tirar o fôlego.

E é claro, tinha o “Flipper”, que eu via religiosamente, e que me enchia de inveja daqueles dois garotos que tinham seu próprio golfinho, nadando com eles, vivendo mil aventuras...
- Ah, mãe! Por que eu não posso ter um golfinho? Eu cuido dele, não vai dar trabalho!
Bem, a resposta que ela me deu, você já sabem...








PteroMarco


::: Relembrado por Jack 7:44 PM

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Quarta-feira, Abril 28, 2010

Objetos Jurássicos


Recebi um email do meu amigo Leonel dia desses que dizia que o email está em rápido processo de extinção. Vocês leram? Estava começando a gostar disso e já acabou?! É a inevitável marcha do tempo, a tecnologia avançando exponencialmente, não dando tempo nem para respirar para nos mantermos atualizados. Isso me levou a mais uma das minhas reminiscências...

Quanta coisa vímos desaparecer, sem deixar rastros, que hoje só encontramos em museus. Ou em antiquários.
Antes dos computadores como é que mandávamos emails? Cmails! o correio caramujo, bem devagarinho. Cartas escritos a mão ou no caso de empresas, batidos à maquina de escrever e se fossem necessárias cópias, usávamos pepel carbono.

E os objetos domésticos? Quando criança, em Duartina, no tempo em que as roupas ainda amassavam, se usava o ferro de passar. Mas ferro mesmo, literalmente! Chegamos a ter um desses apetrechos, um ferro de passar que não necessitava de eletricidade! Era movido a lenha como o computador em que escrevo esta matéria. Na verdade, o ferro de passar funcionava com carvão em brasa, que era colocado no recipiente, depois de abrir a tampa, na parte superior desse utensílio. Na tampa, ficava a alça para segurar e passar o ferro. Quando a brasa ameaçava apagar, pegava-se o ferro de passar e o movimentava em rápidos arcos pra cima e pra baixo, para ventilar e aumentar o fogo da brasa e com isso manter o ferro quente. E esse movimento você tinha que fazer longe das roupas senão a brasa mandava fagulhas, arruinando a sua roupa. Lembro-me da dona Hermínia, que ajudava em casa, mostrando sua técnica e mantendo sempre o ferro no ponto certo. E ninguém precisava malhar com um aparelho desses, de 2 kg, passando roupas todos os dias! Aposto que a dona Hermínia bateria em qualquer marmanjo da cidade num braço de ferro.
Quer um cafezinho? Vamos torrar e moer o café. O moedor de café é preso numa mesa. Isso daí ao lado. Coloca-se o café torrado em grãos no receptáculo e giramos a manivela para que os grãos sejam moídos e caiam numa tijela. O pó é medido e colocado numa coadeira de flanela que se apoia no bojo de um bule de agata. Joga-se água fervendo e pronto! O café é servido numa caneca e dali emana um cheirinho gostoso que perfuma toda a cozinha... Mas sendo criança, a gente só pode ficar mesmo é na vontade... Café, só pra gente grande.

Muitos outros objetos desapareceram e ficaram lá no fundo do baú da memória. Do que é que você se lembra?


::: Relembrado por gaijin4ever 6:36 PM

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Terça-feira, Abril 06, 2010

Carros – um sonho de metal – Parte 2



Bem, amigos da Rede Globo, ou melhor dizendo, do tempo da TV a lenha, tempo em que o Velho Barreiro era um garotinho. Conforme prometi, prossigo a saga de carros que tiveram a ver com minha infância e adolescência e que são do tempo em que se amarrava linguiça com cachorro.
Embora assuma que seja um rapaz bem antigo, não digo que sou velho. Os outros é que viveram pouco. E em termos de automóveis, confesso que sou do tempo do “Calhambeque”, mas aquele da música da Jovem Guarda...
No capítulo anterior, falei de alguns carros e prossigo nesta segunda parte, apresentando outros que me fazem parar e afivelar um sorriso no rosto com jeito de “ah, meus tempos...” Carros estes que revi numa exposição há pouco tempo.

E começo por este Aero-Willys. Qual dos trintões aí – com mais de trinta e dez, trinta e vinte anos - lembra deste carro? Em seu lançamento, era o automóvel mais chique do Brasil, carro de presidente da República! Quem tinha um demonstrava que era possuidor de bom gosto e de uma mui saudável conta bancária. Tive um amigo, cujo pai tinha um. E lembro que este amigo era extremamente seboso só porque o seu pai tinha um Aero-Willys... “Grandes bostas...” dizíamos nós, os outros garotos... Conforme reza aquela famosa frase de pára-choque de caminhão: “A inveja é uma merda”.
A primeira vez que eu andei num Aero-Willys foi quando fui “cavalheiro de honra” (hoje se diz “pajem”) num casamento, não me lembro de quem. Volta e meia eu era chamado para ser acompanhante de noiva em casamentos. Diziam que eu era bonito, fotogênico e desinibido. Ai, ai... (suspiro!) Eu me lembrei agora de um poema de Manoel de Barros, que começa assim: Remexo com um pedacinho de arame nas minhas/ memórias fósseis./ Tem por lá um menino a brincar no terreiro... Ah, e esse menino que fui era bonito, fotogênico...
Pois é. Eu, cavalheiro de honra, andando de Aero-Willys e cartando com os outros moleques que, no máximo, só podiam olhar um daqueles pelo lado de fora. Só que o que eu andei não era rosa-calcinha como este. Naquela época, os carros se davam ao respeito, tinham cores mais sóbrias. Se o Aero-Willys do pai do meu amigo fosse rosa-Barbie desse jeito, ah, a gente matava o moleque de tanta encarnação!
Um outro automóvel que vi na exposição e que me trouxe boas recordações foi esse, o Interlagos:

Lá pelos idos de mil, novecentos e... não vem ao caso, a Grapette lançou um concurso que daria um bicho desses para quem conseguisse juntar quatro chapinhas com cada palavra da frase: “Quem bebe Grapette repete” debaixo da cortiça. A gente bebia hectolitros desse refrigerante, vivíamos com a boca roxa, arrotando sabor artificial de uva o tempo todo e nada de tirarmos a tampinha com a palavra “Grapette”. Com as palavras “Quem”, “bebe” e “repete”, tínhamos baldes cheios. Para mim, aquilo era propaganda enganosa. Nunca conheci ninguém, nem soube de alguém que tivesse tirado o Interlagos no concurso. E o carrinho era uma belezura! A meninada andava pela rua imitando o som desse carro, mexendo num volante imaginário, passando marcha imaginária, sonhando em dirigir um de verdade...
Um outro automóvel que fazia a nossa cabeça, nos tempos juvenis, foi o Simca Chambord, que nem este da foto:

Era o carro do Vigilante Rodoviário! Víamos a série na TV e ficávamos em devaneios, nos imaginando pilotando um desses ao som da velha musiquinha: “De noite ou de dia... Sempre no volante... Vai pela rodovia... Bravo Vigilante!”
Ah... Que carrinho legal era o Simca! No início dos anos 60 era uma coqueluche no Rio. Talvez só perdesse para a dupla Renault Dauphine e Renault Gordini. Em 1965, a Chrysler comprou a Simca e, não demorou muito, tirou o simpático carrinho de linha. Eu me lembro que um mecânico, amigo da gente, certa vez pegou um, de um cliente, e levou alguns de nós para a praia de Mauá. Eita! Foi uma festa! O Carlim Berreba levou uma garrafa de gin e os caras tomaram aquilo com tudo que é acompanhamento: caldo de cana, água de coco, guaraná, água do mar... O carrinho tinha um barulhinho gostoso na estrada e embora não fosse muito potente, rendia bem. E para a gente que só tinha carrinho de rolimã, aquilo era como se fosse um Rolls-Royce!
Pois é, caros amiguinhos. Imagino que a visão destes carros tenha despertado lembranças outras em vocês, como despertaram em mim. Vai ver o nosso passado tem um quê de “Maria Gasolina” e nem precisamos sentir o cheiro do combustível para ligarmos o motor das recordações e darmos partida em mais um sonho.

PteroMarco

::: Relembrado por Jack 6:26 AM

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Terça-feira, Março 23, 2010

Batizado de boneca




Quando era pequena, e isso já se vai longe, amava brincar de bonecas. Não as ‘Barbies’ de hoje. Nem ‘Susies’ tampouco. Nem um pouco parecidas. As bonecas naquela época eram bebezões imensos de vinil. Não me venham com gracinhas, pois não sou do tempo das bonecas de louça não! Aquelas que quebravam. Devia ser um desperdício... Meninada chorando por todo lado...

Tive um lindo bebê que ganhei da minha avó. Dei-lhe o nome de Marcelo e ele foi até batizado. Para a época ele até que era bem moderninho. Fazia até xixi. Era menino e eu sabia por causa da roupa. Tinha um buraquinho, mas não tinha o sexo. Não tinha cabelo também. Era só uma coisa pintada no alto da sua cabeça.

Deixa contar para quem não sabe ou não lembra como era. Se bem que acho que quem viveu nesse tempo não se esquece. Detalhes para não mais esquecer, pois foram muito marcantes, eu diria. Depois de alguns dias de bebê novo a gente fazia o batizado. Eu tinha até uma roupinha branca que tinha sido de alguém da família. Para vestir no bebê. Chamávamos as amigas da vizinhança. Às vezes até colegas da escola. Um dos meninos fazia o papel de padre. E a gente escolhia padrinho e madrinha para a boneca. E minha mãe fazia bolo. Acho que tinha algum suco também. E era um acontecimento!

Jurassic Jack

::: Relembrado por Jack 6:27 AM

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Segunda-feira, Março 08, 2010

A Misteriosa Jacqueline Myrna




Vocês não devem se lembrar, talvez tenham de perguntar para os seus pais, avôs, ou tios mais velhos, sobre a boazuda, de carne e osso, de hoje: a Jacqueline Myrna.

Ela se tornou famosa na década de 60 no Praça da Alegria, fazendo aquele papel da estrangeira inocente, mas bonita e gostosa, de um corpo nada inocente, que a americana Kate Lyra faria anos mais tarde. Vocês talvez se lembrem do bordão “brasileiro é tão bonzinho!” que ela lançou e dizia com forte sotaque francês, que era uma gracinha. No banco da Praça sentava o saudoso Manoel da Nóbrega, por onde passavam entre outros, personagens interpretados por Golias, Moacyr Franco (o mendigo), Simplício (o do Ô Hóme! e que tornou Itu famosa, onde tudo era grande!), Zilda Cardoso (a dona Catifunda), Borges de Barros (o Nobre Colega) e muitos outros.

Jacqueline pronunciava Araraquara carregando nos erres, e a simpática cidade da Morada do Sol, virava Arrarraquarra. Mas não era o seu sotaque verdadeiro, pois ela era romena de Bucarest. Chegou ao Brasil ainda adolescente. Na televisão fez comédias e até uma novela, A Indomável de Ivani Ribeiro, fez muitos filmes e até teatro. Tudo acompanhada e controlada pelo olhar vigilante da fera da sua mãe.

Lembro de ter visto o filme As Cariocas, em que ela participou de um dos episódios, dirigido por Walter Hugo Khouri. Esse filme foi baseado no livro de mesmo nome de Sergio Porto, o Stanisalau Ponte Preta. Você pode ver uma pequena amostra do livro aqui. Jacqueline ganhou o prêmio Governo do Estado por essa participação, em 1966.



Ela ocupou uma boa parte das minhas fantasias eróticas dos anos 60! Eita década danada de boa em termos de mulheres! Pudica e inocente comparada com os dias de hoje...

Ela desapareceu de repente nos anos 70 sem deixar rastros. Muita coisa é um mistério quando falamos dessa atriz. Não se sabe a data da sua chegada ao Brasil. Não há registro de namorados ou mesmo de namoradas. Fala-se que casou com um estangeiro e se mandou para os Estados Unidos ou que mora na Europa, dizem outros. Tem até quem diga que a viu pelas ruas de São Paulo recentemente. Ou será que foi uma das vítimas da ditadura?

Alguém tem alguma informação sobre essa misteriosa atriz?

Querida Jacqueline, se você estiver lendo isso daqui, mande-nos uma foto (ou de preferência, um montão de fotos) e nos atualize com informações reais, contando também as suas aventurras e trravessurras!


::: Relembrado por gaijin4ever 6:35 AM

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Domingo, Fevereiro 21, 2010

Huum... De fechar o comércio!




No tempo em que a gente fazia “fiu-fiu” para um broto na rua, às vezes dizendo: “é a nora que mamãe pediu a Deus!”, sentíamos os hormônios ferverem quando víamos aquelas deusas do cinema americano, ou as vedetes brasileiras, as “Certinhas do Lalau” (explicação para quem é do tempo do programa da Xuxa: “Lalau” era o auto-apelido de Stanislaw Ponte Preta, heterônimo de Sergio Porto, que em sua coluna no jornal elegia as mulheres mais boazudas pespegando-lhes o título de “Certinha”...).
Ahhh... Aquelas mulheres maravilhosas! Qual rapaz ou adolescente que não pensava nelas carinhosamente quando estava em momentos solitários no recôndito dos aposentos sanitários...
Nem vou enumerar aqui as deusas do nosso tempo, daquele tempo em que se amarrava lingüiça com cachorro. Os rapazes que me leem sabem muito bem. E as moças que estão passando os doces olhos por estas linhas também sabem de que beldades estou falando.
Mas hoje eu queria falar de outras deusas que nos fazia palpitar o coração: as mulheres mais deliciosas do desenho animado.
Ah, você vai dizer que elas não eram mulheres de carne e osso, que não existiam de verdade, que não se podia pegar nelas. Ah, tá. E nas outras, a gente podia? Uma vez eu li numa crônica do Luis Fernando Veríssimo onde ele dizia que só acreditava no que ele pudesse pegar, provar, cheirar, logo, ele não acreditava na Luana Piovani, por exemplo. Neste mesmo raciocínio, eu também não acredito na Claudia Cardinale, na Sophia Loren, na Rachel Welch e na Neide Aparecida, já que não posso pegar, lamber nem fazer kutch-kutch no umbigo” delas também.
Esclarecido esse ponto, passemos ao essencial. Aos pitéus dos desenhos animados.
Estão abertos os trabalhos. Alguém aí arrisca dizer quem eram suas nham-nhams? Então começo eu.

Betty Ruble: olha, vou confessar para vocês, que meus olhinhos adolescentes ficavam meio embaçados quando eu a via nos desenhos dos Flintstones. E quando ela dava aquela risadinha, sentia ganas de beijar a tela da TV...

Melody do “Josie and the Pussycats”: tudo bem, ela era uma anta. Mas que carinha, que pernas, que boquinha!... Ai minha Nossa Senhora da Saliência! Definitivamente, um broto da pontinha da orelha!

Sininho: já que estou confessando os meus pecados, vou abrir o jogo. Quando eu vi o desenho “Peter Pan”, fiquei caidinho por ela. Quis até ver outra vez, só prestando atenção naquele bijuzinho... Com essa eu casava!

Laurie Partridge de “Família Dó-Ré-Mi D.C.”: Esse caso era um prosseguimento de minha séria paixão pela Susan Dey, a atriz que fazia a “Laurie”, na série filmada. Eu sempre achei que um dia me casaria com a Susan/Laurie. E vê-la em forma de desenho só aumentou a minha paixão.

Betty Boop: tá legal, ela tem idade para ser minha bisavó, mas é impossível não olhar para aquelas coxas perfeitas e pensar em saliência... É ou não é?
Aí estão minhas cinco deusas dos desenhos em 2D. Se puxar mais pela memória, outras vão sair.
Mas estou curioso para saber das paixões de vocês. (Não citei a Jessica Rabbit, porque quando eu vi o filme “Uma cilada para Roger Rabbit” já era um tanto grandinho... Mas coloquei a foto dela na postagem).
As moças podem dizer que rapazes dos desenhos animados buliam com seus coraçõezinhos.

PteroMarco

::: Relembrado por Jack 5:58 AM

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Quarta-feira, Fevereiro 10, 2010

Ainda é carnaval?




Sou de um tempo muito distante
(Uma dinossaura quase extinta)
Onde menino gostava só de menina
E carnaval, sinônimo de confete e serpentina

‘Dona Dorotéia, vamos furar aquela onda?’
Onde menino se fantasiava de menina
Com roupas emprestadas das mães e irmãs
Banda da divisa
Segura no bagre
Pé na bosta
(Coisa de santista)

Lança perfume também já existia
Mas não se ‘cheirava’
Os meninos gostavam de jogar nas meninas

Corso nas avenidas da praia
Guerra de bisnaga de água nas ruas
Baile familiar nos clubes
Com orquestra e tudo!


Cidade Maravilhosa, Allah-la-ô, Aurora, O teu cabelo não nega, Me dá um dinheiro aí, Turma do funil, O cordão dos puxa-sacos, Bandeira Branca, Sassaricando, Olha a Cabeleira do Zezé, Pierrô Apaixonado, Mamãe eu quero, Chiquita Bacana lá da Martinica, Saca-rolha, Máscara negra, Estrela Dalva: eram nossas marchinhas favoritas!

Jurassic Jack


::: Relembrado por Jack 4:48 AM

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